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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Exemplo de questionário para avaliar como sua escola aborda o racismo

Adaptadas do modelo da CMEB Mário Leal da Silva, as perguntas abaixo auxiliam você a fazer um diagnóstico, junto aos professores e à equipe, de como as questões raciais são tratadas na sua instituição

Assinale a alternativa que corresponde à realidade do seu ambiente escolar
1.      A trajetória histórica do negro é estudada: 
A-    No Dia da Abolição da Escravatura, em agosto, mês do folclore, e no Dia da Consciência Negra. 
B-     Como conteúdo, nas várias áreas que possibilitam tratar o assunto. 
C-     Não é estudada.

2.      Acredita-se que o racismo deve ser tratado:
A-    Pedagogicamente pela escola. 
B-     Pelos movimentos sociais. 
C-     Quando acontecer algum caso evidente na escola.

3.      A cultura negra é estudada: 
A-    Como parte do rico folclore do Brasil. 
B-     Como um instrumento da prática pedagógica. 
C-     Quando é assunto da mídia.

4.      O currículo: 
A-    Baseia-se nas contribuições das culturas europeias representadas nos livros didáticos. 
B-     Constrói-se baseado em metodologia que trata positivamente a diversidade racial, visualizando e estudando as verdadeiras contribuições de todos os povos. 
C-     Procura apresentar aos alunos informações sobre os indígenas e negros brasileiros.

5.      O professor: 
A-    Posiciona-se de forma neutra quanto às questões sociais. É o transmissor de conteúdos dos livros didáticos e manuais pedagógicos. 
B-     Reavalia sua prática refletindo sobre valores e conceitos que traz introjetados sobre o povo negro e sua cultura, repensando suas ações cotidianas. 
C-     Tem procurado investir em sua formação quanto às questões raciais.

6.      O trato das questões raciais: 
A-    É feito de forma generalizada, pois a escola não tem possibilidade de incidir muito sobre ele. 
B-     É contextualizado na realidade do aluno, levando-o a fazer uma análise crítica dessa realidade, a fim de conhecê-la melhor, e comprometendo-se com sua transformação. 
C-     Não é considerado assunto para a escola.

7.      As diferenças entre grupos etnoculturais: 
A-    Não são tratadas, pois podem levar a conflitos. 
B-     Servem como reflexão para rever posturas etnocêntricas e comparações hierarquizantes. 
C-     São mostradas como diversidade cultural brasileira.

8.      As situações de desigualdade e discriminação presentes na sociedade são: 
A-    Pontos para reflexão para todos os alunos. 
B-     Pontos para reflexão para os alunos discriminados. 
C-     Instrumentos pedagógicos para a conscientização dos alunos quanto à luta contra todas as formas de injustiça social.

9.      Acredita-se que, para fortalecer o relacionamento, a aceitação da diversidade étnica e o respeito, a escola deve: 
A-    Promover o orgulho ao pertencimento racial de seus alunos. 
B-     Procurar não dar atenção para as visões estereotipadas sobre o negro nos livros, nas produções e nos textos do material didático. 
C-     Promover maior conhecimento sobre as heranças culturais brasileiras.

10.  Quanto à expressão verbal: 
A-    Acredita-se que a linguagem usada no cotidiano escolar tem o poder de influir nas questões de racismo e discriminação. 
B-     Usam-se eufemismos para se referir a etnia dos alunos, para não ofendê-los. 
C-     A linguagem não tem influência direta nas questões raciais.

11.  Quanto ao trabalho escolar: 
A-    Alguns professores falam da questão racial em determinadas etapas do ano letivo. 
B-     Existe resistência dos professores para tratar a questão racial com relação à luta contra todas as formas de injustiça social.
C-     Existe um trabalho coletivo sobre a questão racial com a participação de todos, inclusive da direção e dos funcionários. 

12.  Quanto à biblioteca: 
A-    Existem muitos e variados livros sobre a questão racial que contemplam alunos e professores. 
B-     Existem alguns tipos de livros (dois ou três) que contemplam a questão racial. 
C-     Não existem livros sobre o tema.

13.  Quanto à capacidade dos professores sobre a questão racial: 
A-    Algumas vezes no ano fazemos cursos ou grupos de estudo sobre a questão racial. 
B-     Ainda não tivemos a oportunidade de estudar a questão. 
C-     Procuramos incorporar o assunto nas discussões de reuniões pedagógicas, grupos de estudo e momentos de formação.

14.  No trato das questões de gênero: 
A-    A homossexualidade é percebida e discutida no espaço escolar. 
B-     Há um trabalho efetivo de combate à homossexualidade na escola. 
C-     Não se considera a homossexualidade um assunto a ser discutido na escola.

15.  As discussões sobre a questão da mulher: 
A-    Não se discute com os alunos a história da discriminação das mulheres na sociedade. 
B-     A situação feminina é tratada em momentos pontuais, como no Dia Internacional da Mulher. 
C-     A questão da mulher é amplamente discutida e incorporada aos conteúdos curriculares.

16.  Quanto à abordagem sobre populações indígenas: 
A-    A temática é tratada considerando as informações de livros didáticos e no Dia do Índio.
B-     Existe resistência dos professores para trabalhar criticamente essa temática. 
C-     A escola procura romper com os estereótipos que inferiorizam a cultura destes povos.

Gabarito

Resultado:
Até 06 pontos 
1-      Fase da individualidade 
A questão racial ainda é tabu na escola, que se mantém silenciosa quando o assunto é discriminação. A diversidade étnica é desconsiderada, mesmo que tenha muitos alunos de diferentes origens em sua escola. Enquanto isso, as crianças perdem a oportunidade de formar valores essenciais para uma convivência harmônica em sociedade. Que pena.

De 07 a 18 pontos 
2-      Fase da negação 
Embora a maioria dos professores negue a existência do racismo na sociedade e no ambiente escolar, o assunto começa a ser discutido na sua escola. No currículo, a cultura negra é considerada folclore e a história do povo negro não é exemplo de luta pela cidadania. Na tentativa de amenizar a situação, alguns professores apenas comentam a questão no Dia da Abolição da Escravatura e no Dia da Consciência Negra, não é mesmo?

De 19 a 24 pontos 
3-      Fase do reconhecimento 
Muito bem! Sua escola está no caminho correto, pois reconhece a necessidade urgente de transformar o ambiente em um espaço de luta contra o racismo e a discriminação. Os alunos aprenderam conceitos sobre os diferentes grupos presentes na sociedade e a realidade de cada um é reconhecida e trabalhada. Continue a enfrentar esse belo desafio.

26 pontos ou mais 
4-      Fase do avanço 
Parabéns! Sua escola progrediu bastante para construir-se verdadeiramente democrática. Visualiza com dignidade os diversos grupos étnicos e usa suas contribuições como ferramentas pedagógicas no trato da diversidade. Certamente, os alunos negros de sua escola têm a autoestima elevada e orgulho de sua origem. Todos os alunos reconhecem a necessidade de respeitar as diferenças e sabem que elas não significam superioridade nem inferioridade.


http://gestaoescolar.abril.com.br/comunidade/questionario-diagnostico-racismo-532722.shtml
TESTE
O que você sabe sobre a escravidão no Brasil?
Neste teste, apresentamos cinco questões para você verificar seus conhecimentos em relação à escravidão no Brasil
Muitos professores de História ainda possuem dúvidas sobre os conteúdos relativos à escravidão no Brasil. Conhecer alguns aspectos desse período pode ajudar os alunos a entender a realidade social e econômica do Brasil hoje, bem como saber as raízes do preconceito racial no país. Responda às perguntas. Ao final de cada uma, apresentamos a alternativa que demonstra maior grau de conhecimento. A consultoria é de Juliano Sobrinho, professor de História da Universidade Nove de Julho e doutorando no Programa de História Social pela Universidade de São Paulo (USP).



http://revistaescola.abril.com.br/testes/escravidao-brasil.shtml

sábado, 1 de novembro de 2014

MUDANÇA NA PRÁTICA

A websérie mostra quatro escolas que se depararam com resultados ruins nas avaliações externas e resolveram implantar mudanças a favor da aprendizagem dos alunos. Depois de alguns anos de trabalho estruturado, elas tiveram melhorias surpreendentes. Assista aos vídeos e entenda como elas conseguiram avançar tanto

Episódio 2 - Lançamento em 12 de novembro

Episódio 3 - Lançamento em 26 de novembro

Episódio 4 - Lançamento em 10 de dezembro


http://gestaoescolar.abril.com.br/webserie/mudanca-na-pratica/

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Uma criança igual às outras


A mãe de um aluno da turma de 4 anos marcou uma reunião comigo e com a diretora da escola. Seu filho, apesar de ser novato na instituição, já havia se adaptado à rotina, à professora e aos colegas. Então, nossa hipótese para o motivo da conversa era que ela gostaria de obter mais informações sobre o projeto pedagógico e quais seriam as aprendizagens da turma, já que, desde o início do ano, a família se mostrava muito participativa e atenta às orientações escolares.
A razão da reunião, no entanto, era completamente diferente. A mulher e o marido queriam comunicar à escola que o filho era portador do vírus HIV.
A notícia foi muito inesperada. Eu e a diretora chegamos a nos perguntar como uma criança que estava sempre correndo e brincando ativamente com os colegas no parque poderia ser portadora de um vírus tão grave?
O casal nos disse que, até o momento, não pretendiam compartilhar tal diagnóstico com toda a escola para evitar que a criança fosse tratada de maneira diferente. No entanto, na semana anterior, a mãe havia presenciado uma das professoras cuidando de um ferimento no joelho de uma garotinha da sala de seu filho sem qualquer proteção de luvas, enquanto outras crianças consolavam a colega. A atitude era muito zelosa por parte de todos, porém, não havia nenhum cuidado com relação à prevenção de contato com o sangue.
De fato, eu e a diretora reconhecemos que, muitas vezes, nem nós usávamos luvas ao socorrer as crianças, apesar de a Secretaria da Saúde ter nos orientado a usá-las sempre em qualquer procedimento, como lavar, estancar e socorrer pequenos acidentes que, numa escola de Educação Infantil, acontecem quase diariamente. Em geral, minha prioridade era acalmar os professores e as crianças quando algo acontecia.
Bem, depois do impacto da notícia, a família nos contou a história da criança. O casal havia adotado o menino quando a mãe biológica faleceu em decorrência da Aids, alguns dias depois do parto. Eles sabiam que ele era soropositivo e garantiam o acompanhamento médico constante.
Nessa reunião, resolvemos respeitar a vontade dos pais e não contar para mais ninguém da escola sobre o diagnóstico do menino. O que faríamos seria compartilhar com todos os funcionários e professores que tínhamos um aluno portador do vírus HIV, mas sem identificá-lo. Assim, todos deveriam prestar muita atenção com a proteção durante o tratamento de ferimentos.
O grupo todo recebeu a notícia com respeito e ninguém ficou questionando quem poderia ser a criança. A equipe escolar concordou que esse era um bom alerta, pois, com o passar do tempo, acabamos deixando de lado as orientações que havíamos recebido. Relembramos, então, onde estavam as diversas caixas com luvas descartáveis e deixamos uma em cada sala, em cima do armário de alvenaria, longe do alcance das crianças, mas facilmente acessível por adultos. Além disso, deixamos uma caixa na janela do banheiro, visto que era lá que lavávamos os ferimentos.
A criança portadora de HIV continuou brincando e sendo feliz, sem ter seu estado de saúde exposto para ninguém. Essa ação evitou que, de alguma maneira, ela fosse tratada de maneira diferente, sendo protegida demais ou, por outro lado, fazendo com que alguém ficasse com medo de abraçá-la ou beijá-la, atitudes que não trariam qualquer risco a ninguém.
E na sua escola, você já passou por uma situação semelhante?
Um abraço, Leninha


http://gestaoescolar.abril.com.br/blogs/coordenadoras/2014/06/24/uma-crianca-igual-as-outras/