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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Consciência negra o ano todo

Novembro é o mês da consciência negra, mas relações raciais e o respeito à diversidade devem ser trabalhados o ano todo. Confira como tratar essas questões neste especial com mais de 35 textos. Boa leitura!

Recursos multimídia – destaques




Reportagens





Planos de aula – destaques



Artigos para refletir


Diversidade e relações raciais (3 reportagens | 2 planos)

Educação infantil

Reportagens
Literatura infanto-juvenil com personagens negros
A representação dos negros na literatura com 18 sugestões de livros infanto-juvenis

Como trabalhar as relações raciais na pré-escola
Leitura de contos africanos, rodas de conversa, vídeos e confecção de bonecas

Diversidade sempre, desde a Educação Infantil
Valorizar diferentes raças, gêneros e pessoas com deficiência deve ser um trabalho diário

Planos de aula

Entenda como trabalhar a questão da diversidade diariamente em sala de aula


Como formar cidadãos preocupados com a coletividade

Gestão Escolar

Reportagens
Um projeto de combate ao racismo
Escola do interior do Espírito Santo transforma discussões preconceituosas em diálogos de respeito às diferenças

Projeto: Respeito à diversidade na escola
Saiba como estimular intervenções individuais e coletivas contra atitudes preconceituosas

Questionário para avaliar como sua escola aborda o racismo
Faça um diagnóstico, junto aos professores e à equipe, de como as questões raciais são tratadas na sua instituição

Educação não tem cor
Com discussões e projetos bem elaborados, é possível combater o preconceito racial que existe, sim, na escola

Respeitar as diferenças
Só assim se consegue afastar o fantasma do preconceito e formar jovens mais tolerantes

Artigos
Diferenças: respeito versus preconceito
Escolas que recebem e educam os alunos, independentemente de origem, orientação sexual ou deficiência, ensinam a todos a viver

O preconceito está em nós
Na sala de aula, assim como em qualquer outro ambiente, ocorrem situações de discriminação. É necessário reconhecê-las e discuti-las

Entrevista
Diversidade sociocultural brasileira em debate
Entrevista com Viviane Farias, especialista em diversidade

História e cultura afro-brasileira (22 reportagens | 8 vídeos)
Educação infantil

Pesquisa com ritmos africanos 
Explorando a habilidade dos pequenos para tocar instrumentos e dançar, leve-os a descobrir como as manifestações artísticas expressam a cultura

Plano de aula: Influências culturais da África 
Para conhecer e vivenciar produções culturais brasileiras com influências africanas

Vídeo: Origens africanas num país chamado Brasil 
Conheça o trabalho de música realizado pela Educadora Nota 10 de 2008, Luciana Nascimento Santos, de São Paulo - https://www.youtube.com/watch?v=wqPMYlkr_ro

História

História Geral
África de todos nós
Descubra com seus alunos a riqueza das ciências, das tecnologias e da história dos povos desse continente

A África já existia antes dos europeus 
Conheça os reinos que formavam a África antes da chegada dos europeus

Infográfico: África, berço da humanidade e do conhecimento (pdf) 
Os principais impérios, reinos e estados de onde vieram os negros que foram escravizados no Brasil e as tecnologias que trouxeram

Lendas e heróis africanos 
Palavras de origem africana, literatura e contação de histórias com familiares afrodescendentes

O que foi o Apartheid na África do Sul?
O termo, em africâner, língua dos descendentes de europeus, significa "separação", e foi atribuído ao regime político de segregação dos negros na África do Sul

Quais foram os colonizadores da África?
Vários países da Europa participaram da partilha do continente africano. Saiba como se formaram as fronteiras dentro da África

Aumenta o número de países democráticos na África 
Em dez anos, subiu de 11 para 48 o número de países africanos democráticos. Esse avanço fez com que alguns países começassem a atuar no cenário mundial

Aula de História a bordo do navio-escola Amistad 
Réplica do navio negreiro mostra como 53 escravos de Serra Leoa conquistaram a liberdade em 1839

A riqueza da África nas instalações do Museu Afro Brasil 
Parada obrigatória para explicar a importância do negro na formação da sociedade brasileira
 

Cultura africana e geometria 
Conheça o projeto África na Sala de Aula, no qual a cultura africana foi incluída nas aulas de Matemática

História do Brasil

A escravidão ainda existe
Apesar de ilegal, o trabalho escravo não está extinto. Mais de 36 mil pessoas foram resgatadas dessa situação nos últimos 15 anos no Brasil

Plano de aula: Trabalho escravo contemporâneo 
Sequência didática para identificar as características do trabalho escravo no Brasil atual e conhecer as condições que levam um trabalhador à escravidão hoje

O que caracteriza o trabalho escravo hoje no Brasil? 
Estima-se que hajam 25 mil vítimas do trabalho forçado no país

Vídeo no Museu Afro Brasil: Trabalho e escravidão
Conheça as regiões do continente africano de onde vieram os negros escravizados e o conhecimento e as técnicas implantadas por eles na agricultura e na mineração brasileira - https://www.youtube.com/watch?v=vwIKjB_0FoA

A história local dos afrodescendentes 
Sequência didática para estabelecer relações entre passado e presente, discutindo mudanças e permanências nas relações sociais

O que foi a Revolta da Chibata? 
A insurreição dos marujos liderados pelo marinheiro negro, João Cândido Felisberto, completa cem anos. Um motivo a mais para analisar criticamente a história dos negros no Brasil

Vídeos no Museu Afro Brasil 
Religiões afrobrasileiras 
Conheça uma parte do núcleo Religiosidade Afrobrasileira que integra a exposição permanente do Museu Afro Brasil, em São Paulo - https://www.youtube.com/watch?v=g2q8cqxhzvw

História e memória
Retratos e textos de personalidades negras da História do Brasil - https://www.youtube.com/watch?v=XbiyUQeGsfE

Geografia

A África não é um país, e sim um continente 
Isso parece óbvio, mas não é. Muitos falam do continente como se fosse uma região homogênea habitada por um único povo

África, um continente cada vez mais urbano 
Desde a década de 1950, a população rural começou a migrar em busca de melhores oportunidades de emprego e ascensão social

Petróleo e minério são os destaques da economia africana
Além de possuir um terço do urânio mundial, metade do ouro, dois terços dos diamantes e 10% das reservas estimadas de petróleo, a África tem uma localização privilegiada com acesso aos oceanos Atlântico e Índico

Quais são os cinco países mais desenvolvidos da África? 
Continente tem dois representantes com desenvolvimento elevado: Seicheles e Maurícia

Arte

Vídeo no Museu Afro Brasil: Artes plásticas 
Quadros, esculturas e instalações de artistas negros brasileiros, representantes do período barroco, da arte acadêmica, moderna e contemporânea - https://www.youtube.com/watch?v=RmZNkjgslH0


Vídeo no Museu Afro Brasil - África: diversidade e permanência
Esculturas, máscaras e objetos produzidos por diferentes povos africanos - https://www.youtube.com/watch?v=IsZiVa1gylM


Capoeira, o gingado que vem da África
Queixadas, meias-luas, armadas... Adolescentes baianos aprendem os movimentos da luta trazida para o Brasil e ampliam seu repertório cultural

Vídeo: Diferentes toques da capoeira 
Mestre Turbina conta um pouco da história da capoeira e explica os diferentes toques jogados no Brasil - https://www.youtube.com/watch?v=ZDTo0-z52sk


Músicas africanas conquistam os alunos 
Canções da África conquistam os jovens. Ao tocá-las, eles usam instrumentos vindos desse continente e aprimoramo estudo de ritmos

A arte africana na dança, nas máscaras e nos desenhos 
Sugestões para trabalhar a cultura da África por meio da dança, das máscaras e dos desenhos

http://revistaescola.abril.com.br/consciencia-negra/

sábado, 1 de novembro de 2014

O pop e suas influências culturais

Objetivo(s)
- Identificar as características marcantes da cultura pop a partir da década de 1950.
- Demonstrar os movimentos ligados à música pop e sua popularização por meio do rádio, dos discos e da TV.
- Determinar as influências da música pop no comportamento da juventude.
- Observar de que maneira a música é um meio de padronizar comportamentos e direcionar o consumo de bens culturais e musicais pela sociedade.

Conteúdo(s)
- Música e cultura de massas.
- Movimentos musicais do século 20.
- Características da música pop e erudita.

Ano(s)                            1º                2º                3º

Tempo estimado                    Duas aulas

Material necessário
- Cópias da reportagem "Clássicos para as massas", de Sérgio Martins (VEJA, 2397, 29 de outubro de 2014), disponível no acervo digital de Veja a partir de 31/10/2014.
- Trechos selecionados de músicas dos compositores citados na reportagem "Clássicos para as massas".
- Cópias da reportagem "O pop como cruzada", de Sérgio Martins (VEJA, 2264, 11 de abril de 2012).
-Trechos selecionados de músicas de Elvis Presley, The Beatles, Rolling Stones, David Bowie, Sex Pistols, Madonna, Michael Jackson, Sinéad O’Connor, Beck, Lady Gaga, Mutantes, Engenheiros do Hawaii, entre outros que o professor considerar pertinentes.
- Trechos do livro "Disparos do front da cultura pop", do jornalista inglês Tony Parsons, que traz uma coletânea dos textos mais importantes publicados por este autor, entre os anos 1976 e 1994, nos principais jornais da Inglaterra. Os textos contidos no livro estão divididos por seções, e tratam de temas polêmicos e histórias que refletem o estilo que marcou a cultura pop no século 20).
- Trechos do livro "1001 discos para ouvir antes de morrer", organizado por Robert Dimery, que contém resenhas sobre os principais álbuns lançados a partir de 1950. Artistas como Frank Sinatra, Beatles, Jimi Hendrix, Rolling Stones, Beck, Britney Spears, além de brasileiros como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Mutantes têm seus álbuns apresentados e comentados por vários críticos musicais e jornalistas especializados. O livro é uma excelente fonte de informações sobre a concretização da música pop no século 20.
- Trechos do livro "As melhores entrevistas da Revista Rolling Stone", Jann S. Wenner e Joe Levy, uma coletânea de entrevistas com os principais nomes da cultura pop, a partir dos anos 1960: os músicos John Lennon, Bob Dylan e Kurt Cobain, cineastas como Clint Eastwood, Francis Coppola e Spike Lee, escritores como Hunter S. Thompson e personalidades como Dalai Lama expõem seus pensamentos e ideias. Este conjunto de entrevistas é uma fonte interessante para perceber a dimensão daquilo que pode ser considerado parte da cultura pop que marcou o século 20.
- Computador com caixas de som, Data-Show e acesso à internet.

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
O conceito de "cultura pop" está ligado ao desenvolvimento do que ficou conhecido, no século 20, como "indústria cultural" - termo utilizado pelos filósofos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973) para definir a condição da produção artística na sociedade capitalista contemporânea.

O desenvolvimento do rádio, do cinema e dos discos, no início do século 20, proporcionou o consumo cada vez maior de produtos culturais populares. No período pós-guerra, especialmente a partir da década de 1950, o surgimento do rock’n roll foi um impulso muito forte para a solidificação de um conceito que fez com que inúmeros consumidores, notadamente jovens, vinculassem seu comportamento, modo de pensar, agir e se vestir a determinados produtos culturais. O cinema, a moda, a literatura e especialmente a música, tornaram-se, pouco a pouco, uma forma de identidade de grupos de jovens, que procuravam espelhar seu modo de vida ao modelo de seus ídolos pop.

O mais importante produto cultural deste período foi, sem dúvidas, a música, que teve especialmente em Elvis Presley seu maior ícone, ainda na década de 1950. O corte de cabelo, o sorriso, as roupas, a forma de andar, dançar e falar do ídolo eram veiculados por meio de seus filmes e canções, e consumidos e distribuídos em todo o mundo ocidental com a ajuda de redes de fã-clubes, que acabariam por tornar o próprio cantor em um produto.

Na década de 1960, o fenômeno da beatlemania deu continuidade à indústria da música pop, e ainda criou o conceito das chamadas "boy bands", até hoje uma fórmula válida para a venda de música como um produto industrial. Os Beatles tinham nos Rolling Stones seus opostos: enquanto os primeiros faziam a linha dos "bons moços", os segundos apelavam para um conceito mais agressivo: a rebeldia extrema ou o bom-mocismo como modelos de produtos que movimentavam milhões de dólares a partir da imagem das duas bandas.
Seguindo a linha de Elvis, os Beatles fizeram também vários filmes, e diversos produtos atrelados a eles faziam sucesso tremendo junto à juventude: do corte de cabelo, passando pelos terninhos bem comportados, os bottons, álbuns de fotografias, roupas, instrumentos, show e, claro, os discos, que vendiam como água.

A partir da segunda metade da década de 1960, a popularização da TV tornou possível a difusão cada vez maior de astros e conjuntos pop. A indústria cultural soube manipular a rebeldia de parte da juventude como mais um elemento de consumo, fazendo com que movimentos culturais como os hippies, ainda que com sua forte contestação característica, acabassem se tornando também produtos a serem consumidos.

A imagem da rebeldia do festival de Woodstock ou de bandas como Led Zeppelin, até hoje tidas como exemplo da contracultura, não impediram que os empresários do show business fizessem desse apelo uma forma de gerar receitas gigantescas, no mundo todo. Desta forma, os shows, as revistas, os filmes, os discos, as roupas, os cortes de cabelo, os álbuns, os programas de TV, acabariam veicular os ideais de rebeldia e juventude transviada, transformados em produtos a serem padronizados, empacotados e vendidos, junto com seus representantes.

Na década de 1970, após a dispersão do movimento hippie, alguns estilos musicais deram continuidade à produção cultural de massa. Entre eles, podemos destacar o que ficou conhecido como "glitter rock", representado por artistas como Marc Bolan, David Bowie e Iggy Pop, o heavy metal, com conjuntos como Black Sabbath, e depois, o "punk", com Ramones ou Sex Pistols, que com sua carga energética iconoclasta e violenta, fizeram com que a indústria superasse a crise e continuasse a produzir, a partir de modelos pré-concebidos, bens culturais a serem consumidos por larga escala da juventude.

Na década de 1980, com a possibilidade técnica sempre ampliada, surgiram fenômenos musicais e artísticos de alcance global, como Michael Jackson e Madonna, que continuaram utilizando dos recursos do cinema - especialmente por meio do videoclipe, que foi difundido grandemente pela fundação do canal MTV - como forma de influenciar o comportamento da juventude e vender sua música e seu estilo de vida e comportamento como padrões a serem seguidos e cultuados.

Os megashows levaram a indústria ao seu auge. Milhares de fãs acompanharam seus artistas preferidos, seja em nome de causas supostamente nobres, como a arrecadação de recursos para populações famélicas do mundo, por meio de eventos como "Live-Aid", que tiveram apoio de organismos internacionais como a UNESCO, ou simplesmente em mera diversão sem compromisso, como no Rock in Rio - festival que trouxe pela primeira vez à América Latina vários dos nomes consagrados da música pop. É interessante notar também que, além de ajudar a dar forma à indústria do entretenimento tal como a conhecemos hoje, o rock'n roll conseguiu ultrapassar, na música, a fronteira entre as expressões artísticas consideradas eruditas e suas formas mais populares. Prova disso são os elementos da música clássica que influenciaram os próprios Beatles, a partir do lançamento do disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, e o surgimento do rock progressivo. De outro lado, a produção de compositores de música erudita nascidos na era do rock foi marcadamente influenciada por esse estilo musical, como mostra a reportagem de Veja.

No Brasil, ainda que de maneira distinta e incipiente, houve tentativas de criação de uma indústria pop nas décadas de 1960-70, a partir de movimentos como a Jovem Guarda ou o Tropicalismo, que seguiram mais ou menos as tendências da cultura pop nos EUA e Europa, com características próprias. Nos anos 1980, a música de artistas pop brasileiros difundiu-se em programas de auditório e principalmente com as telenovelas, que sempre foram o carro-chefe da popularização de canções, artistas e conjuntos musicais de sucesso.
A popularização da internet e do CD, na década de 1990, trouxe a possibilidade de difusão universal da música pop. Ainda que a indústria de discos tenha entrado em crise, no início do século 21, por conta da possibilidade de arquivamento, compartilhamento e difusão musical, sem a necessidade obrigatória de um meio físico, percebe-se que a cultura pop não perdeu sua força: fenômenos como Lady Gaga ou Amy Winehouse continuam a ser valorizados como mitos, capazes de gerar receitas altíssimas, principalmente com a publicidade em torno de seus nomes.

Nota-se que o necessário não é tanto o meio físico para difusão da música e do estilo comportamental dos ídolos: o apelo subjetivo, essencialmente ligado ao modo de vida nos grandes centros urbanos, que correspondem ao desejo de consumo de fatias cada vez mais extensas e padronizadas da população, mantém a cultura pop como espelho comportamental da juventude mundial.
Tudo pode ser padronizado, empacotado e vendido: a rebeldia, a música pesada, o estilo ruidoso e contestador de alguns artistas, ou a água-com-açúcar, o sentimentalismo e a doçura de caráter de outros. Mesmo artistas mais "independentes" rendem-se ao showbusiness para sobreviver e difundir sua música.

É interessante observar que certas características da música pop, ainda que diferentes no estilo e no gênero musical, são próximas: a música tem normalmente duração curta - raramente ultrapassando os 5 minutos - justificado pela facilidade de absorção, através do rádio, e mais recentemente, das redes sociais; a batida que incita à dança; as letras que falam de sedução, amor, liberdade; a gravação e difusão através de discos, filmes e videoclipes; a tendência em associar a música pop a conceitos de contemporaneidade, também como maneira de influenciar o surgimento de novos conceitos; o estilo de vida dos artistas ditando a moda, o corte de cabelo, a maquiagem e o comportamento da juventude.
Nesta semana, VEJA destaca carreira errática da cantora irlandesa Sinéad O’Connor, que pode servir de exemplo para uma análise sobre a perenidade do sucesso da música pop.
Atividades
Procure pesquisar previamente sobre a relação entre a música pop e o comportamento da juventude. Note que a rebeldia, a quebra de padrões estabelecidos, a ideia de liberdade e a atitude iconoclasta foram marcas de quase todos os cantores pop, desde Elvis, passando por Beatles, Rolling Stones, Madonna, chegando a Sinéad O’Connor e Lady Gaga.

Selecione músicas ou trechos de músicas de variados estilos e épocas para tocar em aula: do rock dos anos 1950, passando pelos Beatles e Rolling Stones, nos anos 1960, o glitter, o início do heavy metal e do punk, nos anos 1970, o "pop" de Michael Jackson e Madonna, nos anos 1980, o rock progressivo, com elementos da música clássica e seu inverso, a música clássica com elementos do pop; a música "alternativa" de Beck e Nirvana, nos anos 1990, e o retorno ao pop de Lady Gaga no fim da década de 2000.

A letra da música "O papa é pop", do conjunto Engenheiros do Hawaii, pode ser um ponto de partida para refletir sobre as estratégias da cultura pop para solidificar seus conceitos, e também a sua total capacidade de renovação e substituição, muitas vezes quase imediata, de conceitos, estilos, músicas e artistas: famosos num minuto, decadentes e substituíveis em outro, que, de forma curiosa, mantém características muito semelhantes.

A canção "Nothing compares 2U", de Sinéad O’Connor, grande sucesso no início da década de 1990, pode ser também um objeto de análise da forma como a música pop utiliza o apelo para o sentimentalismo para vender. Procure no YouTube pelo clipe legendado.
Para iniciar, pergunte aos seus alunos o que eles compreendem como cultura pop. Questione de que forma eles acreditam que a cultura e a música pop podem influenciar seus hábitos, modo de vestir, falar e se comportar. Observe que neste momento pode haver alguns alunos que se considerem "rebeldes", e questionem o conceito de pop. Se isso ocorrer, pergunte se mesmo a música "rebelde", como o rock clássico, o heavy metal ou o punk não podem ser também analisados com sua vinculação à indústria do entretenimento.

2ª etapa
Após essa introdução, distribua cópias do texto "O pop como cruzada" e peça para que os alunos o leiam. Aponte no texto, em conjunto com os alunos, as características que marcaram a carreira da cantora irlandesa Sinéad O’Connor, que de um grande sucesso na década de 1990, acabou se envolvendo em polêmicas e caiu no ostracismo nas décadas seguintes. Pergunte se algum dos alunos conhecia ou já tinha ouvido falar da cantora. Mostre o videoclipe da canção "Nothing compares 2 U".

Peça que os alunos apontem quais seriam as principais características que fizeram da canção um sucesso. Pergunte se esses elementos podem ser encontrados em outras canções famosas.

Contextualize o aparecimento do rock’n roll, na década de 1950, especialmente com Elvis Presley, como início de uma tendência que, a partir de então, sempre utilizou determinados artistas como ícones para vender produtos a eles associados. Entre esses produtos, temos o cinema, a moda e a indústria da música como os principais difusores de comportamentos e estilos de vida, que por sua vez alimentam a necessidade de consumo destes mesmos produtos. Destaque que mesmo a psicodelia, o movimento hippie, o heavy metal e o punk acabaram por se tornarem produtos da indústria do entretenimento.

Demonstre, com apresentação de trechos de músicas/ clipes, os principais estilos musicais da cultura pop, a partir dos anos 1950: o rockabilly, o rock-pop do início da década de 1960, a rebeldia dos Rolling Stones, a psicodelia de Woodstock e dos hippies, o glitter rock, o heavy metal, o punk dos anos 1970, e o pop dos anos 1980-90.
Ao final da aula, peça que os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, que pesquisem sobre as possíveis influências da música pop estrangeira no estabelecimento de uma música pop nacional. Indique que pesquisem semelhanças entre a beatlemania e a Jovem Guarda, a psicodelia e o tropicalismo, o heavy metal/ rock progressivo e o glitter e o rock brasileiro dos anos 1970, o punk inglês e os punks brasileiros, o pop e a geração 1980 do rock nacional.

3ª etapa
Inicie a aula pedindo aos alunos que apresentem o resultado da pesquisa sobre as relações entre a música pop estrangeira e a música nacional.
Fale aos alunos sobre os nomes da música brasileira que podem ser considerados "pop": Roberto e Erasmo Carlos, nos anos 1960, Raul Seixas, Rita Lee, Os Mutantes, Casa das Máquinas e Secos & Molhados, na década de 1970 (sobre esses últimos, é possível comparar com o glitter rock de David Bowie e Marc Bolan, por exemplo); as bandas do pop nacional da década de 1980, como Legião Urbana, Titãs, Engenheiros do Hawaii, Blitz; e artistas contemporâneos, como Karina Buhr, Pitty.
Questione os alunos sobre as características mais marcantes da música pop em cada época destacada. Anote na lousa as principais características encontradas. Peça também que os alunos demonstrem suas conclusões a respeito das influências estrangeiras na música brasileira: os estilos externos são apenas copiados e adaptados, ou nossos artistas desenvolveram características próprias? Que características podem ser essas? Cantar em português ou inglês? Falar do nosso contexto ou do contexto exterior? Usar a moda de forma brasileira ou sucumbir às tendências estrangeiras?
Para encerrar, execute a canção "O papa é pop", dos Engenheiros do Hawaii, juntamente com a letra. Peça que comentem sobre os trechos que dizem que "todos estão relendo o que nunca foi lido/ revendo o que nunca foi visto", e também "qualquer nota, uma nota preta numa página em branco com fotos coloridas". Peça que analisem especialmente o trecho que afirma que "o pop não poupa ninguém".
Ao final, sugira a produção de um texto dissertativo, sob o seguinte tema: "Música pop: tradição de rebeldia ou alienação?"

Texto de apoio:

O papa é pop (Humberto Gessinger)
Todo mundo tá relendo
O que nunca foi lido
Todo mundo tá comprando
Os mais vendidos
Qualquer nota
Qualquer notícia
Páginas em branco
Fotos coloridas
Qualquer nova
Qualquer notícia
Qualquer coisa
Que se mova
É um alvo
E ninguém tá salvo...
Todo mundo tá revendo
O que nunca foi visto
Tá na cara
Tá na capa da revista
É qualquer nota
Uma nota preta
Páginas em branco
Fotos coloridas
Qualquer rota
A rotatividade
Qualquer coisa
Que se mova
É um alvo
E ninguém tá salvo
Um disparo
Um estouro
O Papa é pop
O Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O Papa levou um tiro
À queima roupa
O pop não poupa ninguém
Uma palavra
Na tua camiseta
O planeta na tua cama
Uma palavra escrita a lápis
Eternidades da semana.

Qualquer nota
Qualquer notícia
Páginas em branco
Fotos coloridas
Qualquer coisa
Quase nova
Qualquer coisa
Que se mova
É um alvo
E ninguém tá salvo
Um disparo, um estouro
O Papa é pop
O Papa é pop
O pop não poupa ninguém
O papa levou um tiro
À queima roupa
O pop não poupa ninguém
Toda catedral é populista
É pop
É macumba pra turista
E afinal, o que é Rock'n'roll
Os óculos do John
Ou o olhar do Paul?

Avaliação
Observe se os alunos compreenderam os conceitos trabalhados em sala: 1. As principais características da cultura pop; 2. Sua popularização através da mídia; 3. As influências da música no comportamento da juventude; 4. Os meios utilizados pela indústria do entretenimento para direcionar o consumo de bens culturais.

Quer saber mais?
Bibliografia:
1001 discos para ouvir antes de morrer
. Robert Dimery (org.). Sextante, 2007.
Disparos do front da cultura pop. Tony Parsons. Editora Barracuda, 2005.
Vocabulário de música pop. Roy Shuker. Editora Hedra, 1999.
As melhores entrevistas da Revista Rolling Stone. Jann S. Wenner e Joe Levy. Editora Larousse, 2008.

Discografia:
O papa é pop. Engenheiros do Hawaii. BMG, 1990.
I do not want what I haven’t got. Sinéad O’Connor. Asylum Records, 1990.


http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/o-pop-e-suas-influencias-culturais