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domingo, 1 de setembro de 2013

Anarquismo, socialismo e "black blocs"

Use as manifestações de junho de 2013 apresentar esses movimentos e sua relação com os "black blocs"

Objetivos
- Compreender o conceito de Anarquismo
- Entender semelhanças e diferenças entre Anarquismo e Socialismo
- Compreender a apropriação das ideias anarquistas na contemporaneidade
Conteúdo
Anarquismo

Anos                                 Ensino Médio

Tempo estimado               4 aulas

Material necessário
- Cópias da reportagem "Os organizadores do caos", publicada no site de Veja
- Cópias da crônica "O anarquista inofensivo", de Carlos Heitor Cony, publicada na Folha de S. Paulo
- Cópias da reportagem "Máscara de V de Vingança vira alvo de pirataria", publicada no site de Veja
- Cópias da reportagem "Conheça a estratégia ‘Black Bloc’, que influencia protestos no Brasil", publicada pelo portal G1
- Projetor de imagens ou televisão para exibir o filme V de Vingança (James McTeigue, 132 min., Warner, 11/4004-2050)
- Computadores com acesso a internet para pesquisas nos dicionários Só História e Priberam
- Dicionários

Leia mais
Karl Marx, o filósofo da revolução
Revolução cubana, 50
O professor pode manifestar sua opinião político-partidária na sala?

Desenvolvimento
1ª etapa
Comece a aula discutindo com a turma sobre o que eles conhecem por anarquia. Peça que eles pesquisem em dicionários o significado da palavra. O dicionário online Priberam a define como:

anarquia s.f.
1. Falta de chefe.
2. [Figurado] Desordem, confusão (motivada por falta de direção).
3. [Política] Sociedade constituída sem governo.

Fonte: Dicionário Priberam


Explique a turma que as próximas aulas trataram do terceiro significado.  Em seguida, distribua cópias da reportagem "Os organizadores do caos", publicada no site de Veja. Leia o texto com a turma e, em seguida, questione-os sobre os usos que fazem no cotidiano sobre a palavra anarquia: quais dos significados mostrados anteriormente eles costumam usar? Conheciam os outros? Quais se aplicam ao contexto da reportagem?

2ª etapa
Retome o significado político de anarquismo ("Sociedade constituída sem governo", de acordo com o dicionário Priberam). Pergunte se os alunos já ouviram falar de algum movimento conhecido como anarquista e se conhecem seu funcionamento. Lembre-os de que a matéria do site de Veja faz referência a manifestantes anarquistas. O que seria, então, esse movimento? O que seus integrantes defendem?

Mostre à turma a definição de anarquista dada pelo dicionário Só História:

Um pouco de teoria: definição de Anarquista

"Nome dado aos adeptos do anarquismo, ou seja, a uma das muitas correntes baseadas no princípio do comunismo. O anarquismo prega uma sociedade igualitária, com a eliminação de todas as formas de poder, como o Estado. De maneira geral, os anarquistas colocam-se contra qualquer hierarquia, defendendo uma sociedade libertária, constituída por iguais. Muitos dicionários associam o termo à desordem, bagunça. Em parte, trata-se de uma classificação ideológica, que acaba refletindo significados pejorativos atribuídos tanto ao comunismo como ao anarquismo, ambos em confronto direto com o Estado liberal. No Brasil, o anarquismo ganhou força em fins do século 19 e início do século 20, com a chegada dos imigrantes europeus - em especial dos italianos. Anarquistas e anarco-sindicalistas foram tendências que marcaram o início do movimento operário. Com grande influencia, as organizações anarquistas estiveram presentes em vários acontecimentos, dentre eles as greves gerais de 1917 e 1918, que paralisaram cidades como São Paulo e Rio de Janeiro."
Fonte: Dicionário Só História

Explique, então, que o movimento surgiu no século 19, num contexto de lutas políticas de contestação ao capitalismo. Conte que o anarquismo não foi o único movimento político com esse objetivo e que, na verdade, os anarquistas se colocaram em constante embate com outro desses movimentos, o socialista, pela conquista dos "corações e mentes" da classe operária europeia. Apresente então a definição de "socialismo" do dicionário online Só História:

Um pouco de teoria: definição de Socialismo

"Conjunto de doutrinas econômicas, políticas e sociais surgidas no século XIX em oposição às desigualdades sociais vigentes na sociedade capitalista. Para os adeptos do socialismo, a causa fundamental das desigualdades entre os indivíduos está na existência da propriedade privada, sobretudo na propriedade privada dos meios de produção e de circulação das riquezas (fábricas, terras, máquinas, bancos, empresas de comércio, etc.) Para corrigir essa situação, os socialistas propunham inicialmente a transformação da propriedade privada dos meios de produção e de circulação das riquezas em propriedade coletiva de toda a sociedade. Entretanto, como conquistar a igualdade social? Para alguns socialistas (chamados de reformistas), essa conquista se daria por meio de reformas que modificassem pouco a pouco o sistema capitalista. Esses socialistas davam particular importância à luta eleitoral, pois achavam que, se conquistassem maioria nos parlamentos, poderiam implementar suas reformas de modo pacífico e ordeiro. Para outra corrente de socialistas, porém, a destruição da sociedade capitalista e a formação de uma sociedade baseada na igualdade entre as pessoas só poderiam ser realizadas por meio de uma revolução armada. Um dos grandes pensadores dessa corrente revolucionária do socialismo foi o alemão Karl Marx (1818 - 1883), que fez a crítica do capitalismo em livros como O capital."
Fonte: Dicionário Só História

Peça que os alunos listem as principais diferenças entre esses dois movimentos. Enfatize a relação com o Estado presente em ambos: enquanto os socialistas buscam conquistar o espaço do Estado para modificar a sociedade, inclusive participando das disputas eleitorais, os anarquistas são totalmente descrentes desse espaço, pregando sua plena destruição.

3ª etapa
Distribua cópias da reportagem "Máscara de 'V de Vingança' vira alvo de pirataria", publicada no site de Veja. Pergunte aos alunos sobre as manifestações ocorridas em junho de 2013: o que acharam? O que ouviram falar? Chegaram a participar de alguma?

Em seguida, apresente dois trechos do filme V de Vingança. No primeiro (entre 1h52min até 1h57min), o protagonista fala sobre como as ideias sobrevivem à repressão violenta. No segundo (no intervalo entre 1h59min e 2h04min), vê-se uma multidão de mascarados, inspirados pelas ideias do protagonista, compactuarem com seus planos de destruição do Parlamento inglês.

A partir dessas cenas, discuta sobre a possibilidade de apropriação das ideias anarquistas atualmente. Para isso, relembre algumas características das recentes manifestações, como a falta de lideranças claramente identificadas e o discurso de rejeição a governos e políticos. Será que alguns dos ideais anarquistas estariam presentes nessas manifestações? Será que essa falta de líderes confirmaria a fala do personagem do filme, de que as ideias são mais importantes que as pessoas? Medie o debate. Lembre também que, por outro lado, muitos cobravam uma participação mais efetiva do Estado em assuntos como Educação e Saúde, o que entraria em choque com a defesa anarquista de destruição do aparato estatal.

4ª etapa
Divida a turma em dois grupos, que deverão refletir sobre a relação entre os grupos "Black Blocs" e o anarquismo. Oriente o primeiro grupo a defender essa estratégia e, para isso, indique a reportagem "Conheça a estratégia ‘Black Bloc’, que influencia protestos no Brasil", publicada pelo portal G1.

O segundo grupo deverá contestar a atuação violenta dos "Black Blocs", mostrando que podem existir outras formas de apropriação das ideias anarquistas na contemporaneidade. Para que iniciem a discussão, distribua cópias da crônica "O anarquista inofensivo" de Carlos Heitor Cony, publicada na Folha de S. Paulo.

Estimule o debate entre os dois lados, buscando uma concepção crítica, mas não preconceituosa sobre o tema.

Avaliação
Peça que, ao final do debate, cada aluno elabore uma lista com os principais pontos levantados por cada grupo e, em seguida, escrevam um texto-síntese sobre o debate, explicitando os conceitos utilizados em aula e se posicionando a favor ou contra os "black blocs". Na leitura do texto, observe a apropriação dos conceitos de Anarquismo e Socialismo e a capacidade dos estudantes de relacioná-las a movimentos contemporâneos.

Wallace Andrioli
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF)


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bioética e a manipulação de células-tronco para produzir alimentos

Use a produção de carne em laboratório para discutir as questões éticas ligadas a esses procedimentos

Objetivos
- Apresentar e discutir com os alunos algumas noções sobre células-tronco
- Mostrar aos alunos questões relativas à bioética e concepções de ciência envolvidas no debate sobre as pesquisas com essas estruturas
- Apresentar e discutir com os alunos alguns aspectos socioeconômicos relacionados a tal pesquisa

Conteúdos
- Relação entre pesquisa científica e questões éticas
- Pesquisa científica, sociedade e economia

Material necessário
Cópias da reportagem Hambúrguer de proveta (Veja, 7 de agosto de 2013, 2334).

Tempo estimado                     Duas aulas

Introdução
Os avanços da biologia contemporânea apresentam uma série de questões para nós. Temos, por um lado, um aumento nas pesquisas com desenvolvimentos de novos campos e novas tecnologias. Por outro, os avanços dessas pesquisas trazem também uma série de questões éticas. Qual o limite dessas investigações? Além disso, os valores pessoais e questões socioeconômicas são determinantes sobre a maneira como os indivíduos entendem essas questões e se posicionam em relação a essas questões. Utilize cópias da reportagem Hambúrguer de proveta (Veja, 7 de agosto de 2013, 2334) para discutir com a turma alguns aspectos sobre esse tema, buscando aproximar essa discussão de alguns elementos específicos presentes em nossa sociedade atual.

Leia mais
Regeneração à vista
Como funcionam os bancos de armazenamento de células-tronco?
Como contextualizar os avanços da genética com o filme "Gattaca"
Desenvolvimento
1ª etapa
Pergunte aos alunos o que eles entendem por células-tronco, expressão comum em diversos meios de comunicação. A partir das informações trazidas por eles, mostre que essas células são presentes em organismos multicelulares, capazes de dar origem a novas células diferentes delas e de se autorrenovarem. Para esta etapa, pode ser interessante a colaboração do professor de Biologia, convidando-o a dar explicações mais detalhadas sobre essas estruturas, bem como a participar do desenvolvimento do debate.

Após apresentar aos alunos o conceito de células-tronco, explique que tem havido um grande avanço nas pesquisas com esses tipos de células nos últimos anos. E, acompanhando esses avanços, surgem também diversas questões ligadas à bioética.



Um pouco de teoria: Bioética

A bioética é um campo multidisciplinar que tem como objeto a investigação das formas de preservação e responsabilidade frente à vida, tanto humana quanto de outras espécies. Esse campo nos aponta a relação íntima entre ética e ciência (ainda que a bioética não se resuma a uma relação entre ciência e filosofia, abrangendo também o direito, a história, as ciências sociais, entre outros campos). Por um lado, todo resultado das pesquisas científicas pode ser objeto de avaliação ética, a despeito da crença de que os resultados da pesquisa científica, simplesmente pela sua ampliação do nosso campo de conhecimento, são justificáveis por si só. Por outro lado, a própria suposição de que o conhecimento científico por si só resulta em um bem para a humanidade (seja pelos seus frutos, seja pela ampliação do conhecimento), já implica um aspecto ético à ciência.
Da conceituação feita acima surge o aspecto ambíguo das pesquisas com células-tronco humanas. Essas pesquisas apresentam potencial de desenvolver tratamentos para diversas doenças, mas também é necessário colocar a questão: até onde pode ir a manipulação da vida para a realização desses estudos? Um ponto a ser considerado aqui são as consequências que tais pesquisas podem trazer, isto é, quais os possíveis resultados negativos dessas pesquisas. Além disso, há a sempre complexa questão de como a vida pode ser compreendida, o que envolve uma série de valores de cada um dos indivíduos (religiosos, por exemplo). As mesmas questões relativas à manipulação dessas células-tronco humanas são estendidas à manipulação de células tronco animais.
Distribua aos alunos cópias da reportagem Hambúrguer de proveta, publicada em Veja, e peça que os alunos escrevam em casa, a partir do que foi apresentado, uma resposta para a questão "Você considera aceitável a produção de carne para alimentação a partir da manipulação de células-tronco animais?"

2ª etapa
Peça que os alunos leiam as respostas para a questão colocada anteriormente. A partir dos textos, destaque várias questões implicadas no assunto de que trata a reportagem, que envolvem muito mais elementos além da validade dos resultados das pesquisas científicas.
Assim, a consideração exclusiva dos procedimentos científicos e avanços das técnicas nele envolvidas levaria talvez à conclusão de que se trata de um meio importante para a produção de novos alimentos. No entanto, é preciso levar em consideração as consequências que tais pesquisas e seus resultados podem trazer. Em primeiro lugar, deve-se ter em vista uma pesquisa detalhada sobre os riscos e consequências que o consumo de alimentos assim produzidos podem ter sobre a saúde humana. Isso exige uma pesquisa de longo prazo, pois algumas das consequências podem surgir apenas após um longo período de uso de alimentos assim produzidos - grande parte das pesquisas realizadas sobre os riscos de tais produtos tratam apenas dos riscos imediatos, riscos de curto prazo. Além, claro, da consideração de quanto tal tratamento dado ao material celular animal pode ser considerado eticamente aceitável. É causado algum sofrimento causado ao animal na extração dessas células-tronco? Há possibilidade da criação de anomalias a partir dessas pesquisas?
Esses aspectos, que podem ser considerados em certa medida fundamentalmente técnicos, estão longe de esgotar a questão. Pelo contrário, entender que apenas eles podem decidir sobre a validade ou não de tais pesquisas e seus resultados é assumir uma postura bem determinada sobre a ciência, que coloca em primeiro plano, ou como exclusivamente determinante, as questões técnicas da ciência.
É preciso considerar também nesse caso uma série de aspectos socioeconômicos ligados a essas pesquisas. Afirmar a necessidade da produção in vitro de tecido animal para a produção de alimentos como forma de contornar uma possível escassez de alimentos é acreditar que somente essa técnica é passível de sanar tal problema de abastecimento. De fato, dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, sigla em inglês) mostram que a quantidade de alimentos produzida no mundo hoje é suficiente para alimentar toda a população, sendo o principal problema o acesso às condições de aquisição desses produtos. Por outro lado, uma pesquisa científica desse porte tem custos elevados, e obtém como resultado uma propriedade intelectual, uma patente. A aquisição dessas patentes tem custo elevado, compensado pelo aumento de lucro que a maior eficiência de produção advindo desses avanços científicos traz, mas relega a um segundo plano os pequenos produtores que, incapazes de adquirir essas patentes, perdem espaço no mercado ao perderem a concorrência para os grandes produtores. Outra consequência possível de tal expansão é o desaparecimento de culturas específicas de determinada região ou comunidade, diante da perda de espaço no mercado frente ao produto mais barato oferecido pelo grande produtor. Em contraposição a essa perspectiva eminentemente técnica sobre a produção de alimentos, desenvolve-se hoje em dia uma série de pesquisas sobre agroecologia, uma disciplina que procura incorporar outros fatores ao considerar a produção de alimentos, como as relações sociais de produção, sustentabilidade, produção para autoconsumo, entre outros, além dos elementos da técnica científica.

Avaliação
Peça que os alunos listem cinco pontos essenciais a considerar no debate sobre a produção de alimentos em laboratório, justificando sua escolha. A avaliação deve ser feita com base nessa redação, considerando-se a apropriação dos debates feitos em sala e a criação de novos argumentos. Também leve em conta a participação dos alunos nos debates em sala de aula. Considere se eles entenderam e expuseram a relação entre ética e manipulação de células-tronco, bem como a diferença entre uma perspectiva que considera a ciência apenas a partir de seus resultados e técnicas e outra que a considere como intimamente vinculada a questões éticas e socioeconômicas.

Quer saber mais?

LACEY, Hugh. "Há alternativas ao uso dos transgênicos?". In: Revista Novos Estudos Cebrap, 78. Julho/2007. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/nec/n78/05>
LACEY, Hugh. A controvérsia sobre os transgênicos: questões científicas e éticas. São Paulo: Idéias e Letras, 2006.

Igor Silva Alves
Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP)


Jogadores de futebol e sua influência na construção da identidade juvenil

Utilize os ídolos da turma para refletir o impacto desses personagens na criação da identidade

Objetivos
- Compreender de que maneiras os jovens se relacionam em uma sociedade de consumo e a produção de cultura
- Estabelecer uma reflexão crítica sobre a apropriação de elementos para consumo de massa na produção da identidade juvenil

Conteúdos
- Construção de identidade
- Consumo e consumismo

Anos                           Ensino Médio

Tempo estimado        Duas aulas

Material necessário
- Cópias da reportagem "Nas roupas, todos são fenômenos" (Veja, 14 de agosto de 2013,2334)
- Projetor de vídeo e computador conectado à internet para exibição do curta-metragem A alma do Negócio (José Roberto Torero, 8 min, disponível aqui)

Leia mais
A moda que revela as mudanças sociais
Como derrubar a ditadura da moda
Hábitos de consumo: o corpo como objeto de design

Desenvolvimento
1ª etapa
Introduza os principais conceitos que envolvem as temáticas da aula: sociedade de consumo e construção de identidade. Inicie a aula propondo aos alunos uma discussão do hábito de consumir que temos em nosso dia a dia. Para ilustrar o conceito, colete e exiba imagens que abordem diferentes aspectos do consumismo em diversas sociedades e setores do mercado (alimentação, produtos eletrônicos e roupas, por exemplo). O objetivo dessa atividade é demonstrar como o consumismo é um fenômeno social presente no cotidiano de diferentes grupos sociais. Explique o conceito (consumismo é o consumo de bens supérfluos que os indivíduos assumem como determinantes para a própria sobrevivência).
Explique também que esse fenômeno social está ligado à influência dos meios de comunicação sobre o nosso dia a dia, por meio de anúncios e propagandas que buscam instigar o desejo de consumir.
Em seguida, passe o vídeo A alma do Negócio (José Roberto Torero, 8 min, disponível em http://portacurtas.org.br/filme/?name=a_alma_do_negocio).
Discuta com a turma o vídeo. Apresente questões como: qual a relação do vídeo com o cotidiano deles? De qual linguagem o vídeo se apropria? O filme é um bom exemplo de como propagandas e anúncios buscam estimular-nos a consumir diferentes produtos, usando uma linguagem que os faça parecer indispensáveis aos consumidores.

2ª etapa
Distribua à classe cópias da reportagem "Nas roupas, todos são fenômenos", publicada em Veja. Pergunte à turma se eles concordam que os jogadores de futebol são seguidos como modelo. Questione se algum dos alunos se espelha em um dos jogadores citados na reportagem e o porquê. Também peça que eles discutam o conceito de fashionismo, apresentado na reportagem.
Fashionismo é um termo que tem origem a língua inglesa. Vem da palavra fashion e significa moda em português. O termo, portanto, sintetiza padrões e costumes que, no caso dos jogadores de futebol do artigo, estão diretamente ligados ao vestuário. Incitam o consumo de bens supérfluos e que são dispensáveis à sobrevivência.
Neste momento, apresente à turma o conceito de identidade do Stuart Hall. Para ele a identidade é formada ao longo do tempo através de processos inconsistentes e não é algo inato, ou seja, depende da formação social de cada indivíduo. Por isso, ela está sempre em processo e é inacabada: não há uma ordem estável, mas uma dinâmica constante de interiorização de comportamentos.
Retome o exemplo do fashionismo presente na matéria de Veja para exemplificar o conceito de identidade de Hall. Peça que eles levantem hipóteses de como os conceitos estudados (consumismo, fashionismo e identidade) se relacionam com a reportagem de Veja. Nesse caso, o consumismo se trata do estímulo à compra de produtos que os jogadores de futebol utilizam. Ao usar peças de roupas parecidas às utilizadas pelos jogadores, portanto, o indivíduo busca uma aproximação com seu modelo.
Peça que eles levantem exemplos desses conceitos em seu próprio cotidiano. Nos últimos anos, meses, dias, quantas peças de vestuário consumiram? Julgam serem peças necessárias ou supérfluas? Por quê? Compraram tais peças por causa de uma celebridade, jogador de futebol, algum famoso que viu anunciar ou usar o produto?

Avaliação
Divida a sala em duplas ou pequenos grupos para que respondam às questões :
- O que é fashionismo?
- Os jogadores de futebol influenciam na maneira como você ou algum amigo seu se veste?
- Por que algumas celebridades tem o poder de influenciar nas decisões de compras de algumas pessoas?
Peça que eles discutam as questões em grupo e registrem suas conclusões individualmente. Ao avaliar as respostas, considerem a apropriação dos conceitos trabalhados e a postura critica com relação ao consumismo.



Rodrigo Saraiva Cheida
Mestre e doutorando do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)


Para que servem as leis?


Debata com a turma a necessidade e a origem das leis, como instrumento para regular a vida em sociedade

Objetivos
- Apresentar e discutir com os alunos algumas noções sobre as leis e seus papéis na sociedade
- Mostrar aos alunos a complexidade da questão, considerando como as concepções sobre as leis são alteradas ao longo da história e singularizadas por diferentes experiências culturais
- Discutir com os alunos alguns aspectos específicos de nossa sociedade

Conteúdos
- Lei e sociedade
- Lei e moral

Material necessário
Cópias da reportagem "Com as mãos no ouro" (Veja, 2333, 7 de agosto de 2013)

Tempo estimado                       Duas aulas

Introdução
O papel das leis é tema central das investigações sobre filosofia política. É importante entender tanto as diferentes concepções e justificativas da existência da legislação como sua complexa relação com a moral, informações reveladoras dos valores de determinado grupo social. Utilize a reportagem "É pior ainda" (Veja, 7 de agosto de 2013), que trata do aumento no número de mortes no trânsito, para discutir com a turma alguns aspectos sobre a formação das leis, buscando aproximar a discussão teórica de fatos recentes em nossa sociedade atual.

Leia mais
Como são feitas as leis?
Até que ponto as leis mudam a realidade?
Juca Gil comenta a formação das leis

Desenvolvimento
1ª etapa
Distribua cópias da reportagem de Veja para os alunos e determine um tempo para que a turma a leia. Em seguida, discuta o texto, perguntando o que compreenderam e, principalmente, como eles observaram a relação entre estabelecimento de leis e seu cumprimento.
Mostre que a legislação tem a função fundamental de regular as relações entre os indivíduos dentro da sociedade, definição dada em Aristóteles (384-322 a.C.). Para o autor, a finalidade da vida em sociedade é a eudaimonia, a felicidade, máxima realização daquilo que é o homem. Só é possível atingir esse fim vivendo em sociedade, na cidade (pólis), ou seja, na relação com o outro. Essa finalidade se aplica tanto ao indivíduo quanto à própria pólis. Dentro da sociedade há mecanismos, como as leis, para assegurar a boa relação entre as pessoas.
O objetivo do legislador ao elaborar as normas é incentivar ações que tornem virtuosos aqueles que as praticam. Assim, elas reforçariam aquilo que a moralidade, aparentemente, seria insuficiente para estabelecer nos homens. Coagindo os indivíduos a agirem de acordo com o que é moralmente bom, as leis teriam o papel de formar a virtude no homem em sociedade -- mesmo que isso seja possível sem elas, já que ela se baseia em decisões pessoas e racionais.
Por outro lado, a própria formulação da lei pressupõe sua transgressão. Isso quer dizer que a formulação de uma regra já assume a possibilidade de ela não ser cumprida, já que não faria sentido criar uma lei proibindo algo que jamais ocorreria. Também, o estabelecimento de normas assume a existência de um poder de coação para que sejam cumpridas, ou seja, não se espera adesão voluntária e irrestrita de todos os indivíduos.
Deixe claro para os alunos que essas formulações de Aristóteles não esgotam a questão. Mais do que isso, são apenas indicações de uma referência fundamental em relação a um problema muito amplo. Ao longo da história, o significado da lei e sua relação com a moral sofrerá alterações.
Uma visão muito diferente se vê no contratualismo moderno. O filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), por exemplo, acredita que antes da constituição da sociedade civil com suas leis, o homem vivia em um estado de natureza violento. Nessa situação, sem regras para controlar suas ações e orientado exclusivamente pelos interesses individuais, ele colocava em risco sua própria vida e a de seus iguais. Diante dessa situação, estabeleceu-se um contrato por meio do qual se forma a sociedade. O objetivo desse pacto seria controlar as ações dos indivíduos, impedindo que colocassem em risco suas vidas.
Depois da exposição, peça aos alunos que releiam em casa o texto da reportagem, agora tendo em vista o que foi discutido em sala de aula, e que escrevam uma curta e objetiva dissertação respondendo à pergunta: "O que pode levar uma pessoa à desobediência de leis?"

2ª etapa
Comece pedindo aos alunos que leiam as respostas escritas por eles para a questão colocada na aula anterior. Explique que a natureza do tema não permite uma resposta direta e única e que a discussão aberta dessas questões leva a sociedade a se constituir de forma viva.
Destaque que a reportagem relata uma situação complexa, em que a prática dos indivíduos tem regularmente colocado em risco suas vidas e as vidas de outros. Entretanto, encontramos aí o reflexo de uma sociedade violenta. Os próprios números sobre assassinatos comparados com os números de vítimas fatais no trânsito brasileiro mostram que a desobediência e a violência não são exclusividade do trânsito. Ainda assim, vê-se uma clara contraposição entre as normas e as decisões individuais, que levam ao desrespeito dos direitos dos outros. Discuta com a turma se o endurecimento de leis levaria a um melhor cumprimento delas. Estimule o debate perguntando problemas e vantagens envolvidos nessa situação.
Por fim, chame a atenção dos alunos para outro aspecto importante envolvido nesse tema. O apelo ao endurecimento de leis pode significar, por outro lado, uma restrição de direitos individuais. Isso não significa defender o direito ao descumprimento da lei, mas que ela deve ser formulada de maneira a não restringir direitos de quem não a descumpriria. Relembre-os também da possibilidade de existirem leis injustas e que, nesses casos, o descumprimento é um ato político, como nos movimentos de direitos civis americanos nos anos 60.
O tema em sua complexidade pode apontar para uma diversidade de perspectivas. O importante é convidar o aluno a considerar essas várias perspectivas e com isso assumir a necessidade do debate sobre essas questões.
Peça aos alunos que elaborem uma dissertação sobre o tema "A necessidade de leis para regular as relações entre os indivíduos em sociedade", na qual eles discutam os conteúdos trabalhados em sala de aula e seus próprios pontos de vista.

Avaliação
A avaliação deve ser feita pela consideração da participação dos alunos nos debates em sala de aula, e pela análise dos textos por eles elaborados. Nessa análise, considere como eles entenderam a relação entre lei e virtude e a complexidade da relação aí existente, bem como o papel das leis como reguladora das relações entre os indivíduos em sociedade.

Igor Silva Alves
Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP)