domingo, 30 de novembro de 2014

Manoel de Barros: vida e versos para todas as idades

O poeta, vencedor de dois Prêmios Jabutis e admirado até por Carlos Drummond de Andrade, é autor de uma obra grandiosa. Conheça mais a respeito e enriqueça suas aulas sobre poesia

O escritor mais famoso de Itabira, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, Carlos Drummond de Andrade, disse certa vez que não era o maior poeta brasileiro vivo. Havia Manoel Wenceslau Leite de Barros. Ou melhor, Manoel de Barros, autor de linhas e rimas cheias de profundidade sobre simplicidades do dia a dia, as sutilezas das coisas "desimportantes". Do "apogeu do chão e do pequeno". 

Barros nasceu em Cuiabá, no dia 19 de dezembro de 1916. Quando criança, ele passou boa parte de seus dias no internato. Ao terminar a escola, foi para o Rio de Janeiro onde se formou em Direito. Depois do casamento com Stella voltou para o Pantanal e assumiu uma fazenda de gado recebida como herança. Lá, viveu até o fim da vida, em novembro de 2014.

Cronologicamente, o poeta pertence à terceira geração modernista, de 1945, assim como João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e João Guimarães Rosa (1908-1967). Os autores dessa fase ficaram conhecidos pelo apuro com as letras e menor apego a padrões estéticos. Isso não significa que seja simples classificar a poesia de Barros em modernista, de vanguarda ou pós-moderna. "Buscar uma classificação talvez seja uma forma inadequada de abordar uma poesia que questiona os padrões de uma sociedade obcecada com informação, classificação e eficiência", comenta Rodrigo Franklin de Sousa, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutor em Letras pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. 

Com o tempo, o escritor conquistou notoriedade no meio literário. Foi vencedor do Prêmio Jabuti duas vezes, em 1990 e 2002, com as obras "O guardador de águas" (1989) e "O fazedor de amanhecer" (2001). Seus leitores não são apenas brasileiros. Os livros do poeta foram traduzidos e publicados na França, nos Estados Unidos, na Espanha e em Portugal. Em 2008, sua trajetória e as peculiaridades dos seus poemas foram tema do documentário "Só dez por cento é mentira", de Pedro Cezar: 
https://www.youtube.com/watch?v=XCMczEBuII4
 

Obras
No site da Fundação Manoel de Barros (http://www.fmb.org.br/), uma frase do próprio poeta explica bem o que se encontra nos seus livros:
"O que escrevo resulta de meus armazenamentos ancestrais e de meus envolvimentos com a vida. Sou filho e neto de bugres, andarejos e portugueses melancólicos. Minha infância levei com árvores e bichos do chão. Penso que a leitura e a frequentação das artes desabrocha a imaginação para um mundo mais puro. Acho que uma inocência infantil nas palavras é salutar diante do mundo tão tecnocrata e impuro. Acho mais pura a palavra do poeta que é sempre inocente e pobre"

Veja abaixo uma lista de títulos, além de publicações sobre o literato. Certamente elas vão enriquecer suas aulas sobre poesia. E são, sem dúvida, ótima leitura para as horas livres. Aproveite!

Títulos infantis
Exercícios de Ser Criança
, Manoel de Barros, 48 págs., Editora Salamandra, tel. (11) 2076-7900, 39 reais

O Fazedor de Amanhecer, Manoel de Barros, 48 págs., Editora Salamandra, tel. (11) 2076-7900, 39 reais

Memórias inventadas para crianças, Manoel de Barros, 32 págs., Planeta Editorial, tel. (11) 3087-8848, 24,90 reais

Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo (poemas ilustrados em vídeo por Evandro Salles, feito por Lumen Argo)
https://www.youtube.com

Para saber mais sobre o autor 
Manoel de Barros, o Demiurgo de Terras Encharcadas - Educação pela Vivência do Chão
 - , Cristina Campos, 320 págs., Editora Tanta Tinta, tel. (65)3023-5714, 24,90 reais

Manoel de Barros, o Poeta do Deslimite, Elton Luiz Leite de Souza, 140 págs., Editora 7 Letras, tel. (21)2540-0076, 29 reais 

Por trás do Silêncio de Manoel de Barros: uma Análise da Construção Poética do Alterego do Poeta, Dayvson Fabiano e Alexandre Furtado. Publicado no volume 1 do Ano 4 da Revista Formação. Disponível no link: http://ww2.upe.br/portal

Só dez por cento é mentira, a desbiografia poética de Manoel de Barros - poesia, vida & documentário, Maria Cristina Cardoso Ribas. Disponível no link: http://revistaalceu.com.puc-rio.br

Coletâneas de poemas 
A Biblioteca de Manoel de Barros, Manoel de Barros, 912 págs., Editora Leya, tel. (11) 3129-5448, 179,90 reais

Compêndios para uso de pássaros, Manoel de Barros, 56 págs., Editora Leya, tel (11) 3129-5448, 19,90 reais

Escritos em Verbal de Ave, Manoel de Barros, 14 págs., Editora Leya, tel (11) 3129-5448, 34,90 reais

Poesia Completa, Manoel de Barros, 480 págs., Azougue Editorial, tel (21) 3259-7712, 36 reais



O sistema político no Brasil

Objetivo(s)
- Discutir o funcionamento do sistema político e de governo no Brasil
- Estabelecer uma reflexão crítica sobre a atuação do cidadão no controle da representação política na relação entre eleitores e representantes eleitos
Conteúdo(s)
- Organização política do Estado brasileiro
- Eleições e partidos políticos
- Estado e governo
- Formas e sistemas de governo

Ano(s)                                      1º                2º                3º

Tempo estimado                      Quatro aulas

Material necessário
Reportagem de VEJA:
- Papel, cartolina, tinta, canetas e marcadores coloridos, e outros materiais para confecção de cartazes

Desenvolvimento
1ª etapa
Aproveite mobilização popular nas recentes manifestações para apresentar e discutir o sistema político brasileiro e a crise de representatividade que ele enfrenta.
Introdução
A recente onda de manifestações populares ocorrida no Brasil expôs diversas contradições e limitações do sistema político do país. Inicialmente voltadas para questões pontuais e específicas (como o aumento da passagem de transporte público em São Paulo), as passeatas, atos e manifestações se espalharam pelo Brasil, gradativamente questionando problemas mais amplos e, em última instância, o próprio sistema político brasileiro. Essa insatisfação manifestada nas ruas se baseia, em grande medida, na noção de que os políticos exercem suas funções de forma muito afastada dos anseios e necessidades dos eleitores, muitas vezes se aproveitando da burocracia estatal para a realização de seus interesses particulares e manutenção de seus privilégios.

Esta sequência didática pretende analisar e problematizar esse argumento, apresentando elementos para a análise do funcionamento do sistema político e democrático brasileiro e o papel dos políticos e eleitores. Para isso, utiliza os eventos recentes como uma forma de abordar o tema e apresentar a discussão sobre as demandas apresentadas nas manifestações populares, o funcionamento do Governo no Brasil e o papel de políticos, partidos e eleitores na vida pública do país. Além disso, a sequência busca estimular os alunos a refletirem sobre as demandas apresentadas pelos protestos recentes.

Atividade
Inicie a aula com um bate-papo informal para saber a opinião da turma sobre as recentes manifestações populares. Eles estão acompanhando os acontecimentos? Em caso positivo, como? Eles participaram dos atos e manifestações? Quais as causas e reivindicações que eles julgam mais importantes? Por quê? Eles avaliam os acontecimentos recentes como algo importante?
Para complementar a discussão, distribua as cópias da entrevista de Veja "A voz que emergiu das ruas" e realize uma leitura dirigida. Incentive os alunos a fazerem anotações sobre suas dúvidas, curiosidades e pontos de interesse. Além disso, sugira que eles tentem enumerar as diversas queixas, demandas e reivindicações apontadas pelo entrevistado (por exemplo: "corrupção", "impunidade", "gastos públicos com a Copa do Mundo", "PEC 37", "aumento das passagens" etc.). Estimule a turma a apontar outras exigências surgidas "nas ruas" que eventualmente não tenham sido mencionadas pelo entrevistado. Em seguida, promova também a leitura da entrevista intitulada "Ao povo o que é do povo". Peça que a turma compare os dois textos: depois de mais de um ano da grande mobilização popular, em junho de 2013, algo mudou? As reivindicações ainda são as mesmas? Quais foram as providências tomadas?    
Relembre a turma que, durante o momento de maior participação nos atos de rua, um dos gritos entoados manifestava o descontentamento pela presença de militantes de partidos nas ruas. Problematize com a turma as consequências do eventual esvaziamento do sistema representativo organizado em torno de partidos políticos e grupos de interesse da sociedade civil. Quais seriam as opções de organização política diante de um eventual "vácuo de representação"? Por outro lado, tente entender com a turma quais são os fatores que levaram boa parte das pessoas a manifestar seu repúdio às instituições representativas.
Ao final das leituras, utilize o quadro para anotar de forma sistematizada os diferentes pontos destacados pela turma. Faça com que eles analisem criticamente os pontos enumerados, identificando os problemas e sugerindo as possíveis formas para sua resolução. Mantenha um registro desses pontos para as próximas etapas da sequência didática.

2ª etapa
Com base nos pontos levantados na etapa anterior, aprofunde a discussão sobre as demandas apresentadas pelas recentes manifestações populares. Estimule a conversa propondo questões como: Quem são os responsáveis pela resolução dos problemas apontados? No Brasil, a quem cabe a criação das leis? Quem são os responsáveis pelos serviços públicos? Quais as diferenças nos papéis e atribuições de diferentes governantes? Quem são os profissionais responsáveis pelo cumprimento das leis?

Para guiar a conversa, utilize o texto de apoio abaixo:

A organização política no Brasil

Em diversas nações do mundo e no Brasil contemporâneo, o poder e atividades governamentais baseiam-se no princípio da divisão em três poderes: executivo, legislativo e judiciário. Em termos conceituais, essa divisão é baseada nas ideias de pensadores iluministas, como John Locke (1632 - 1704) e Charles de Montesquieu (1689 - 1755), e visa evitar os desvios e distorções caracterizados pela centralização dos poderes de governo em um indivíduo ou grupo social, como é o caso dos regimes autoritários e das antigas monarquias absolutistas. Assim, de acordo com Montesquieu, esse modelo tripartite implica não apenas em uma divisão das funções de governo necessárias a um Estado democrático, mas também em mecanismos de controle mútuo entre os diferentes poderes, de forma que nenhum deles se sobressaia, cometendo desvios que possam prejudicar os cidadãos.

O poder executivo é encarregado de realizar as diferentes tarefas administrativas necessárias ao bem comum, observados os limites determinados pelas leis vigentes. No Brasil, é formado por órgãos de administração direta, como ministérios e secretarias, e indireta, como empresas públicas e autarquias.

Por sua vez, o poder legislativo é incumbido da elaboração das leis, por meio das atividades de representantes democraticamente eleitos. Também cabe ao legislativo a aprovação de projetos de lei propostos pelo poder executivo, assim como a fiscalização de suas atividades administrativas (como, por exemplo, a correta destinação de recursos públicos).

A tarefa de interpretação das leis, de garantir os direitos individuais e coletivos e de mediar conflitos é de responsabilidade do poder judiciário. Cabem a esse poder o julgamento e a determinação de penas para indivíduos ou entidades que não estejam agindo de acordo com as leis.

Além da divisão dos poderes, as funções de governo no Brasil são divididas também em três diferentes esferas: federal, estadual e municipal. A cada uma dessas esferas correspondem diferentes atribuições, mecanismos administrativos e até mesmo sistemas de tributação. Dessa maneira, apesar de representarem o poder executivo, o Presidente da República, os governadores dos estados e os prefeitos possuem atribuições e responsabilidades distintas, de acordo com sua esfera de atuação. Por exemplo, no caso do sistema educacional brasileiro, existe uma divisão de responsabilidades entre municípios, estados e governo federal: aos municípios cabe o gerenciamento de pré-escolas e do ensino fundamental; os estados devem organizar a oferta de ensino médio, mas atuando com os municípios no ensino fundamental; ao governo federal, cabe a regulação do sistema como um tudo e, de forma específica, do ensino superior.

De forma semelhante, o poder legislativo se divide em diversas esferas com organizações distintas: câmaras de vereadores no caso dos municípios, assembleias legislativas unicamerais no caso dos estados, e o Congresso Nacional (composto pela Câmara dos Deputados e o Senado) no nível federal. No caso do poder judiciário também se observa uma divisão entre órgãos e tribunais federais e estaduais. No entanto, não existem tribunais municipais. Nesse caso, um certo número de municípios podem compor uma comarca, sob o comando de um juiz de direito.

Em seguida, procure relacionar o conteúdo abordado na etapa anterior e as informações sobre a organização política no Brasil, os diferentes poderes e esferas. Instigue os alunos a pensarem nos problemas específicos, tentando relacioná-los com as diferentes atribuições dos poderes e esferas de governo. Se preferir, organize as respostas e intervenções dos alunos de acordo com os exemplos abaixo:

Demanda ou problema
Poder responsável
Esfera responsável
Aumento da passagem de ônibus em SP
Executivo
Municipal
Projeto de emenda constitucional 37
Legislativo
Federal
Prisão dos "mensaleiros"
Judiciário
Federal

É possível que certos problemas e reivindicações levantados anteriormente (com base na entrevista de Veja ou sugeridos pela turma) não se enquadrem no esquema proposto acima, como no caso de demandas mais amplas como o "fim da corrupção". Nesses casos, estimule os alunos a explorar a questão, sugerindo causas e soluções para os problemas apontados, e também possíveis formas de atuação dos diferentes poderes que compõe os governos no Brasil.

3ª etapa
Recapitule rapidamente os conteúdos abordados nas etapas anteriores. Procure se certificar que a turma compreendeu que, dadas as condições do sistema político brasileiro atual, certas demandas surgidas nas recentes manifestações podem ser diretamente vinculadas a um dos poderes responsáveis e a respectiva esfera governamental (municipal, estadual ou federal). Para exemplificar esse ponto, você poderá citar os casos da tarifa do transporte coletivo em São Paulo (reduzida por determinação conjunta do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, em 19/06/2013) e do Projeto de Emenda Constitucional 37 (derrubada pelos deputados federais em 26/06/2013). Discuta com os alunos a importância da mobilização e pressão populares para essas duas decisões políticas recentes.
Em seguida, retome a discussão a respeito de causas mais amplas. Utilize o exemplo do movimento União Contra a Corrupção (UCC), citada na matéria de Veja. Na opinião dos alunos, movimentos dessa natureza são válidos? Quais seus principais argumentos? Como eles podem influenciar os políticos? Seus objetivos são realizáveis? É possível reverter o quadro de corrupção na política brasileira? Como?

Para avançar o debate, faça uma exposição baseada no texto abaixo:
Para entender a corrupção

Muitas vezes a corrupção parece ser um fenômeno constante na política brasileira. É quase impossível as pessoas discutirem as atividades dos políticos no Brasil sem alguma menção ao ato de "tirar vantagem", ou de uso da posição ou cargo público em proveito próprio. A condenação da sociedade é forte: recentemente (e em resposta aos protestos recentes) foi aprovada no Senado o Projeto de Lei que altera o Código Penal, transformando a corrupção ativa e passiva, o peculato, a concussão e o excesso de exação (cobrança de impostos indevidos) em crimes hediondos (saiba mais aqui). (http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/senado-aprova-projeto-que-torna-corrupcao-crime-hediondo )
Ainda que medidas como essa sejam um passo importante para a resolução desse problema, não há esperanças de que o problema se resolva tão cedo. Sobretudo, é preciso entender e reconhecer que esse é um problema histórico da nação brasileira, e não apenas da política, em um sentido estrito. Para especialistas como Raymundo Faoro e Roberto DaMatta, as origens históricas da corrupção no Brasil remontam a nosso passado colonial e patrimonialista.
De forma mais detalhada, segundo DaMatta (leia entrevista aqui) (http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/roberto-damatta-sobra-dinheiro-falta-vigilancia/ ), tratam-se de "velhas práticas que já se observavam à chegada de dom João VI. Quando desembarcou no Rio de Janeiro, um de seus primeiros atos foi confiscar um lote de casas para dar de presente à corte. Mais tarde, o então imperador dom Pedro I sairia distribuindo títulos de nobreza aos parentes da marquesa de Santos, então sua amante." Mesmo com o advento da República e a chegada do capitalismo, a sociedade brasileira estaria ainda presa às práticas de seu passado colonial.

Patrimonialismo: trata-se de uma confusão entre os limites do público e privado. Em regimes políticos caracterizados pelo patrimonialismo, uma pequena classe ou grupo detém o poder e o controle da burocracia e bens do Estado. Para o sociólogo Max Weber, o patrimonialismo é uma forma de dominação essencialmente tradicional, característica de regimes antigos.

A historiadora Denise Moura, ao comentar a corrupção em diversos níveis da burocracia colonial brasileira afirma que a coroa portuguesa, incentivava os desbravadores e imigrantes vindos da Europa com diversos favores e regalias, de forma a garantir a ocupação e colonização do Brasil. Segundo ela, "a coroa portuguesa estimulava pessoas e dizia: 'vão para o interior e podem mandar à vontade por lá', na tentativa de garantir a soberania do império com alguém morando no local" (leia artigo aqui). (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/11/121026_corrupcao_origens_mdb.shtml )

É preciso notar também que a reprodução das práticas de corrupção e uso indevido dos recursos públicos está diretamente relacionada ao "jeitinho brasileiro", isto é, um traço de comportamento do povo brasileiro, caracterizado pela tolerância à transgressão das regras formais estabelecidas. Em sua forma mais branda, é uma forma do cidadão brasileiro "contornar" restrições objetivas para obter um resultado imediato. De certa forma, é uma resposta criativa às restrições burocráticas do Estado, onde o indivíduo comum tem poucas formas de atuação e influência. Infelizmente, se apresenta também nas práticas de funcionários públicos e pessoas em posição socioeconômica privilegiada, que constantemente utilizam o recurso do "você sabe com quem está falando?" para obter vantagens ou para contornar as leis.

Assim, de certa forma, é possível afirmar que o Brasil é um país dividido entre um modelo antigo, tradicional e patrimonialista, e processos de modernização e massificação, característicos dos Estados burocráticos modernos, onde o Estado é supostamente neutro, tratando os cidadãos de forma indistinta perante as leis e o governo.

Para concluir esta etapa, discuta o texto e a questão da corrupção com a turma. Para estimular a conversa, utilize perguntas como: a corrupção é exclusividade dos políticos? Ela pode ser localizada em apenas um setor ou atividade, ou é um traço característico do Brasil? O "jeitinho" e o favorecimento pessoal ainda prevalecem no Brasil? Esse é um problema exclusivo do sistema político? Como combater um problema que está enraizado na cultura do país? Quais as soluções para o problema da corrupção apontadas pelo movimento UCC? Qual o papel do eleitor?

4ª etapa
Nesta etapa, divida a turma em grupos de quatro ou cinco alunos. Em seguida, sugira que os grupos realizem uma discussão crítica e uma breve apresentação sobre os tópicos abaixo, relacionados com a atividade e o sistema político no Brasil. Se preferir, você pode dividir as tarefas entre os grupos, de forma que cada grupo discuta e apresente um ou dois temas específicos. Incentive a participação de todos nessa atividade!

Estado e governo: a palavra Estado (com a letra "E" maiúscula) diz respeito à organização política, jurídica e social de um determinado território geográfico, dirigida por um governo e regulamentada por um conjunto de leis. Dessa forma, o Estado é uma entidade que se mantém ao longo do tempo (excetuando-se em casos de revoluções ou secessões) e pode corresponder de forma ampla com a ideia de nação. Por sua vez, os governos de um determinado Estado podem se alterar, tanto em relação aos indivíduos que o compõe, quanto do ponto de vista de sua organização. Pense nos seguintes exemplos: a Proclamação da República representou uma mudança na forma de governo no Brasil (de monarquia para um modelo republicano), mas manteve o mesmo Estado. Da mesma forma, as eleições gerais (como a ocorrida em 2010) proporcionaram uma mudança no governo, enquanto a unidade do Estado brasileiro se manteve.

Sistema político ou forma de governo: são as formas de organização das instituições políticas em um Estado. Os regimes democráticos podem assumir diferentes formas de governo: no caso brasileiro, vivemos em um modelo presidencialista, onde o Chefe de Governo é eleito pelo povo; existem ainda as monarquias constitucionais (como no caso do Reino Unido) e os governos parlamentaristas (como, por exemplo, Israel), onde o chefe do poder executivo é apontado pelo conjunto dos representantes eleitos para o poder legislativo.

Democracia representativa: também chamada de democracia indireta, é a forma de democracia onde os membros do governo são eleitos para atuarem, por um determinado período de tempo (mandato), como representantes de um determinado grupo de pessoas. No caso brasileiro, por exemplo, senadores e deputados federais são eleitos para representar os eleitores dos seus diferentes estados de origem. Na prática, é como se os eleitores transferissem sua capacidade política, temporariamente, para outros cidadãos que atuam como representantes do povo junto aos diferentes poderes do governo. No Brasil, os candidatos aos cargos eletivos devem estar associados a um partido político.

Partido político: é uma organização política-burocrática, não governamental, que agrega indivíduos com interesses e ideologias diferentes. No mundo ocidental, não existe democracia sem a existência de partidos políticos que representem diferentes ideias, políticas e planos de governo. Em certos casos, diferentes partidos podem se reunir em torno de alianças e coalizões, de forma a conquistar objetivos comuns. No Brasil, durante a maioria do período da ditadura militar, eram apenas dois partidos (sendo proibido, no entanto, o uso da palavra "partido"). Tratavam-se da Aliança Renovadora Nacional (ARENA), a base de sustentação civil do regime militar e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que deveria exercer uma oposição moderada ao regime, mas sem poder exceder o número de representantes eleitos do primeiro. Outras ideologias e partidos eram severamente reprimidos.

Democracia direta: é o termo usado para descrever ações políticas e formas de organização exercidas pelos cidadãos sem mediação de representantes eleitos. É característica de pequenos grupos ou associações (como, por exemplo, organizações de ideologia anarquista), mas também podem existir em nível nacional, como no caso da Suíça (onde, em ações políticas regionais, uma maioria simples é suficiente para aprovar uma lei proposta por um cidadão). No Brasil, o termo é usado para se referir a formas de consulta aos cidadãos que não envolvam seus representantes eleitos, como os plebiscitos.

Plesbicito, referendo e iniciativa popular: são formas de democracia direta no sistema brasileiro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, são "consultas ao povo para decidir sobre matéria de relevância para a nação em questões de natureza constitucional, legislativa ou administrativa." O plebiscito é convocado anteriormente à criação de uma lei ou ato administrativo, ao passo que um referendo é convocado posteriormente, para a aceitação ou rejeição de uma medida de governo ou lei. Uma iniciativa popular é a apresentação de um projeto de lei apoiada por no mínimo, 1% do eleitorado nacional, distribuídos em ao menos cinco estados. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, surgiu de uma iniciativa popular.

Organize a apresentação dos temas pelos grupos e a discussão com a turma. Incentive os alunos a relacionarem essa discussão com os temas abordados anteriormente, a entrevista de Veja e os recentes protestos populares. Estimule a galera a pensar e reavaliar os protestos com o auxílio dos conteúdos apresentados.

5ª etapa
Reserve a última etapa para que os alunos, de forma individual ou em duplas, confeccionem cartazes ou faixas inspirados nos protestos recentes. Permita que eles abordem temas que consideram importantes para a melhoria do sistema político e de governo no Brasil, ou demandas específicas relacionadas com os problemas de sua cidade ou bairro. Procure lembrá-los da importância do equilíbrio entre temas amplos, nacionais e as questões e problemas locais, da comunidade ou município. Além da confecção dos cartazes, peça que os alunos elaborem explicações sobre as demandas expressas: qual a importância do tema exposto? Quais as sugestões para melhoria? Quem são os responsáveis envolvidos? Dadas as características do sistema brasileiro, qual o papel do eleitor e cidadão?

Avaliação
Os alunos serão avaliados por sua participação nas aulas, compreensão dos temas e sua capacidade de raciocínio crítico. Considere também a criatividade e a qualidade dos cartazes produzidos e da argumentação elaborada.

Para saber mais:
Raymundo Faoro. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. 3. ed. rev. São Paulo: Globo, 2001.
Roberto da Matta. O que faz o brasil, Brasil? São Paulo: Rocco, 1997.



Gravitação e velocidade: como é possível lançar objetos no Universo?

Objetivo(s)
Entender como um objeto se mantém em órbita ao redor de um planeta
Calcular velocidade orbital e velocidade de escape

Conteúdo(s)
Interação gravitacional
O Universo, sua origem e compreensão humana

Ano(s)                           1º                2º                3º

Tempo estimado          Duas aulas

Material necessário
Projetor de imagens 

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
Quem nunca pensou em realizar uma viagem interplanetária? Pegar um foguete e passear alguns dias na Lua, em Marte ou em outro lugar qualquer do Universo? Esse sonho ainda está longe, mas agora já é possível, pelo menos, pensar na sua concretização. É o que mostra a reportagem "Os novos donos do espaço", publicada em VEJA.
 
Outro texto no site de VEJA, "Rosetta: entenda a missão que fez o primeiro pouso em um cometa", aborda um feito inédito: o pouso de um módulo espacial em um cometa, um corpo celeste em movimento. O acontecimento é uma prova do tamanho da curiosidade humana sobre o que está além da atmosfera terrestre. Conhecer a natureza desses elementos é fundamental. Por isso, aproveite as reportagens para introduzir conceitos básicos de Física e Astronáutica com a turma.

 
Para averiguar o que os alunos conhecem e introduzir o tema, comece perguntando:
- Alguém já pensou em ir para o espaço. Para onde? Lua? Marte Saturno?
- Quais são as razões para alguém visitar o espaço?
- O que acontece no sistema solar tem a ver com o nosso dia a dia?
- Por que vale a pena estudar os corpos celestes?

Depois disso, peça que leiam os textos de VEJA. Quando eles terminarem, retome as questões anteriores. Seria possível realizar o sonhe de viajar para fora da Terra? Se eles tivessem dinheiro suficiente, investiriam também em exploração espacial?
 
Em seguida, conte à moçada que uma viagem como essa envolve muito conhecimento sobre Física. Pergunte, então, por que quando soltamos um objeto como o apagador, sem apoio, ele cai? Após as respostas da classe, questione: se é por causa da atração gravitacional, por que a Lua não cai na Terra, já que a gravidade também atua entre elas?




Aguarde as explicações dos alunos e comente que, de fato, a Lua está o tempo todo "caindo", mas não consegue encontrar o solo terrestre. O que acontece é que, como ela realiza um movimento de translação ao redor da Terra, a cada instante cai um pouco e, ao mesmo tempo, anda para o lado, sem conseguir se aproximar do nosso planeta (projete a figura acima para ajudar a explicação). O resultado desse movimento é uma curva fechada denominada órbita.
 
Comente com a classe que, se a Lua cair mais do que andar para o lado, acabará chegando ao chão - como acontece com uma pedra jogada para o alto, por exemplo. Se andar para o lado mais do que cair, sairá da orbita - como acontece no lançamento de foguetes. Portanto, para permanecer em órbita, é necessário cair na mesma proporção que andar para o lado. Isso quer dizer que existe uma velocidade ideal para manter um corpo em órbita em torno de um planeta, chamada velocidade orbital. Para determinar essa velocidade, é necessário recordar que, em situações como essa, a força gravitacional faz o papel de resultante centrípeta (em direção ao centro), ou seja: 

Onde:
m é a massa do corpo;
é a massa do planeta;
G é a constante de gravitação universal;
R é o raio da órbita do corpo
Utilizando essa equação, os dados da tabela abaixo e os dados da reportagem, peça aos alunos que, em duplas, determinem:

a) Qual a diferença entre velocidade orbital de um satélite de massa 1 tonelada para outro satélite de massa 15 toneladas, supondo que ambos estejam à mesma distância da Terra?
b) Qual a velocidade orbital da estação espacial internacional e do Falcon 9?
c) Qual seria a velocidade orbital do Space Ship Two e dos voos comerciais?
d) Supondo que fosse possível a luz ficar em órbita, qual seria o raio dela?
e) Qual a velocidade orbital da Terra em torno do Sol calculada por essa equação? Qual o valor obtido, pensando a órbita da Terra como um movimento circular Uniforme?

DADOS
Dist. mín. e
máx. do Sol
(milhões de Km)
Diâmetro
(Km)
Massa
(Terra=1)
Sol
-----------
1.390.000
332.946
Mercúrio
46-69,8
4.878
0,055
Vênus
107,4-109
12.103
0,82
Terra
147-152
12.756
1,00
Marte
206,7-249,1
6.794
0,11
Júpiter
740,9-815,7
142.984
317,90
Saturno
1.347-1.507
120.536
95,19
Urano
2.735-3.004
51.118
14,54
Netuno
4.456-4.537
49.528
17,15
Dados
Massa da Terra = 5,9742 x 1024 kg
Constante de Gravitação Universal = G = 6,67428 (67) x 10 -11 m3kg-1s-2
Velocidade da Luz = 3.108 m/s

Quando as duplas terminarem, mostre a eles que a velocidade orbital não depende da massa do corpo, portanto não há diferença nas velocidades de um satélite de massa 1 ou 15 toneladas. Comente, também, que a luz entraria em órbita a uma distância de aproximadamente 4 mm do centro da Terra, o que é impossível, e que a velocidade orbital da Terra obtida pela equação (~30.000 m/s) é compatível com aquela obtida utilizando o modelo de movimento circular uniforme, ou seja:




Para encerrar, peça aos alunos que pensem na seguinte questão: O que acontece com uma pedra lançada horizontalmente com velocidade de 10m/s? E com velocidade de 10 km/s? A resposta para isso será discutida na próxima etapa!

2ª etapa
Retome com os alunos o tema das viagens espaciais, do módulo que pousou no cometa e a questão colocada ao final da última aula. Como é possível escapar do campo gravitacional da Terra e sair vagando pelo espaço?


Imagine que lançamos uma pedra horizontalmente. Se ela for lançada com pouca força, vai adquirir pequena velocidade inicial e cair bem perto de onde foi lançada. À medida que aumentamos a velocidade inicial, ela vai cada vez mais longe. Dessa forma, haverá uma velocidade que poderá fazê-la "cair" fora da Terra (observe a figura acima e projete na sala para ajudar na sua explicação). É o que chamamos de velocidade de escape. Para determiná-la, utilizamos a Conservação da Energia.

Supondo que o corpo tem, ao ser lançado do Planeta, energia cinética e gravitacional e, quando chegar ao infinito (a um local muito distante), suas energias potencial e cinética são nulas (ele vai parar quando chegar lá), podemos escrever que:




Peça que os alunos, trabalhando em duplas, determinem:
a) Qual a velocidade para um corpo de massa 10kg "sair" da Terra? E se ele tiver 10 toneladas?
b) Qual a velocidade de escape para esse mesmo corpo sair do Sol?
c) Uma pedra lançada com velocidade inicial de 10m/s conseguirá escapar da gravidade Terrestre? E se a velocidade for 10km/s?
d) Qual deveria ser o tamanho da Terra para que a velocidade de escape fosse a velocidade da luz? E qual deveria ser o tamanho do Sol?

Quando eles terminarem, discuta que a velocidade de escape de um planeta não depende da massa do corpo, apenas do próprio planeta (ou estrela, no caso do Sol). Para a Terra esse valor é de aproximadamente 11km/s. Portanto, a pedra lançada nos exemplos anteriores não escaparia da Terra.

Para finalizar a aula, explique para a turma que o raio calculado no item (d) é o chamado raio de Schwarzschild - aproximadamente 3 km para o Sol, e aproximadamente 9 mm para a Terra - e corresponde ao raio que um corpo celeste deve ter para tornar-se um buraco negro, pois com esse tamanho e essa massa, nem a luz consegue escapar dele.
Avaliação
Avalie a participação dos estudantes nas atividades. Considere o interesse e a colaboração para as discussões e a solução dos problemas propostos. Fique atento se todos, de fato, aprenderam os conteúdos vistos em sala. 


http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/gravitacao-e-velocidade-como-e-possivel-lancar-objetos-no-universo