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terça-feira, 11 de novembro de 2014

O processo de extinção das espécies

Objetivo(s)
Entender o processo de extinção de algumas espécies na natureza

Conteúdo(s)
Ecologia e meio ambiente
Evolução

Ano(s)                    1º      2º      3º

Tempo estimado       Três aulas

Material necessário
Computadores com acesso à internet
Projetor de imagens 
Cópias da reportagem "O Drama da Extinção", ( VEJA 2398, 05 de novembro de 2014) disponível no acervo digital a partir de 07/11/2014
Cópias da reportagem "A Dura Escolha de Quem Deve Sobreviver", (VEJA 2265, 18 de abril de 2012) 

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
O processo de extinção de espécies é natural, ou seja, à medida que algumas espécies desaparecem outras surgem. Esse é um mecanismo necessário para o processo evolutivo, que não só resulta em novas formas de vida, como também origina variações mais especializadas. No tempo geológico pontuam-se cinco grandes extinções em massa. Hoje, alguns estudiosos acreditam estarmos na sexta extinção, na qual o homem, dessa vez é o protagonista.
Nesta proposta, seus alunos estudarão os fatores que colocam uma espécie em risco de extinção e discutirão a concepção de que o processo de extinção é sempre negativo. O tema é abordado em duas reportagens de VEJA: "O Drama da Extinção" e "A Dura Escolhe de Quem Deve Sobreviver". 

Atividades
Peça para que os alunos leiam as reportagem de VEJA. Em seguida, coloque o tema em debate com alguns questionamentos. Por exemplo: sabe-se que a triagem ecológica desiste dos casos de conservação ambiental sem sucesso após vários anos de tentativas. Mas por que elas falham? Há responsabilidade de alguém? Devem agora esses animais serem ‘abandonados’ na luta pela sobrevivência? Qual o impacto disso para as cadeias alimentares, comunidades e populações?

Deixe a turma discutir. Depois disso, proponha a socialização das respostas. Esclareça que há um processo de extinção, natural e essencial para a evolução, ou seja, determinadas espécies deixam de existir e em seus lugares surgem novas formas de vida, em novos habitats e nichos ecológicos e, na maioria das vezes, mais especializadas do que as que desapareceram. Porém, escolher quais devem sobreviver em uma visão de custo benefício - investir em preservação das espécies que têm mais chances de serem salvas e abandonar outras - pode trazer problemas sérios de desequilíbrios nas cadeias alimentares. Esta extinção deixa de ser um processo natural e passa a ser um processo optativo, ou seja, realizado a partir de escolhas humanas.

Lembre que há muitos fatores que levam ao desaparecimento de uma espécie como, por exemplo, mudanças climáticas (como as eras glaciais), esgotamento de recursos, vulcanismo e alterações dos níveis dos oceanos. Além disso há os fatores extraterrestres com atividade solar e colisão de asteróides, cometas. E há também a atuação do homem. Temos participação na extinção de várias espécies.

2ª etapa
Projete a imagem abaixo para a classe e proponha uma conversa sobre os critérios que levam as espécies à lista de risco de extinção. A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) categoriza as espécies de acordo com seu status no planeta: 

Extinta: Uma espécie é considera extinta quando pesquisas indicam que o último indivíduo da espécie morreu
Extinto na Natureza: Uma espécie é considerada extinta na natureza quando pesquisas indicam que ela só sobrevive em cativeiro, meios de cultivo ou em populações não nativas.
Criticamente Ameaçada: Uma espécie é considerada criticamente ameaçada quando se enquadra em um dos critérios abaixo:
• Diminuição de 80 a 90% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
• Diminuição da área de ocorrência para menos de 100 Km² (seguido em mais dois outros critérios)
• Diminuição da área de ocupação para menos de 10 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• População estimada em menos de 250 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
• População estimada em menos de 50 indivíduos adultos
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 50% em 10 anos ou 3 gerações


Ameaçada: Uma espécie é considerada ameaçada quando se enquadra em um dos critérios abaixo:
• Diminuição de 50 a 70% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
• Diminuição da área de ocorrência para menos de 5 000 Km² (seguido em mais dois outros critérios)
• Diminuição da área de ocupação para menos de 500 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• População estimada em menos de 2 500 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
• População estimada em menos de 250 indivíduos adultos
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 20% em 20 anos ou 5 gerações

Vulnerável: Uma espécie é considerada vulnerável quando se enquadra em um dos critérios abaixo:
Diminuição de 30 a 50% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
Diminuição da área de ocorrência para menos de 20.000 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
 Diminuição da área de ocupação para menos de 2.000 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
 População estimada em menos de 10 000 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
 População estimada em menos de 1 000 indivíduos adultos ou população com área de ocupação muito restrita
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 10% em 100 anos

Quase Ameaçada: Uma espécie é considera quase ameaçada quando está perto de entrar na categoria vulnerável em um futuro próximo
Pouco Preocupante: Uma espécie entra na categoria pouco preocupante quando apresenta uma grande distribuição.

(Fonte: IUCN - disponível em http://www.iucnredlist.org/)

Trabalhe com a turma os conceitos de espécie-bandeira e espécie-guarda-chuva. Espécie-bandeira é aquela a qual foi escolhida para representar uma causa ambiental: por conta de seu carisma ou beleza, ajuda a preservar o ambiente em que vive e outras espécies com menos apelos junto à população. Espécie “Guarda-Chuva” é a espécie que requer uma grande área protegida para sua sobrevivência e que ao serem protegidas, consequentemente, preserva outras espécies.
 
Depois proponha que os estudantes escrevam um texto opinativo sobre: Extinção é uma questão de escolha?
3ª etapa 
A partir dos resultados do debate da aula anterior proponha à classe uma atividade na qual eles terão que escolher quais dessas espécies deixarão sobreviver. A lista sugerida traz 24 espécies (nomes populares) de animais e plantas em risco de extinção no Brasil, a turma deve escolher 12 para serem salvas. Solicite na aula anterior, que os alunos tragam uma pesquisa na internet para conhecer cada uma dos seres listados.

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos percebam o quanto é complicado escolher quem deve ser salvo. Após ouvir as respostas, diga à turma que a espécie coral-chifre-de-veado é uma das poucas espécies-bandeira de invertebrados. Veja quantos a salvariam.
Ao final dessa atividade, questione se a extinção é um processo definitivo. Após ouvir as respostas, exponha que a extinção de espécies continuará gerando consequências mensuráveis a curto e longo prazo. Para ilustrar esse raciocínio explique qual o papel dos insetos no processo de polinização das flores de árvores tanto frutíferas ou não, de interesse comercial ou não. E quais as consequências do uso de defensivos agrícolas que afetam esses insetos.
O desaparecimento de uma espécie altera toda a estrutura ecológica: alimento – abrigo – competição. Clonar espécies que foram extintas milhões de anos atrás, retoma a pergunta: a extinção é para sempre? Se pensarmos na possibilidade de clonagem, talvez não. Teríamos a possibilidade de ter de volta ao mundo essas espécies perdidas. Podemos clonar, por exemplo, o tigre-dente-de-sabre, mas o mundo não será igual ao que teria sido se estes felinos não tivessem desaparecidos, ou seja, a extinção é de fato, irreversível.

Avaliação
Avalie a participação dos alunos em sala de aula levando em consideração o envolvimento com as discussões, a capacidade de posicionamento em uma questão de caráter ambiental como é o caso da extinção e a escolha de quem deve ser salvo. Os textos elaborados em sala são, além de ótima forma de avaliação, uma boa oportunidade de trabalho interdisciplinar com Geografia, Língua Portuguesa, Sociologia e Filosofia.


http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/o-processo-de-extincao-das-especies

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Vídeos e sequências didáticas ajudam no trabalho com genética

O tema é um dos mais importantes no Ensino Médio. Veja como utilizar uma reportagem para discutir diversos conteúdos com a turma
Os avanços da genética impressionam: há menos de dois séculos começaram a se descobrir as primeiras informações sobre a área. Hoje, já é possível mapear detalhadamente os genes presentes nas células de um indivíduo.

Leia mais
A reportagem "E aí, primo?" (VEJA 2393, 1º de outubro de 2014) explora um dos usos do avanço científico na área: o teste genético de ancestralidade, capaz de identificar as origens da pessoa examinada. A matéria contextualiza diversos conceitos relacionados à Biologia.
No quadro abaixo, você vê uma reprodução da reportagem, destacando os trechos que podem ser discutidos com os jovens. Clique nos destaques para ver sugestões de recursos multimídia e planos de aula para entender o assunto e abordá-lo com a turma.



http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/videos-sequencias-didaticas-genetica-803011.shtml

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

É possível exercitar o cérebro?

Objetivo(s)
Identificar as principais características do sistema nervoso bem como suas funções vitais
Associar estrutura e função dos componentes do sistema nervoso com o modo como adquirimos e armazenamos informações
Conteúdo(s) 
Funcionamento do sistema nervoso
Aspectos da biologia humana
Funções vitais do organismo humano

Ano(s)

Tempo estimado                Quatro aulas

Material necessário
·               Computadores com acesso à internet
·               Cópias da reportagem "A universidade do futuro", (VEJA 2360, 3 de abril de 2013)
·               Projetor de imagens.
·               Cópias da reportagem "E se a gente usasse 100% do cérebro?", publicada no site da revista Superinteressante.

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
A reportagem "A universidade do futuro", publicada em VEJA, convida-nos a partir da entrevista do neurocientista Stephen Kosslyn a estudar um pouco mais sobre o sistema nervoso e a reportagem "Enxergar o futuro" traz novas pesquisas sobre a capacidade de nosso cérebro de prever movimentos através da leitura da linguagem corporal. Aproveite esses planos de aula para trabalhar a fisiologia humana, bem como traçar as relações entre as estruturas e suas funções, além de destacar as características mais importantes desse sistema.
Inicie a aula investigando o que os alunos sabem sobre sistema nervoso e as aplicações da Neurociência. Converse com a turma e, durante essa conversa, lance perguntas do tipo: é possível exercitar o cérebro? O que garante um aprendizado maior: refletir ou repetir? Qual a importância da imaginação? Diga à classe que o sistema nervoso é o sistema responsável por controlar a maioria das funções do nosso corpo. Assim, esse sistema é a chave integradora entre o organismo e o ambiente. Os neurônios, unidade funcional desse sistema, comunicam-se por meio de sinapses e por eles são propagados impulsos nervosos.

Pergunte a turma se a direção da transmissão do impulso nervoso influencia o processo. Caso eles não saibam, explique para eles que sim. Esse é o momento de explicar em detalhes o que é o neurônio. Ele é constituído por 3 partes: dendrito, corpo celular e axônio. Porém, a transmissão do impulso só se realiza no sentido dendrito - axônio. Através dos circuitos neurais, o nosso corpo consegue produzir respostas que podem caracterizar comportamentos fixos e invariantes como, por exemplo, os nossos reflexos ou a produção de comportamentos variáveis.
É comprovado que os organismos que possuem sistema nervoso são capazes de alterar comportamentos em resposta a experiências já vivenciadas. Comece a dirigir alguns questionamentos mais específicos, e vá anotando essas perguntas na lousa. Pergunte como aprendemos o que é certo ou errado e como se dá o aprendizado em nosso cérebro. Além disso, peça para os alunos identificarem na reportagem "Enxergar o futuro" exemplos de reações dos atletas a movimentos de seus oponentes. Essas questões devem ser o pontapé inicial para discutir o tema, portanto, elas não precisam ser necessariamente respondidas nessa etapa da aula - esse momento servirá muito mais para constatar o nível de conhecimento dos alunos sobre o assunto.

2ª etapa
Inicie a aula distribuindo as cópias da reportagem "A universidade do futuro" para os alunos, orientando-os a realizar uma leitura individual.  Peça que eles destaquem trechos significativos da entrevista, além dos termos que eles não conhecem.
Uma vez feita a leitura, organize a turma em um círculo e peça que eles façam suas considerações, expondo o que acharam do texto, quais são suas principais dúvidas e quais foram as informações mais relevantes. Explicite, nesse momento, a necessidade de compreender o funcionamento do cerébro para entender completamente o conteúdo da entrevista.
Em seguida, retome as perguntas da primeira etapa. Diga aos alunos que por meio de uma propriedade chamada de plasticidade cerebral o sistema nervoso consegue fazer alterações comportamentais em função de conhecimentos passados. Isso é chamado de aprendizado. Assim, os neurônios não só são capazes de interpretar, armazenar e emitir respostas a estímulos como também são capazes de, a partir de novas informações, provocar rearranjos em suas conexões sinápticas, resultando em novas aprendizagens. Ou seja, quanto mais exercitamos o nosso cérebro, mais circuitos neurais são formados, ocorrendo assim uma reconfiguração dendrítica e a alteração da atividade sináptica de um circuito neural. É essa alteração constante que permite que possamos ter novas habilidades (sejam elas emocionais, cognitivas ou motoras) e aperfeiçoar as habilidades existentes. Com certeza, refletir é melhor do que apenas repetir. Isso porque quando refletimos sobre determinado assunto mais chances teremos de lembrar sobre isso, porque a reflexão vai desencadear associações mentais entre o novo assunto e os que já existem. Ao contrário de apenas repetir várias vezes determinada fórmula ou assunto, assim o cérebro não cria conexões e dificilmente esse assunto será lembrado no futuro. A imaginação pode ser muito importante ao elucidar questões do cérebro, como déficits mentais e ajudar no ensino escolar.
Distribua cópias da reportagem "E se a gente usasse 100% do cérebro?" para a turma, orientando a leitura em casa como atividade complementar.

3ª etapa
Inicie a aula conversando com a turma sobre as divisões do Sistema Nervoso. Diga aos alunos que o Sistema Nervoso é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC) - estruturas localizadas dentro da caixa craniana e da coluna vertebral e Sistema Nervoso Periférico (SNP) - demais estruturas do sistema nervoso. Divida a classe em dois grandes grupos, sendo que cada um ficará responsável por uma parte do sistema nervoso, ou seja, um grupo responsável pelo SNC e outro pelo SNP.  Leve os alunos até a sala de informática e peça que eles, com o auxílio da internet, pesquisem quais são essas estruturas e suas respectivas funções. Caso não haja essa possibilidade, a pesquisa deve ser orientada para casa. Após a pesquisa, os grupos deverão organizar um pequeno seminário para apresentar seus resultados para a outra metade da turma. Reforce que a forma da apresentação é livre, mas ela precisa dar conta de alguns itens: os componentes dos sistemas, suas funções no processo de transmissão das informações e o que eles precisam para funcionar.

4ª etapa
Retome a reportagem e utilizando o modelo da entrevista como exemplo, peça aos grupos que criem perguntas para entrevistar o outro grupo. As perguntas que não forem respondidas podem ser pesquisadas na sala de informática com o auxílio da internet e do professor.
Verifique com o professor de Português se a turma já trabalhou o gênero dos artigos de opinião. Em caso afirmativo, proponha o desenvolvimento de uma atividade conjunta, que pode ser realizada tanto na aula de Biologia quanto de Português. Oriente os alunos a organizar as respostas obtidas durante a entrevista com a outra parte da turma. Elas, juntamente da pesquisa feita pelo próprio aluno e da entrevista com Stephen Kosslyn, serão as fontes para a elaboração de um artigo onde eles explicitem sua opinião sobre a seguinte questão: é possível exercitar o cérebro?

Avaliação
Utilize como itens avaliativos a participação dos alunos nas aulas e discussões, a pesquisa realizada, a participação na construção das perguntas para entrevista e nas apresentações e as redações produzidas. O que deve ser avaliado essencialmente é a capacidade argumentativa dos alunos e se os argumentos utilizados são resultados da compreensão genuína dos dados estudados e debatidos durante a aula.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

Genética: determinação dos padrões de herança

A partir do conhecimento das leis de Mendel, discuta com a turma as diferenças entre características genéticas, hereditárias, congênitas e adquiridas

Conteúdos
- Leis de Mendel
- Mecanismos de herança
- O papel do ambiente na manifestação das características hereditárias


Objetivos
- Identificar e diferenciar características genéticas, hereditárias, congênitas e adquiridas.
- Elaborar e testar hipóteses sobre composição genética de indivíduos

Anos                                                             Ensino Médio

Tempo estimado                                        3 aulas


Material Necessário
- Cópias da reportagem "Uma puxada e a vida fica melhor" (Veja 2377, de 11 de junho de 2014)
- Computadores com acesso à internet


Introdução
Genética é um campo de conhecimento relacionado com a inscrição da informação de nossas características biológicas em nossas moléculas de DNA e também da herança destas no processo de reprodução de nossas células.

Leia mais
Desenvolvimento
1ª. Etapa: esclarecimento conceitual
Inicie a aula discutindo alguns conceitos. Para isso, utilize como exemplo o caso das orelhas de abano, como mostrado na reportagem de Veja. Distribua cópias do texto para turma e, após a leitura, pergunte: as orelhas de abano são um caráter genético? Ou congênito? Sendo genético é hereditário? Alguns alunos utilizam estas conceitos como sinônimos outros não. Na verdade são conceitos diferentes não excludentes, mas sobrepostos. Explique que "genético" é qualquer produto da expressão de genes. Ou seja, qualquer característica que tem como base a produção de uma proteína produzida em um sistema de transcrição e tradução gênica dentro da célula. Nem tudo que é genético é hereditário. Para ser hereditário deve ser transmitido pelas células reprodutoras, os óvulos e espermatozoides. Ocorre que muitos fenômenos genéticos em nosso corpo ocorrem nas outras células do corpo, as células somáticas. O melhor exemplo está no câncer. Essa terrível doença tem um evidente mecanismo genético e, na maioria dos casos, não é hereditário.
Pergunte à turma: e o termo "congênito"? Este é um termo mais plástico, pois sobrepõem-se aos conceitos anteriores. Congênito diz respeito ao o que nasceu com a criança. Desenvolveu-se durante a gravidez. Dê exemplos de fenômenos congênitos. A Síndrome de Down é claramente hereditária uma vez que a mutação está em um dos pais. Já um caso de surdez em uma criança cuja mãe contraiu rubéola durante a gravidez é congênito. Essa distinção deverá suscitar uma série de discussões em classe que deverão render boas discussões como fenômenos como alcoolismo, diabetes, etc. Em alguns casos a discussão deverá mostrar que, em alguns aspectos, o fator hereditário não passa através dos genes. Seria totalmente ambiental, dado pelo aprendizado, pelo ambiente. Nesse caso convém não utilizar o termo hereditário para não criar confusões. O termo correto é adquirido. E adquirido não se restringe ao aprendido, mas também a heranças de microrganismos ou de fatores congênitos criados pela ingestão de medicamentos ou drogas.
Trate da questão da orelha de abano mostrada na reportagem. Essa característica é hereditária e, ao mesmo tempo, congênita, pois se desenvolve a partir do segundo mês de gravidez. O componente hereditário está na fixação do colágeno na orelha. Conclusão: é uma deformidade congênita onde o fator hereditário está presente.
Continue tratando da herança das características mostrando que a manifestação delas é variável, ainda que claramente hereditária. Nesse caso existe uma série de fenômenos chamados de penetrância, expressividade, pleiotropia ou ainda influencia do ambiente na manifestação das características. Essas manifestações não são simples de examinar e não são heranças clássicas e facilmente visualizáveis. Finalmente tem a questão da epigenética que são fenômenos ambientais ou aleatórios que afetam a manifestação dos genes. O mais conhecido é o da metilação do DNA. 
Finalize essa etapa introdução contando que a questão da epigenética é uma maneira contemporânea de abordar a velha polêmica natureza X adquirido (nature X nurture). O fenômeno epigenético mostra como fatores ambientais podem mudar a manifestação dos genes da pessoa ao longo de sua vida e até transmitir isso para seus descendentes nos remetendo a um neolamarckismo. Os gêmeos são um modelo interessante para o estudo da epigenética. 


2ª Etapa: determinação do tipo de herança
Feitos os esclarecimentos conceituais, proponha algumas atividades para a turma. O primeiro exercício envolve a teoria das leis básicas da hereditariedade desenvolvidas por Mendel. (Aqui cabe um breve explicação do que são as leis de Mendel) Explique aos alunos que o método dos cruzamentos e retrocruzamentos desenvolvidos por Mendel ainda são utilizados. Os mecanismos de dominância, recessividade, herança ligada e influenciada pelo sexo poderão ser exercitadas em atividades nas quais os alunos fazem os cruzamentos e, conforme a prole resultante, vão deduzindo os mecanismos. O site do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) dispinibiliza alguns simuladores que permitem confirmar a aplicação das leis de Mendel (veja aqui). 
Outro exercício possível é ligar os tipos de herança ao fenômeno da meiose. Neste caso, estudamos uma herança monogênica (determinada por um par de alelos). Uma atividade simples é estabelecer um suporte concreto como cromossomo que poderá ser feito de massa de modelar ou canudinho plástico quais se marcam os alelos. Os alunos fazem uma lista de genes (A, B, C) e distribuem os alelos nos cromossomos homólogos. Os alunos vão fazer a meiose na qual ocorre a segregação independente dos cromossomos. Assim farão a formação dos gametas. Em duplas podem efetuar a formação de zigotos podendo fazer cálculos de probabilidades. O professor poderá chamar a atenção dos alunos sobre como a recombinação dos alelos na reprodução sexuada colabora para a formação da variabilidade genética das populações. A Revista Brasileira de Ensino de Genética tem alguns materiais que podem ajudar nessa atividade (veja aqui).
Os dois exercícios propostos acima podem ser aproveitados para uma terceira atividade. Dividida a turma em grupos: cada grupo deverá pesquisar algumas características fenotípicas encontradas nos rostos de seus membros. Existe uma série delas como o formato dos olhos, grossura de sobrancelhas e lábios, covinhas, largura do nariz, formato do queixo, o bico de viúva dos cabelos e outros. O professor pode adiantar que essas características se comportam de acordo com o modelo monogênico que segue a primeira lei de Mendel. Assim, os alunos, conforme as características de suas famílias, vão deduzir se são dominantes, recessivos e se as características mencionadas são ou não ligadas ao sexo. Em seguida, peça que os alunos construam um modelo representativo de seus cromossomos, com os alelos herdados dos pais, e simulem o cruzamento com os cromossomos de outros colegas. Os resultados poderão ser mostrados por meio da montagens de fenótipos, que podem ser representados utilizando-se fotografias recortadas no computador com a utilização de programas de edição de imagens. 


3ª Etapa: investigação sobre epigênese na população de gêmeos univitelinos
Conte à turma que apesar de gêmeos univitelinos serem clones genéticos seus fenótipos não são absolutamente iguais. Podemos atribuir isso a uma manifestação geral de fenômenos epigenéticos. Para confirmar a ocorrência desse fenômeno, estimule-os a entrevistar e coletar dados de gêmeos comparando essas características. Sugira que coletem informações sobre peso, altura, impressão digital, formatos do rosto e outros detalhes ou ainda marcas que os gêmeos puderem contar e mostrar. Dados sobre padrões de comportamento podem ser importantes desde que sejam consistentemente diferenciados. Outros dados ainda podem ser coletados, como história pessoal e familiar, padrões de dieta e exercícios físicos. As diferenças observadas nos gêmeos podem ser interpretadas em face das diferenças fenotípicas registradas.


Avaliação
Cada etapa poderá se avaliada de modo distinto. Na primeira etapa, o professor poderá pedir que os alunos montem e entreguem um glossários de conceitos e termos de genética. Na segunda e terceira etapas, os grupos de trabalho deverão entregar relatórios mostrando seus resultados.

Quer saber mais?
Microgene: atividades para o ensino de Bilogia 
Amabis J. M. e G. R. Martho. Biologia das populações. Volume 3. Moderna, São Paulo, 2004. (Suplemento do Professor cap. 8).

Consultoria Ricardo Paiva
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, em São Paulo


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-biologia-genetica-determinando-padroes-heranca-785616.shtml