Mostrando postagens com marcador Sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sexualidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”?

Não posso deixar de compartilhar com vocês uma notícia que me incomodou muito:
… o livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, foi proibido em escolas públicas em Riverside, na Califórnia, por falar de morte e sexo. A proposta de proibição veio de uma mãe, Karen Krueger, que convenceu uma comissão de professores, pais, diretor e bibliotecários a retirar as cópias dos livros das bibliotecas do distrito. “Eu não acho que o conteúdo seja apropriado para crianças de 11, 12, 13 anos de idade”, disse ela. (Fonte: UOL)
O best-seller “A culpa é das estrelas“, do autor norte-americano John Green, conta de maneira espirituosa e sensível a história de um casal de adolescentes diagnosticados com câncer. Recentemente adaptado para o cinema, o livro trata de sexo e morte, dois temas tabu na nossa sociedade. A protagonista tem uma vida amorosa (e sexual) ao mesmo tempo em que lida com a doença e a iminência da morte. Não é o caso de avaliar se essa história é a melhor para abordar essas questões, mas quero discutir a postura superprotetora, que, oferece ao jovem silêncio e negação no lugar de uma oportunidade para o diálogo e a aprendizagem sobre questões inerentes à vida. Será que isolar crianças e jovens de temas como a morte e o sexo é positivo para seu desenvolvimento?
Isso me remeteu a minha adolescência…  Sem ter mais o poder de me proteger da vida, meu sábio e saudoso pai admitiu em uma de nossas conversas:
“Se pudesse, colocava você e seus irmãos num pedestal para que não precisassem passar por nenhum tipo de sofrimento, tristeza ou dificuldade. Mas não posso. Filha, o que posso lhe dizer é que a lei da física se aplica a lei da humanidade. Quando a gente se deixa levar pela força centrípeta ou pela centrífuga… Perde o controle sobre a própria vida e passa a ser comandado pelos outros. É preciso encontrar o equilíbrio! E, para isso, você tem que aprender a subir a sua escada da vida sozinha.”
A coragem e a humildade contidas nessas palavras são uma grande referência para mim. Até hoje pauto minhas atitudes por elas, mesmo tendo mais idade do que meu pai tinha quando as proferiu.

Desejo e realidade
Precisamos separar a nossa expectativa em relação à vida dos nossos jovens da realidade com que eles têm de lidar e vivenciar com suas próprias pernas e atitudes. Muitos pais e educadores ainda acreditam erroneamente que as aulas de Educação Sexual são uma apologia ao sexo. Eles têm a ideia – ou a esperança – de que seus filhos/alunos nem sequer pensem nisso. Será? Uma pesquisa recente mostrou que a primeira relação sexual dos brasileiros está ocorrendo por volta dos 13 anos, mesma idade registrada nos Estados Unidos e Austrália.
Hoje um casal de adolescentes pode passar um longo tempo juntos, em sua própria casa, na casa de amigos, em uma balada, em um shopping ou mesmo no cinema.
O que os jovens fazem ou não com o seu interesse sexual – que, como vimos na pesquisa, existe! – depende da Educação Sexual que tiveram, isto é, dos valores, da capacidade de tomar decisões e lidar com os desejos, da aprendizagem sobre prevenção, da sua autoestima…
Ouço muito que as crianças e jovens “não estão preparados” para lidar com esse tema. Concordo, afinal, quem já nasce preparado para alguma coisa nessa vida? Nosso papel é justamente prepará-los para lidar com questões da sexualidade, de acordo com o seu interesse e com sua capacidade de compreensão dos fatos. Eles anseiam saber! Precisamos respeitar a fase de cada um, e não impedir o conhecimento.
Muitas vezes, o sexo é reduzido ao prazer do corpo e às manifestações genitais. No entanto, a sexualidade é um instrumento que propicia experiências indispensáveis ao crescimento pessoal, à autonomia e ao desenvolvimento da individualidade e, até mesmo da cidadania, uma vez que envolve o modo como cada um entende e interpreta seus direitos e deveres para consigo e com os outros, em relação à condição de gênero, a função reprodutiva e a capacidade de se relacionar afetivo e sexualmente.
Quando se nega o trabalho de Educação Sexual ou se adere ao discurso de que esse tema é “inadequado” aos alunos, é preciso refletir: será que o educador não está deixando de ser um elemento transformador para se tornar um instrumento de atrofia pessoal e social?
Para caminharem sozinhos, os jovens precisam abastecer a bagagem da vida com conhecimentos. Sejam eles adquiridos nas experiências familiares, seja na vivência pessoal, mas também por meio de ensinamentos formais da escola e da emoção de um livro. Se houver alguma dificuldade de compreensão do livro, ela vai precisar de um adulto próximo para conversar. E aí, quem é que não está preparado para o tema?

http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/2014/10/09/devemos-proteger-criancas-e-adolescentes-de-assuntos-inadequados/
O que são contraceptivos hormonais?

Além da camisinha, quais métodos contraceptivos são seguros para adolescentes? No post de hoje vamos falar sobre os métodos hormonais!
A pioneira desses métodos foi a pílula anticoncepcional. Existem muitas polêmicas sobre sua utilização, principalmente, quando a usuária é uma adolescente: a garota pode ficar estéril? Usar a pílula engorda? É um remédio perigoso?
A pílula é um dos medicamentos mais pesquisados da história da Medicina. As pioneiras, comercializadas em maio de 1960, nos Estados Unidos, tinham uma dosagem hormonal muito alta e causavam diversos efeitos desagradáveis. Os níveis de estrogênio, especialmente, eram bastante elevados: em torno de 200 microgramas ou mais. Com o tempo, os cientistas conseguiram reduzir as taxas de hormônios, sem comprometer a eficácia do método. Resultado: as pílulas de última geração chegam a ter menos de 20 microgramas de estrogênio com uma margem de segurança de 99,9%.
A ideia de que a pílula engorda não é verdadeira, apesar de bastante difundida. Ela pode contribuir para o aumento na retenção de líquidos no corpo e dar a falsa impressão de engorda. Atualmente, existem no mercado dezenas de anticoncepcionais hormonais, com grande variedade de dosagens e combinações hormonais. Independentemente da escolha do método hormonal, não há nenhuma dificuldade para uma gravidez futura. Após a interrupção, a fertilidade é facilmente revertida.
No entanto, como estamos falando de medicamentos, eles também tem contraindicações. Os métodos hormonais estão relacionados, principalmente, ao risco de complicações vasculares, como a trombose e AVC (acidente vascular cerebral). Daí a importância de consultar um ginecologista antes de fazer a sua escolha. A indicação de um método contraceptivo pode variar de mulher para mulher, pois cada uma tem um histórico familiar e pessoal diferente.
Os métodos hormonais
Ao longo de minha experiência, percebi que a maior dificuldade das jovens em usar corretamente os métodos hormonais é o desconhecimento de seu mecanismo de ação  Na conversa com os alunos sobre o tema, a dica é priorizar a compreensão do seu funcionamento. . No caso dos hormonais, é preciso deixar claro que a principal função contraceptiva dele é impedir a ovulação.
Você pode explicar que isso acontece porque o contraceptivo hormonal “engana o cérebro”. Esses compostos são substitutos sintéticos ou bioidênticos dos hormônios que regulam o ciclo menstrual feminino, o estrogênio e a progesterona. A presença desses “covers” na circulação faz o cérebro acreditar que não há necessidade de mandar os ovários produzirem hormônios. E, sem essas substâncias naturais, o óvulo não amadurece, portanto, não há ovulação.
Desta forma, enquanto a garota usar algum método hormonal, não haverá óvulo nas trompas para os espermatozoides fecundarem.
Sugestão de trabalho com os alunos
Abra a conversa dizendo que A gravidez faz parte da natureza humana, não é “milagre!”. A partir da primeira ovulação, qualquer garota corre o risco de engravidar numa relação sexual, ou num “namoro” mais íntimo em que o garoto ejacule próximo à entrada da vagina, se ela estiver no período fértil. Mas ninguém deve e nem precisa correr este risco na adolescência! Afinal, essa é uma fase de descobertas, brincadeiras, festas, mas também de um grande desenvolvimento escolar e de preparação para realizar o sonho profissional. Portanto, nesse momento não cabem a maternidade e a paternidade!

1ª etapa
Aqueça os alunos para falar sobre os contraceptivos hormonais apresentando informações sobre seu funcionamento e utilização, conforme a tabela abaixo.

Método
Uso

Pílula
Ingestão de um comprimido por dia, todos os dias, até finalizar uma cartela. Quando iniciar a ingestão e o período de pausa entre as cartelas, dependerá do tipo de pílula recomendada pelo médico.

Injetável
Consiste em tomar uma injeção muscular uma vez por mês ou a cada 3 meses, de acordo com a indicação médica.

Adesivo hormonal
O adesivo, que contém hormônios, deverá ser colado na pele, em qualquer local do corpo, menos nos seios ou próximo a eles. É trocado semanalmente e necessita de pausa de uma semana após três semanas de uso.

Anel vaginal
É um anel plástico, flexível, que é encaixado no colo do útero, de onde libera uma pequena dose de hormônio. A colocação é caseira e o anel deverá permanecer no local por 21 dias. Após esse período, deve-se fazer uma pausa de 7 dias e um novo anel será utilizado.

Implante
O implante é inserido debaixo da pele, na região do braço, por um médico. Durante três anos, vai liberar diariamente na corrente sanguínea as doses necessárias de hormônios para evitar a gravidez.


DIU Hormonal
É um pequeno cilindro com hormônios que, ao ser colocado no útero, passa a liberar hormônios, gradativamente. A colocação é feita em consultório médico. A durabilidade deste método é de 5 anos e, durante o seu uso, a garota não menstrua.

2ª etapa
Divida seus alunos em 6 grupos, dê a eles uma numeração de 1 a 6, dispondo-os de forma circular.


Entregue a cada um deles um tipo de método hormonal.  Em seguida, peça para que eles conversem entre si sobre o que sabem a respeito do contraceptivo que ficou ao encargo deles e construam 2 perguntas que gostariam que fosse esclarecidas nessa aula.

3ª etapa
Proponha uma versão adaptada da conhecida brincadeira “Verdade ou consequência?”. Use uma garrafa e coloque no centro da roda, entre todos os grupos. Depois ao sinal do professor, o grupo 1 deve girar a garrafa, e ao grupo para o qual o bico da garrafa apontar é perguntado: verdade ou consequência?
Caso o grupo escolha verdade eles devem responder a pergunta do grupo 1.  Cada resposta correta vale 2 pontos para o grupo que respondeu.
Caso o grupo escolha consequência. O grupo não ganha nem perde pontos. A pergunta é passada para o grupo seguinte, na direção horaria. O grupo que acertar ganha 2 pontos. Isso inclui o grupo que fez a pergunta.
Se nenhum grupo conseguir responder o professor responde para eles. Aí, é a vez do próximo grupo girar a garrafa e assim sucessivamente, até que todos os grupos tenham conseguido fazer pelo menos 1 pergunta.

4a etapa
Faça um compartilhar pedindo para que contem o que aprenderam no jogo. Para finalizar, reforce que o método principal na vida dos adolescentes é o preservativo. Ele é único método que dá, ao menino, autonomia e controle para decidir quando ter um filho. Além disso, ainda protege o casal das DST/Aids.
Hoje a recomendação pelo Ministério da Saúde é que se aposte nessa parceria: a camisinha como método de prevenção à gravidez e às DST/Aids e o método hormonal como um reforço contraceptivo.

http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/2014/10/02/contraceptivos-hormonais/

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Seis sites essenciais para desmistificar a Aids

Junho é o mês escolhido por NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR para falar sobre Aids e de iniciativas que ajudam a combater a discriminação e o preconceito contra os portadores do vírus HIV. E se há uma coisa mais potente que os medicamentos antirretrovirais nessa luta, trata-se da informação!
Foi-se o tempo em que o sistema de saúde citava “grupos de risco” e que ter HIV era sinônimo de morte. Hoje em dia a Aids já é considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde e o ambiente escolar não pode deixar de abordar o assunto.
Para ajudar professores e gestores a entender o tema e preparar atividades que levem conhecimento para a garotada, selecionamos seis sites essenciais para derrubar os mitos sobre a Aids. Confira!
Por que vale a pena? O site do Departamento de DST, Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde oferece informações básicas sobre o tema: o que é a doença, como o vírus é transmitido e quais são as formas de prevenção. Além disso, o portal oferece respostas às dúvidas mais frequentes, além de relatos de pessoas que convivem com o vírus.

Por que vale a pena? A Agência de Notícias da Aids é o maior portal brasileiro sobre o assunto, e, além de reportagens que abordam o assunto sob diferentes aspectos, é possível encontrar artigos de opinião e dicas de eventos ligados ao tema.

Por que vale a pena? Ao acompanhar Ozzy e Micaela, dois jovens soropositivos que moram em São Paulo, o documentário disponível no YouTube consegue demonstrar como a doença não é e nem deve ser uma barreira para a realização de sonhos e planos. O filme, do diretor Cláudio Maneja Jr, é uma realização do canal Futura e tem aproximadamente 13 minutos de duração.

Por que vale a pena? O objetivo dos vídeos é definitivamente desmistificar o HIV. O site reúne desde vídeos informativos, com gráficos e dados sobre o número de pessoas contaminadas em todo o mundo, até um diário audiovisual feito por um advogado e ativista soropositivo que mora em Nova Iorque. O conteúdo ajuda os espectadores a derrubarem as barreiras de desinformação. Os vídeos estão em inglês.

Por que vale a pena? A fundação holandesa ArtAids convida expoentes da arte contemporânea para produzir obras que dialoguem com o tema e arrecada fundos para projetos que beneficiem os soropositivos. No site, que está escrito em inglês, é possível encontrar a versão digitalizada de cada obra com as devidas referências. Uma boa pedida para sensibilizar a turma a respeito do preconceito enfrentado por quem é portador do vírus.

Por que vale a pena? O blog, hospedado no site Brasil Post, apresenta os relatos de um jovem que convive com o diagnóstico do vírus desde 2010. Como é a vida sexual do soropositivo e qual é a reação da maioria das pessoas ao saber de sua condição são algumas das curiosidades esclarecidas em seus textos. Vale a pena conferir!


http://revistaescola.abril.com.br/blogs/tecnologia-educacao/2014/07/01/seis-sites-essenciais-para-desmistificar-a-aids/
Seis sites essenciais para desmistificar a Aids

Junho é o mês escolhido por NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR para falar sobre Aids e de iniciativas que ajudam a combater a discriminação e o preconceito contra os portadores do vírus HIV. E se há uma coisa mais potente que os medicamentos antirretrovirais nessa luta, trata-se da informação!
Foi-se o tempo em que o sistema de saúde citava “grupos de risco” e que ter HIV era sinônimo de morte. Hoje em dia a Aids já é considerada uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde e o ambiente escolar não pode deixar de abordar o assunto.
Para ajudar professores e gestores a entender o tema e preparar atividades que levem conhecimento para a garotada, selecionamos seis sites essenciais para derrubar os mitos sobre a Aids. Confira!
Por que vale a pena? O site do Departamento de DST, Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde oferece informações básicas sobre o tema: o que é a doença, como o vírus é transmitido e quais são as formas de prevenção. Além disso, o portal oferece respostas às dúvidas mais frequentes, além de relatos de pessoas que convivem com o vírus.

Por que vale a pena? A Agência de Notícias da Aids é o maior portal brasileiro sobre o assunto, e, além de reportagens que abordam o assunto sob diferentes aspectos, é possível encontrar artigos de opinião e dicas de eventos ligados ao tema.

Por que vale a pena? Ao acompanhar Ozzy e Micaela, dois jovens soropositivos que moram em São Paulo, o documentário disponível no YouTube consegue demonstrar como a doença não é e nem deve ser uma barreira para a realização de sonhos e planos. O filme, do diretor Cláudio Maneja Jr, é uma realização do canal Futura e tem aproximadamente 13 minutos de duração.

Por que vale a pena? O objetivo dos vídeos é definitivamente desmistificar o HIV. O site reúne desde vídeos informativos, com gráficos e dados sobre o número de pessoas contaminadas em todo o mundo, até um diário audiovisual feito por um advogado e ativista soropositivo que mora em Nova Iorque. O conteúdo ajuda os espectadores a derrubarem as barreiras de desinformação. Os vídeos estão em inglês.

Por que vale a pena? A fundação holandesa ArtAids convida expoentes da arte contemporânea para produzir obras que dialoguem com o tema e arrecada fundos para projetos que beneficiem os soropositivos. No site, que está escrito em inglês, é possível encontrar a versão digitalizada de cada obra com as devidas referências. Uma boa pedida para sensibilizar a turma a respeito do preconceito enfrentado por quem é portador do vírus.

Por que vale a pena? O blog, hospedado no site Brasil Post, apresenta os relatos de um jovem que convive com o diagnóstico do vírus desde 2010. Como é a vida sexual do soropositivo e qual é a reação da maioria das pessoas ao saber de sua condição são algumas das curiosidades esclarecidas em seus textos. Vale a pena conferir!


http://revistaescola.abril.com.br/blogs/tecnologia-educacao/2014/07/01/seis-sites-essenciais-para-desmistificar-a-aids/
Como falar sobre aborto com os alunos?

Ao ser questionado sobre aborto, o educador deve procurar descobrir qual é a real motivação da pergunta
Há algum tempo, uma professora me contou que uma vez havia sido questionada por uma aluna sobre sua opinião em relação ao aborto. No momento ela desconversou, mas depois, preocupada, me procurou para saber como proceder.
Uma pergunta como essa dificilmente ocorre fora de contexto, apenas por curiosidade. Por isso, é muito importante acolher a aluna e buscar descobrir a verdadeira intenção da pergunta. Às vezes, pode haver um problema por trás dessa curiosidade aparentemente despretensiosa, como a gravidez da garota ou de uma amiga que ela esteja tentando ajudar.
Por isso, a orientei a perguntar para a garota “por quê” ela queria ouvir sua opinião. Dessa forma, é possível se aproximar da verdadeira intenção da pergunta e perceber que a resposta mais adequada, não é a posição pessoal sobre o aborto, mas sim, fornecer informações que mostrem os prós e os contras sobre o tema.
Aborto é um assunto extremamente polêmico e cheio de armadilhas. A legislação brasileira o permite somente em casos de estupro, de gravidez com risco à vida da mãe ou se o feto for anencefálico (uma má-formação rara do tubo neural caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana). Em qualquer outra circunstância, a interrupção da gravidez é proibida no país. Mas não podemos fingir que isso não acontece.
Cálculos do Ministério da Saúde revelam que 3,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos induziram aborto – 7,2% do total de mulheres em idade reprodutiva.  Isso faz do aborto a quarta maior causa de óbito materno no país, vitimando 9,4 de cada 100 mil gestantes, especialmente as de menor poder econômico.
As mulheres decidem interromper a gravidez hoje, decidiram ontem e vão decidir sempre. Mesmo que o custo dessa decisão traga risco de morte. E isso é sério! Contudo, ainda estamos longe de uma solução definitiva para essa questão. Enquanto para os favoráveis à proposta, o aborto é um direito da mulher; os contrários defendem que o feto não é parte do corpo dela, mas sim outro organismo que depende temporariamente do útero da mãe para se desenvolver. Abortar, portanto, seria cometer um crime. E isso nos leva necessariamente para o foco da polêmica: o conceito de vida humana.

Quando começa a vida?
A questão fundamental do aborto está no conceito de vida. E é aí que a coisa complica.
De forma sucinta, podemos dizer que há quatro diferentes interpretações para o fenômeno. Há o grupo que defende que a vida surge no momento da fertilização do óvulo. Outros acreditam que o marco inicial da vida é a implantação do óvulo fecundado no útero, chamada cientificamente denidação. Um terceiro grupo afirma que a vida se inicia a partir do momento em que o feto começa a ter atividade cerebral. E, por fim, há o grupo baseado na postura filosófica existencialista, segundo a qual só há vida quando a pessoa se põe no mundo e toma consciência de sua existência.
Como se vê, da fecundação ao nascimento, não há um instante biológico privilegiado, com o qual todos concordem. Na maioria dos países em que o aborto é permitido, o prazo limite para a interrupção da gestação é definido pelo conceito da viabilidade, ou seja, o momento a partir do qual o feto, com o auxílio de aparato médico, é capaz de viver fora do útero. Isso geralmente se dá por volta da 24ª semana de gestação.

Promova um debate com a turma
Essa polêmica não é nova, e vale a pena ser debatida em sala de aula. Nosso papel como educadores é incentivar o conhecimento e ajudar os alunos a interpretarem os fatos para poderem formar suas opiniões de acordo com suas visões de mundo. Para isso, sugiro a seguir um breve encaminhamento do assunto com a turma:

1a etapa
Inicie a conversa mostrando que gerar uma vida é da natureza da mulher e do homem, mas ser mãe ou pai pode ser uma escolha. Para isso, o melhor caminho é usar os métodos contraceptivos para prevenir a gravidez. Infelizmente, nem todo mundo tem informação adequada e motivação para se prevenir, ou acesso a métodos contraceptivos, o que leva muitas mulheres a se depararem com o dilema de interromper ou continuar a gravidez. Problematize o assunto com a turma perguntando: O aborto pode ser uma solução menos penosa entre duas alternativas difíceis? Ou a lei deve permanecer como está?

2ª etapa
Divida os alunos em grupo e peça para pesquisarem os argumentos a favor e contra a legalização do aborto. Depois, peça que cada grupo apresente suas considerações e conclusões. O professor pode sistematizar no quadro os principais argumentos e instigar os alunos a defendê-los ou refutá-los.
Você já abordou esse assunto com seus alunos? Quais foram as questões levantadas por eles?
Até a próxima!


http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/2014/06/26/como-falar-sobre-aborto-com-os-alunos/

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Prevenção da Aids: uma abordagem com os professores

Há mais de 30 anos o mundo trava uma batalha contra a Aids. Esses esforços têm envolvido uma série de investimentos, que vão das pesquisas laboratoriais para o desenvolvimento de novos medicamentos e exames diagnósticos mais rápidos e eficientes ao trabalho de prevenção por meio de campanhas na mídia e da atuação dos professores em sala de aula.
O fator principal para trabalhar a prevenção da Aids na escola é a tomada de consciência de que esse não é um problema apenas dos mais jovens.
De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids, produzido pelo Ministério da Saúde, de 2003 a 2012 as maiores taxas de diagnósticos da doença foram observadas em pessoas de 30 a 49 anos. Além disso, foi registrada também uma tendência de aumento nas taxas de detecção da doença entre jovens de 15 a 24 anos e adultos com 50 anos ou mais.
A leitura fria e objetiva dos números deixa claro que o HIV não tem nenhum tipo de preconceito. Ele infecta a todos independentemente de estado civil, sexo, idade, etnia ou condição social. Basta ter relações sexuais sem camisinha com uma pessoa infectada para se contaminar.
E como será que nós, adultos, estamos lidando com esse fato? Estamos sendo bons exemplos para nossos alunos? O que é preciso saber para fazer um trabalho efetivo de prevenção na escola? É isso o que você confere a seguir.
Como estruturar o trabalho de formação?
Na minha experiência como formadora de educadores, desenvolvi um roteiro de capacitação que tem ajudado os professores a desenvolver seus trabalhos de prevenção da Aids nas escolas.

 etapa: Ampliar os conhecimentos sobre a doença
É importante que todos os professores tenham clareza sobre algumas informações básicas sobre a doença: o que é Aids, como ela se processa no corpo, qual seu agente causador, os meios de transmissão e as formas de prevenção.
Você pode acessar os posts sobre Aids já publicados aqui no blog para esclarecer algumas dessas questões com o grupo de professores durante as reuniões de formação. Confira aqui alguns deles:
Quatro tabus para derrubar ao falar sobre camisinha
Outra boa fonte de consulta é o portal do Ministério da Saúde totalmente voltado para o tema.www.aids.gov.br

2a etapa: Vamos falar de sexo
A relação sexual é a principal forma de transmissão da Aids. Então, debater questões relativas à sexualidade é fundamental para identificar situações de risco de contaminação a que os alunos possam ser submetidos. Para isso, é importante entender o que é sexualidade e como ela se desenvolve nas crianças e adolescente. Para uma abordagem inicial dessas questões, você pode utilizar alguns vídeos do Instituto Kaplan em que eu abordo diferentes aspectos da sexualidade para propor uma discussão com o grupo.

3a etapa: Conhecer as políticas de prevenção
Agora, junte seu conhecimento sobre Aids, sexo e sexualidade na adolescência, e conheça as políticas de prevenção desenvolvidas pelo Ministério da Saúde: os fatores de risco e proteção que são adotados, o conceito de vulnerabilidade, os serviços disponíveis e as principais formas de prevenção, diagnóstico e tratamento da Aids no Brasil. Muitas dessas informações estão disponíveis no portal aids.gov.br

4a etapa: Definição dos conteúdos
Baseado no conhecimento que você adquiriu sobre o tema e na realidade dos alunos, faça um levantamento coletivo e uma leitura crítica sobre os conteúdos que podem ser utilizados de forma interdisciplinar nas conversas com os alunos sobre prevenção. Nesse momento, é importante atentar para as diferenças cognitivas de cada faixa etária e encontrar a abordagem mais adequada a cada uma delas. Minhas sugestões de leitura para esse momento são: o PCN de Orientação Sexual, o Guia de Orientação Sexual – Diretrizes e Metodologia e o Projeto Quebra Tabu, do Instituto Kaplan

5a etapa: Planejamento das abordagens
Definidos os conteúdos, o próximo passo é aprender sobre metodologia participativa, pensar em abordagens e selecionar materiais apropriados para tratar os temas com seus alunos. Aqui no próprio blog você pode encontrar algumas sugestões de dinâmicas e jogos.

6a etapa: Avaliação
Esse é o momento de monitorar e avaliar se o trabalho está mobilizando os alunos e produzindo o resultado esperado.
Para esta aprendizagem e reflexão sobre a importância da avaliação do  trabalho de prevenção da Aids, indico um excelente artigo de Ricardo Ayres, professor de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), voltado especificamente para essa questão (baixe o artigo aqui).

Em tempo
Se você se interessou por essa perspectiva de trabalho e gostaria de ter uma formação mais aprofundada nas questões que tratei neste post, fica aqui meu convite para o curso Quebra Tabu que acontecerá em agosto no Instituto Kaplan (mais informações aqui).
Você já participou de alguma atividade de formação voltada para prevenção das DST/Aids? O que achou desta proposta? Compartilhe sua opinião com a gente!
Até a próxima!

http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/2014/05/15/prevencao-da-aids-uma-abordagem-com-os-professores/