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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Discuta a importância da liberdade de expressão para a democracia

Objetivo(s)
- Discutir com os alunos algumas questões relativas à democracia
- Compreender a relação entre democracia e liberdade de expressão
- Relacionar a liberdade de expressão com a liberdade de imprensa

Conteúdo(s)
- Conceito de democracia
- Democracia e conflito
- Liberdade de expressão

Ano(s)

Tempo estimado                                             Duas aulas


Material necessário
Cópias da entrevista com "Contra dois inimigos" (Veja, 2327, 26 de junho de 2013)

Reportagem de VEJA:

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
Os recentes acontecimentos no Brasil trazem ainda mais à tona questões relativas à democracia. É um aspecto fundamental dela que diversos grupos saiam às ruas reclamando direitos. O objetivo desta proposta é tornar mais claro para os alunos alguns aspectos fundamentais sobre a esse conceito, considerando a maneira como ele se relaciona à noção de conflito. Somente com a diversidade, com o embate de pontos de vistas, opiniões e ideias distintas, a democracia pode de fato se constituir. Para tanto, é fundamental o direito de livre expressão das ideias, bem como o livre acesso à informação. Utilize a entrevista "Contra dois inimigos sombrios" com o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, publicada em Veja, para discutir com os alunos esses assuntos.
Pergunte à turma o que eles entendem por democracia. Veja se eles concordam com a ideia de que ela se trata de uma grande harmonia na sociedade. Essa colocação é vaga, para que os alunos tenham chance de colocar suas impressões sobre o assunto. A partir das respostas da turma, explique que o ideal da democracia tem origem na Grécia Antiga, mas que desde seu surgimento até nossos dias, sofreu grandes mudanças em sua significação e na maneira como é posto em prática . A visão que se tem hoje sobre esse conceito, de um valor estendido a todos os cidadãos, só consolidou-se no Iluminismo. Se antes, todos eram considerados iguais porque foram criados por Deus do mesmo modo, a partir desse período passaram a ser considerados iguais por serem igualmente racionais. É isso que está por trás da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, redigida na França em 1789. No seu artigo 11, ela afirma que "A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei". Esse texto serviu de base para a Declaração Universal dos Direitos do Homem, adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em dezembro de 1948.
A democracia como valor só pode existir quando há a garantia da liberdade de expressão e das opiniões dos indivíduos. Chame a atenção da turma para o fato de que, havendo espaço para opiniões divergentes, ela não pode ser considerada um acontecimento harmonioso. Pelo contrário: para o seu exercício pleno, é preciso que haja embate entre diferentes pontos de vista.
Revela-se, então, um aspecto já presente desde os gregos: é preciso saber ouvir as demais opiniões, ponderá-las, expor as suas próprias, e com isso buscar-se um consenso, que seja fruto desse embate fundamental entre diversas opiniões. Assim, para o ideal de nossas sociedades, não há democracia onde não se tem assegurada a liberdade de expressão.
Distribua aos alunos uma cópia da entrevista com o Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, e peça que eles leiam o texto em casa, refletindo sobre ele a partir do que foi exposto em sala de aula.

2ª etapa
Esclareça as dúvidas tenham surgido com a leitura do texto. Peça que eles reflitam sobre a relação entre lei e liberdade de expressão. Dê algum tempo e peça que compartilhem suas opiniões com a turma.
Explique que, apesar de definirmos liberdade como a ausência de coação, isso não significa falta de relação com as normas. As leis têm como obrigação assegurar as liberdades individuais. Para ilustrar isso, mostre os seguintes incisos do quinto artigo da Constituição Federal:

Artigo 5° da Constituição Federal
4 - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato
9 - é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença
10 - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação
41 - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais

Esses trechos asseguram a livre expressão a todo cidadão, a ilegalidade de qualquer forma de censura, e determinam que violações a esses princípios serão punidas pela lei. Explique que, apesar disso, eles colocam contrapartidas a essa liberdade: é preciso que os indivíduos sejam responsáveis por aquilo que expressam.
Ressalte que a Liberdade de Imprensa se encaixa nesses princípios. A diversidade de opiniões dentro de uma democracia exige tanto um livre acesso a informações (para que esses pontos de vista diferentes se formem), como também a possibilidade dessas diversas opiniões serem comunicadas às demais pessoas sem que haja nenhum tipo de censura.
Embora o termo liberdade de imprensa tivesse antes o sentido restrito de liberdade aos meios de informação impressa, hoje ele se estende a todos os meios de comunicação e informação. Assim, enquanto a liberdade de expressão se refere a todas as formas como os indivíduos se expressam -- incluindo, por exemplo, as artes --, a liberdade de imprensa é um caso específico dos veículos jornalísticas. Ambas precisam ser garantidas em um regime democrático e o controle das informações por parte do governo é indício de um Estado ditatorial, no qual os direitos individuais são limitados.
É importante expor que a possível regulação dos meios de comunicação implica não na censura, mas na exigência de responsabilidade pelas informações que são veiculadas.
Peça aos alunos que elaborem em casa um texto opinativo com o tema "Liberdade de opinião, liberdade de informação e democracia", incluindo nisso seus pontos de vista e estabelecendo relações com o conteúdo lido e estudado.

Avaliação
A avaliação deve ser feita pela consideração da participação dos alunos nos debates em sala de aula e pela análise do texto elaborado. Procure observar, durante a leitura, se eles entenderam a noção de democracia como valor e o conflito que ela carrega por conta da oposição entre pontos de vista. Também cheque se eles compreenderam a necessidade de livre acesso à informação para que se formem diferentes opiniões e a eficiência na elaboração de seus argumentos.



E-mail como exploração dos recursos linguísticos na internet


Objetivo(s)
Analisar as características da escrita e da linguagem na internet

Conteúdo(s)
Linguagem utilizada na internet

Ano(s)

Material necessário
Reportagem da Veja:
Cópias da reportagem "A Conselheira do Desapego" (VEJA 2389, 3 de setembro de 2014), disponível no Acervo Digital a partir de 05/09/2014.
Cópias da reportagem Aki a gente tah em ksa!
Dicionário Comum
Dicionário de Linguística
Gramática da Língua Portuguesa

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução

Pode interromper o primeiro download se você nunca recebeu um e-mail com frases repletas de abreviações e neologismos do tipo flw, blz, naum, bj, hj e [ ]s. O que será que aconteceu com a linguagem dos jovens? Eles estão escrevendo errado - se obedecermos ao pé das letras às regra gramaticais - ou a pressa e a criatividade exigidas em comunicadores instantâneos, chats, blogs, fotologs e uma infinidade de outros espaços virtuais transformam os internautas em artífices das palavras? De acordo com a reportagem de VEJA ESPECIAL, aqueles que navegam pela rede mundial de computadores vem adaptando e tornando cada vez mais ágeis e divertidos os códigos on-line. Os puristas da língua, portanto, podem respirar aliviados: o bloguês está longe de ser errado. A reportagem  "A Conselheira do Desapego" apresenta como alguns blogs e microblogs têm se destacado não só no mundo online, como vem ganhando publicações em papel, inspirados pelo conteúdo postado diariamente na internet. Já os textos de "Aki a gente tah em ksa!" e "É possível calcular quantas palavras surgem por dia na língua portuguesa?" desafiam os estudantes a analisarem esse universo linguístico que eles mesmos criaram.

Reserve um horário no laboratório de Informática. Organize os alunos em grupos e proponha que visitem vários blogs. Revise os principais conceitos relacionados aos diários virtuais (a aula indicada no final deste roteiro pode servir de subsídio).

2ª etapa

Oriente a leitura da reportagem e destaque a interação criada pela internet entre os personagens retratados. Ajude os adolescentes a perceber como numa sociedade cada vez mais fechada não há mais tempo para falar, discutir, ouvir e partilhar. O blog, portanto, funciona como um veículo para se mostrar, pensar, rir, chorar - e ouvir o outro por meio do feedback. Ressalte essa relação e encaminhe uma segunda rodada de navegação pelos diários on-line.
Encarregue os adolescentes de enumerar as principais características dos endereços visitados e ajude-os a notar que eles acabaram fazendo uma pesquisa qualitativa. Revele que o principal objetivo dessa atividade é apontar os campos semânticos dos posts e analisar o discurso empregado pelos autores das narrativas. Caso julgue pertinente, inclua na discussão algumas questões de lexicologia - tema que geralmente passa ao largo dos conteúdos programáticos durante as reflexões linguísticas.

3ª etapa

Sugira que cada equipe se atenha aos textos dos blogs. Discuta o papel interativo da ferramenta e a necessidade desse tipo de manifestação humana. Peça, em seguida, que os jovens investiguem o blogging como forma de comunicação pessoal e veículo divulgador de interesses específicos. Conte como levantar hipóteses sobre o corpus linguístico examinado. Quais são as intenções das linguagens verbal e não verbal nesses endereços? Explore a diversidade dos conteúdos e evidencie as temáticas mais presentes. Algumas delas são mostradas nos desenhos que ilustram este plano de aula. Ensine que um blog trata, principalmente, de:

·               modelagem política e social;
·               uso como diário de vida pessoal;
·               conteúdo reafirmador da existência;
·               apresentação de pontos de vista sobre o mundo e as coisas;
·               interesse em criar comunidades;
·               realizar catarse; e
·               fazer uso literário ou poético.

Fale também sobre a especificidade da audiência, ou seja, os leitores que frequentam os blogs constantemente e ali deixam comentários. Lembre que tais textos reforçam a intencionalidade original de estabelecer comunicação.

4ª etapa

Dê a cada grupo a incumbência de levantar um conjunto linguístico capaz de revelar, pelas relações de sentido presentes nos textos verbais e visuais dos blogs, o campo semântico em que elas atuam. Analise a forma (morfológico-lexical), o sentido (semântico) e a distribuição (interface léxico-sintática) dos textos. Ensine que entre as formas encontradas no discurso em cada categoria de blog e a nomenclatura empregada pelos internautas há um abismo tão significativo que até o dicionário se torna um objeto decepcionante.

Avaliação

Explore o Pequeno Dicionário de Bloguês, incluído no final da reportagem de Aki a gente tah em ksa!, e pergunte que outros verbetes a classe acrescentaria. Diga o que são redes semânticas e estimule os alunos a criarem uma. Peça que cada grupo componha e explique os subconjuntos vocabulares trabalhados. Faça com que todos percebam a frequência de uso de certas estruturas e incentive a descoberta da intencionalidade de cada texto nos diários virtuais. Se achar pertinente, instigue reflexões linguísticas sobre questões de lexicologia. Conte que o léxico de uma língua é potencialmente infinito e não se restringe ao estudo dos vocábulos atestados. Ele inclui os "atestáveis". Lance mão dos dicionários e da gramática e esclareça as eventuais dúvidas relacionadas a esses termos. Ressalte os discursos em bloguês e leve os estudantes a examinar a construção interna (forma) das palavras (unidades de uso) desse pretenso idioma. Peça que todos verifiquem o processo de formação das palavras e examinem atentamente o aspecto complementar da morfologia. Os vocábulos analisados mantêm indicadores de tempo, pessoa, modo, gênero, conjugação etc.? Há alguma tendência à preservação exclusiva do lexema, com perda dos morfemas gramaticais flexionais e derivacionais?

Há uma certa regularidade nos procedimentos de alteração dos vocábulos? Discuta se é possível definir o sentido lexical do bloguês, essa espécie de nova versão da língua portuguesa. Lance outras questões. Pergunte como podemos desenvolver a representação física dos novos termos. É possível estruturar o léxico e a função das relações semânticas desse código recém-criado? A nova estrutura linguística obedece a regras mais ou menos fixas? Será que ela atende ao princípio de uma economia de tempo, movimentos e digitação? Ou as alterações no plano da escrita são motivadas pelos mesmos critérios que tornam a fala e a redação elementos separados? Há empréstimo linguístico no bloguês? Em caso positivo, ele é predominantemente ligado a qual idioma? Convide o professor de Língua Estrangeira a falar sobre os empréstimos da língua de Shakespeare com a popularização do uso do computador. No caso específico dos blogs, é possível compor um vocabulário próprio para manejar o recurso? Revele os cruzamentos e as transplantações culturais escondidos em adoções de termos como blog, blogueiro, bloghost, blogosfera, blogroll, fotolog, moblog, blortal, videoblog etc. Por fim, sugira mais uma reflexão: escrever é resultado de vocabulário amplo ou é necessário dominar estruturas, discernir e estabelecer relações lógicas? Como podemos situar um blog nesse contexto?



http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/e-mail-como-exploracao-dos-recursos-linguisticos-na-internet

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Tecnologia ajuda ou atrapalha?

Até que ponto as redes sociais e a internet potencializam o aprendizado? Leve o debate para a sua turma com a proposta para produção de texto sobre os benefícios da tecnologia para os estudos


Discuta com seus alunos o papel da tecnologia nos estudos. Em muitos casos, ajudam a estudar em grupo e a tirar dúvidas de forma mais instantânea. Em outros, são principal motivo de distração e perda de foco. Até que ponto as redes sociais e a internet potencializam o aprendizado?
Utilize a apresentação abaixo como ferramenta em sala de aula.


1ª etapa

Leia com seus alunos a reportagem “A turma está a um clique”, da revista VEJA, de 13 de agosto de 2014. Em seguida, peça para apontarem as evidências apresentadas no texto que mostrem o panorama do uso das ferramentas virtuais para os estudos, justificando com trechos do texto. Eles devem ressaltar os seguintes tópicos:
O crescente uso das redes sociais e mensagens virtuais, em detrimento das reuniões de estudo presenciais: “73% dos universitários brasileiros usam a rede social e 58% utilizam serviços de mensagem de texto para estudar. Só 5,6% persistem na presença física dos colegas”.
Em paralelo, a oferta cada vez maior de cursos online: “Um dos mais destacados indicadores do fenômeno é a multiplicação dos cursos online gratuitos de universidades de primeiríssima linha, que vêm estimulando a formação de classes globais com alunos na casa das centenas de milhares”.
O aumento do número de sites e aplicativos para facilitar o aprendizado pelo virtual: “No Brasil, o Passei Direto (...), fundado há dois anos no Rio de Janeiro, arrebanhou 1 milhão de usuários no primeiro ano e hoje congrega 2 milhões” e “O precursor foi o Ebah, criado em 2006 (...). Hoje a plataforma tem 3 milhões de usuários e está presente ainda em Portugal, Angola e Moçambique”.
Pesquisa internacional aponta que o uso do computador tem relação com o resultado na escola: “Uma pesquisa realizada com estudantes de 41 nacionalidades pela OCDE (...) mostrou que os mais bem-sucedidos no colégio são os que têm o hábito de usar o computador em casa; fazendo isso, eles passaram a dedicar 30% mais tempo aos estudos”.

2ª etapa

Após a identificação dos dados sobre o tema, verifique com seus alunos se o que está dito na reportagem tem relação com o dia a dia deles. Questione se fazem uso das redes sociais e de sites especializados - como os citados no texto - para estudar. Quais ferramentas são mais utilizadas? Qual a frequência de uso? Todos utilizam? Alguém gosta mais de reuniões presenciais? Quais os motivos para as respectivas preferências? Anote no quadro as respostas, como uma síntese do debate.
3ª etapa
Em seguida, siga na mesma linha metodológica da primeira etapa e peça para os alunos identificarem no texto os trechos que apresentam os prós e os contras do uso da internet para estudo em grupo. Eles devem destacar os seguintes pontos:

Aspectos positivos

“A interatividade virtual veio facilitar o exercício da atividade intelectual, estimulando habilidades altamente valorizadas em nosso tempo”
“Dialogando com desconhecidos e destrinchando uma montanha de informações, o estudante desenvolve a capacidade de produção em equipe, de liderança e de autonomia”
“no horário que quiserem, estejam onde estiverem, e ainda por cima com um vastíssimo material à disposição”
“Transferir o estudo para o ambiente virtual é uma espécie de socialização do aprendizado”
“posso comparar métodos e explicações diferentes e chegar rapidamente a conclusões que, sozinho, levaria muito mais tempo para alcançar”

Aspectos negativos

“Requer, porém, um grande esforço de concentração para não se desviar do objetivo e tornar a coisa pura perda de tempo: quem se deixa levar pela tentação de passar uma mensagem ou postar uma selfie no meio da labuta vai perceber que, no fim, aprendeu muito pouco”
4ª etapa
Feito o mapeamento dos pontos argumentativos da questão, pergunte a seus alunos se, em suas experiências, concordam com o que foi posto. Incentive o debate crítico. Há outros pontos positivos do uso das tecnologias online para estudar? E negativos? É consenso na turma? Quem discorda? Por quê? Da mesma forma, faça uma lista no quadro com os principais argumentos levantados.

Resumindo
Leitura do texto
Identificação dos principais pontos factuais do tema
Debate sobre a realidade dos alunos
Identificação dos eixos argumentativos do texto
Debate argumentativo com a problematização sobre os possíveis benefícios do uso das tecnologias virtuais para estudar

Avaliação
Peça a seus alunos para escrever um texto argumentativo, que responda à pergunta: "O uso de tecnologias virtuais ajuda ou atrapalha os estudos?".
Oriente os alunos para utilizarem os dados apresentados no texto e os argumentos levantados pela classe. Além disso, incentive o uso de outras informações novas. Verifique se a articulação entre todos os dados está coesa e se o texto tem uma linha argumentativa coerente.


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/tecnologia-ajuda-ou-atrapalha-795729.shtml

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Olimpíadas de 2016: um legado para o Brasil?

Revisite com seus alunos os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012). Reflitam sobre seus legados e proponha uma argumentação sobre o que as Olimpíadas de 2016 poderão trazer de positivo e negativo.

1ª etapa

A partir da leitura da entrevista de VEJA com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, "A bola agora está com ele", inicie a aula trazendo um panorama histórico dos Jogos Olímpicos no mundo. Utilize como base as etapas 1 e 2 do plano de aula Relações entre política e Olimpíadas. Leve os alunos a refletirem sobre a simbologia que um evento internacional desse porte representou desde a Grécia Antiga à contemporaneidade.


2ª etapa
As Olimpíadas e suas implicações

Em seguida, traga questionamentos sobre suas implicações culturais, políticas, sociais e estruturais:
·      O que os Jogos Olímpicos significam? Sempre tiveram os mesmos simbolismos?
·      Como esse evento foi utilizado como espaço de protesto e reivindicação em sua história?
·      Qual a importância das Olimpíadas para o esporte nacional e no mundo?
·      E para as trocas culturais entre as diversas nações? De que forma acontecem?
·      Qual a herança em desenvolvimento urbano para as cidades-sede da Copa?
Auxilie os alunos a apontar exemplos na história. Se for possível, peça que procurem na internet e levem para debater com a classe o que encontraram. Anote no quadro os principais pontos levantados pela turma.


3ª etapa
Legado na história
Após essa primeira discussão, explique aos alunos que todo evento desse porte precisa ser preparado com antecedência e deve ser planejado de forma a deixar um legado para a cidade que o recebe. Nesse momento, utilize a apresentação de slides abaixo para explicar os principais legados dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012).


4ª etapa
A gentrificação
A partir da leitura do artigo "O Legado Olímpico no Leste de Londres: Desapropriação e Gentrificação", do site Rio on Watch, explique para seus alunos o conceito de "gentrificação". De acordo com artigo na Wikipédia, baseado em diversas referências bibliográficas,
"Chama-se gentrificação, uma tradução literal do inglês "gentrification", que não consta nos dicionários de português, o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada. O termo gentrification - deriva de "gentry", que que por sua vez deriva do Francês arcaico "genterise" que significa "de origem gentil, nobre" -, entende-se também a reestruturação de espaços urbanos residenciais e de comércio independentes com novos empreendimentos prediais e de grande comércio, ou seja, causando a substituição de pequenas lojas e antigas residências."

5ª etapa
Comparando as cidades-sede
Em seguida, com base nessa discussão e na leitura dos artigos "Olimpíadas: o legado de Barcelona, a experiência de Londres e as perspectivas para o Rio de Janeiro", do Urban Systems, e "Sidney e Beijing: lições para o Rio Olímpico?", do Observatório das Metrópoles. Peça aos alunos para apontarem os argumentos de cada um dos artigos que mostram o legado para os países e o que poderia ser aprendido com essa experiência para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Eles devem destacar os seguintes trechos:

Olimpíadas: o legado de Barcelona, a experiência de Londres e as perspectivas para o Rio de Janeiro

Barcelona sabe lidar com mudanças urbanas. A cidade tem origens que datam do século 15 a.C. e nunca parou de crescer e de se reinventar. Mas mudanças realmente notáveis aconteceram por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992.
Um exemplo: a cidade litorânea finalmente passou a permitir que moradores e turistas desfrutassem de suas praias. A construção da vila olímpica e de um novo porto deram início à recuperação da costa, antes degradada. Além disso, houve a revitalização dos bairros baseada em novas áreas de centralidade, foram construídos novos eixos viários que desafogaram o trânsito, o aeroporto de Barcelona cresceu e se modernizou, novos hotéis chegaram e a cidade entrou no mapa turístico mundial.
Londres, sede das Olimpíadas de 2012, também aproveitou a ocasião para regenerar de forma social, ambiental e física de uma de suas últimas reservas de terrenos: uma área industrial abandonada e degradada no distrito de Stratford, região leste da capital.
A transformação começou com a descontaminação dos terrenos, a maior operação desse tipo já realizada no Reino Unido. Quatro anos de trabalho e R$ 230 milhões foram investidos na limpeza de 2 milhões de toneladas de solo contaminado por resíduos tóxicos.
Houve ainda cuidado com a reutilização da infraestrutura esportiva - há arenas que podem ser totalmente transportadas para outras cidades - , a construção de uma nova estação de trens e metrô que facilitou a mobilidade da comunidade.
Essas cidades mostram que é possível deter o crescimento físico desordenado das cidades sem interferir no crescimento urbano. Ensinam que é possível sim intensificar o desenvolvimento sustentável e equilibrado das centralidades urbanas, requalificando estes espaços com vocações híbridas focadas em manter uma qualidade de vida favorecida por uma menor mobilidade urbana.

Sidney e Beijing: lições para o Rio Olímpico?

Sydney e Beijing expressam em seus planos diretores sua preocupação com a expansão urbana desordenada: Sydney, com ocupação residencial de baixa densidade, sendo a tipologia predominante os lotes unifamiliares; e Beijing, apesar de densidades mais altas nas áreas periféricas, a configuração ocorre de forma fragmentada com usos conflitantes (industrial, residencial, agrícola convivendo lado a lado).
Apesar disso, o principal processo de mudança ocorrido no período que antecedeu os JO para as duas cidades-sede foi a conquista de mais autonomia em relação aos níveis governamentais superiores.
De acordo com Yumi Yamawaka, em Sydney e em Beijing os JO impactaram na atração de investimentos à cidade, na atração de turistas e novos residentes - e na consequente expulsão de outros, principalmente imigrantes. Conforme Poynter (2008), os JO beneficiam apenas algumas parcelas da população e a forma como são planejadas as intervenções e as políticas determinam qual será esse público. O que ocorreu nas duas cidades foi o favorecimento de grupos econômicos dominantes que impõem o estabelecimento de regras que defendam seus interesses facilitados pelo "estado de exceção" vigente. Nas duas cidades, houve o agravamento das diferenças sociais, sendo que a população mais pobre ficou à margem do evento.
O que pode ser constatado em ambos os estudos de caso, foi que o processo de planejamento da cidade para os JO foi realizado sem participação popular. (...) "Portanto, a conquista do direito de sediar os JO não garante necessariamente o engajamento da sociedade local. Em termos físicos as duas experiências demonstram a dificuldade de tornar as estruturas esportivas em espaços frequentados depois dos JO, financeiramente autossuficientes e que promovam a integração com o entorno. No entanto, Beijing, que paralelamente direcionou seus investimentos na expansão do transporte metroferroviário, obteve maior êxito na consolidação de seu plano".

6ª etapa
E o Rio de Janeiro?
Depois, leiam juntos o último slide da apresentação, que trata dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, previstos para 2016. Leve questionamentos para a turma e anote no quadro os principais pontos levantados:

  • Houve participação da população nos processos decisórios para a vinda das Olimpíadas para o Rio de Janeiro? E no planejamento?
  • Há expansão das estruturas viárias da cidade? Elas atendem somente às necessidades dos Jogos ou são pensadas para a posteridade?
  • As obras estão sendo focalizadas na construção de novos eixos viários e no desenvolvimento de diversas regiões ou são centralizadas?
  • Estão sendo realizadas obras de revitalização em algumas áreas da cidade? Pode-se dizer que acontece um processo de gentrificação? Por quê?
  • Quais são as construções e reformas do aparelhamento esportivo? São construídas em regiões que favoreçam seu desenvolvimento? São sustentáveis?
  • E os gastos? Há transparência na gestão? São condizentes com as propostas?

7ª etapa
Resumindo

Conceituação e revisão histórica sobre os Jogos Olímpicos no mundo
Análise de suas implicações e simbologias
Aprendizado sobre o legado das Olimpíadas em 5 cidades
Compreensão dos aspectos políticos e sociais envolvidos
Conceituação do processo de "gentrificação"
Análise comparativa sobre os legados positivo e negativo de algumas cidades que receberam as Olimpíadas
Reflexão sobre a preparação dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro
Avaliação
Com base nas discussões realizadas em sala de aula e nos pontos levantados na última etapa, peça aos alunos para redigirem um texto argumentativo, que responda à pergunta: "As Olimpíadas de 2016 trarão um legado positivo para o Rio de Janeiro?".
Ao analisar a redação, considere o que os alunos aprenderam sobre a história dos Jogos Olímpicos e seus significados e implicações. Verifique se os alunos conseguem comparar com razoabilidade as diversas situações apresentadas e a presença de referências sobre atualidades em seus textos. Avalie também a capacidade de articulação das ideias abordadas sob forma de argumentação.


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/olimpiadas-legado-rio-janeiro-792726.shtml