sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Como chegamos ao modelo eleitoral atual?

Objetivo(s)
Compreender a importância e a dinâmica das eleições no Brasil com base numa perspectiva histórica
Identificar as principais características do Estado brasileiro em diferentes períodos da República.

Conteúdo(s)
A República no Brasil    
O papel da sociedade civil e dos movimentos sociais na luta pela redemocratização brasileira: O Movimento das “Diretas Já”


Ano(s)                            1º               2º               3º

Tempo estimado           Quatro aulas

Material necessário
- Cópias das reportagens "A anfitriã das eleições" (Veja 2386 - de 13 de agosto de 2014) e "A volta que o mundo deu" (Veja 1772, de 9 de outubro de 2002)
- Computadores com acesso à internet

Reportagem da Veja:

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
Tão ancestral quanto a luta pela livre escolha dos representantes do povo é a acirrada disputa dos candidatos a esses cargos eletivos. Para o mundo ocidental, a democracia tem como referência original a Grécia antiga, em especial a cidade-Estado de Atenas. Foi lá que inicialmente se discutiram a importância das eleições, as dificuldades de governar e a necessidade de ter apoio popular,— isso cinco séculos antes de Cristo.
Até hoje, portanto, em mais de 2500 anos, a democracia e o voto acabaram conhecendo longos períodos de ditadura e o descrédito na escolha de representantes, mas sempre renasceram como elementos indispensáveis para a construção da cidadania. VEJA observa que, em pleno século 21, as promessas giram praticamente em torno dos mesmos temas. A reportagem estende-se, então, a uma grande análise sobre as eleições presidenciais no Brasil e as características de cada campanha em 2002. O assunto presta-se a um estudo mais abrangente sobre os grandes momentos da nossa República.
Utilize as reportagens de Veja para traçar um panorama do recente período democrático no país, inaugurado com a campanha Diretas Já, analisando os principais fatos e arranjos institucionais de cada período e, por fim, discuta com os alunos como ocorrem as alianças partidárias e a elaboração dos programas de governo.
 Encomende uma pesquisa sobre a história das eleições no Brasil independente, com ênfase no período republicano. Alguns dos principais momentos estão mencionados no quadro abaixo. Os resultados podem ser afixados na classe.
É recomendável mencionar alguns fatos que serviram para alinhavar nosso processo eleitoral. Nos quase 200 anos de vida soberana do país, esse processo teve altos e baixos. A Constituição de 1824, por exemplo, criou o voto censitário (segundo a renda do cidadão) e excluiu do jogo eleitoral a ampla maioria da população. Escravos, indígenas, mulatos e brancos pobres não eram considerados cidadãos: somente os que tinham certa renda podiam ser eleitores e candidatos. Portanto, nada impedia que um rico proprietário, ainda que analfabeto, ocupasse algum cargo eletivo— ou escolhesse seu representante no poder. Em 1881, ainda sob a Monarquia, a Lei Saraiva eliminou o pleito censitário, mas impôs que votantes e candidatos fossem alfabetizados.
Vale lembrar que, num primeiro momento, o regime republicano, adotado em 15 de novembro de 1889, manteve a exclusão das mulheres e dos iletrados. Como não havia voto secreto, as fraudes eleitorais marcaram o período: a situação sempre vencia. A lei obrigava o eleitor a votar na frente do mesário. Muitas vezes, nem era o cidadão, mas um assessor do líder local quem votava, preenchendo a ata com nomes previamente combinados.
Desafie os estudantes a comparar as duas ditaduras pelas quais o país passou: o primeiro mandato de Getúlio Vargas e a linha dura resultante do golpe militar de 1964. Em 1965, o regime dos generais extinguiu todos os partidos políticos e impôs duas novas legendas à população: Aliança Renovadora Nacional (Arena), representante do governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição. O Congresso perdeu poder, dezenas de parlamentares tiveram suprimidos seus direitos políticos e as eleições diretas para presidente da República e governadores de Estado foram substituídas por pleitos indiretos. Mesmo assim, a Câmara Federal e o Senado, tidos como ameaça pelos ditadores, foram fechados em diversas ocasiões entre 1964 e 1977. Em 1989, após 29 anos de repressão, o povo voltou a escolher livremente o presidente da República. A história do voto no Brasil pode ser acompanhada pela internet (veja a indicação no final deste plano de aula).
Divida a turma em pequenos grupos e solicite a cada um deles uma pesquisa sobre os dois períodos ditatoriais da República: o Estado Novo de Vargas (1937 - 1945) e o regime militar (1964 - 1985). Oriente os alunos a pesquisarem em fontes confiáveis. Depois, socialize os resultados das pesquisas com toda a turma e promova um debate sobre as semelhanças e diferenças dos dois períodos autoritários. Utilize algumas perguntas para incentivar a discussão: o que motivou os dois golpes de Estado? Quais eram as bases de sustentação dos dois regimes? Como eram tratados os opositores? Como o contexto político internacional influenciou os diferentes regimes? Quais foram os principais feitos? O que motivou, nos diferentes contextos, o retorno à democracia?   

2ª etapa
Um século de República
Inicie esta etapa destacando os principais momentos do período republicano no país no que se refere às eleições. Para isso, utilize a linha do tempo abaixo. Comente com a turma que, desde 1889, a história política brasileira alterna períodos de fraudes eleitorais, ditaduras violentas e pouco desenvolvimento social.
1889 - Proclamação da República: Deodoro da Fonseca, nosso primeiro presidente, renunciou em 1891, após conflitos com o Congresso
1926 - 1930 - Washington Luís, o último da fase café-com-leite, quando paulistas e mineiros revezavam-se no centro do poder
1933 - Mulheres vão às urnas pela primeira vez: a médica Carlota Pereira de Queiroz torna-se deputada federal na Assembleia Constituinte
1956 - 1961 - 50 anos em cinco: slogan de Juscelino Kubistchek traduzia as propostas desenvolvimentistas de seu governo
1961 - 1964 - João Goulart: o vice de Jânio, que renunciou, assumiu o poder em regime parlamentarista, depois da campanha pela legalidade
1969 - 1974 - Garrastazu Médici: o auge da ditadura militar, num dos períodos de violência repressora e menor liberdade política
1985 - 1990 - Tancredo e Sarney: presidente (que faleceu antes de assumir) e vice-eleitos pelo voto indireto na volta dos civis ao poder
1990 - Primeiro chefe de Estado eleito por voto popular desde Jânio, Fernando Collor foi destituído por impeachment em 1992. Em seu lugar assumiu o então vice-presidente, Itamar Franco.
1994 - Lançamento do Plano Real pelo ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, que em outubro do mesmo ano seria eleito Presidente da República
1998 - Reeleição de Fernando Henrique Cardoso
2002 - Eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para Presidência de República
2005 - O deputado Roberto Jefferson denuncia pela imprensa esquema de corrupção de parlamentares que ficou conhecido como mensalão
2006 - Reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva
2010 - Dilma Rousseff é eleita presidente

Após a leitura do quadro acima, comente que, desde a Proclamação da República, o Brasil já teve sete Cartas Magnas (1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969 e 1988). Comente brevemente as alterações no processo eleitoral contidas em cada documento:
1891 - Institucionaliza o Estado brasileiro como República Federal. Estabelece o sufrágio universal masculino para todos os brasileiros alfabetizados maiores de 21 anos de idade. O voto é aberto, excluindo ainda analfabetos, mulheres e militares.  
1934 - Após a derrota da revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, o governo Vargas convoca eleições para formação da Assembleia Constituinte que redigi e a Constituição da República Nova, que estende o direito a voto às mulheres e define os direitos constitucionais dos trabalhadores, formalizados posteriormente com a Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943.
1937 - Apelidada de constituição polaca devido à inspiração na carta magna daquele país, instaura a ditadura do Estado Novo. O documento institui as eleições indiretas para presidente da república, a obrigatoriedade e o sigilo do voto.  
1946 - Derruba as restrições às liberdades impostas pelo Estado Novo, reinaugurando o período democrático, com eleições livres, diretas e com voto universal.
1967 - Com os membros da oposição previamente afastados, o regime militar dá ao Congresso Nacional, por meio do Ato Constitucional de número 4, o poder de Assembleia Constituinte para a redação da Carta que institucionaliza o regime. O documento restringe os direitos políticos e estabelece eleições indiretas para presidente, com mandato de cinco anos.  
1969 - A Carta de 1967 recebe nova redação conforme a Emenda Constitucional n° 1, decretada pelos "Ministros militares no exercício da Presidência da República". É considerada por especialistas como uma nova Constituição. Oficializa o dispositivo dos Atos Institucionais, responsáveis pelo recrudescimento da perseguição política.
1988 - Decretada e promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1988, deu forma ao regime político vigente. Com ela o povo volta a escolher, por meio do voto direto e secreto, seus representantes em todas as esferas de governo.  

Após pontuar as diferenças e os contextos de elaboração de cada um desses documentos, peça que a turma leia as duas reportagens de Veja listadas no início desta sequência didática. Promova um debate sobre os avanços no processo eleitoral ao longo das constituições.
Em seguida, encomende a pesquisa das propostas de governos dos principais candidatos (indique a busca nos sites dos partidos o do TSE e solicite que a garotada compare os programas defendidos pelos candidatos. Organize a elaboração de um dossiê com os planos e promessas dos candidatos, de modo que a turma possa acompanhar o mandato do candidato eleito.

3ª etapa
Uma vez conhecidos os resultados do pleito, discuta com os adolescentes os pontos positivos e negativos do processo eleitoral nos moldes atuais. De que slogans de campanha eles mais se lembram? O que acham do horário político obrigatório? Essa programação produziu alguma mudança no quadro político? As previsões se confirmaram? Faz sentido a afirmação de alguns candidatos segundo os quais as pesquisas políticas não indicam quem será eleito?
Numa segunda fase, aborde a questão da obrigatoriedade do voto. Justifica-se tal imposição? O que a turma pensa sobre o direito de votar a partir dos 16 anos?
A votação eletrônica foi uma das grandes conquistas na história das eleições no Brasil. O recurso, que se estende a todas as regiões do país, traz duas grandes vantagens: permite que grande número de eleitores vote em curtíssimo tempo e facilita a contagem e totalização dos votos.
É interessante observar que esse sistema evita uma série de fraudes, que marcaram inúmeros episódios no passado, além de impedir brincadeiras como votar em personagens fictícios, por exemplo. Há casos famosos como o do rinoceronte Cacareco, que em 1958 obteve cerca de 100 mil votos para exercer a vereança em São Paulo. A urna eletrônica acabou, assim, com a possibilidade de parte da população manifestar sua descrença no processo eleitoral. Mas não eliminou um quase total desconhecimento do povo sobre o trabalho dos políticos depois de eleitos. As promessas de campanha, às vezes absurdas, ainda rendem dividendos políticos.

Avaliação
Divida a turma em grupos de quatro alunos. Com base na pesquisa dos diferentes programas de governo, cada grupo deverá escolher um representante que desempenhará o papel de um candidato no debate eleitoral. Os alunos restantes farão o papel do eleitorado. Observe se os alunos têm familiaridade com as propostas de cada pleiteante e se conseguem articular seus conhecimentos de modo a contestar visões contrárias e persuadir a plateia.
Ao final do debate, promova uma reflexão em grupo sobre os assuntos discutidos e solicite que cada aluno produza um texto em que argumente em favor do candidato de sua escolha. Observe se os alunos conseguem articular as propostas do candidato para fundamentar sua argumentação e expor suas ideias referentes aos principais projetos apresentados.

Para saber mais
Fim da fraude?
A votação eletrônica foi uma das grandes conquistas na história das eleições no Brasil. O recurso, que se estende a todas as regiões do país, traz duas grandes vantagens: permite que grande número de eleitores vote em curtíssimo tempo e facilita a contagem e totalização dos votos.
É interessante observar que esse sistema evita uma série de fraudes, que marcaram inúmeros episódios no passado, além de impedir brincadeiras como votar em personagens fictícios, por exemplo. Há casos famosos como o do rinoceronte Cacareco, que em 1958 obteve cerca de 100 mil votos para exercer a vereança em São Paulo. A urna eletrônica acabou, assim, com a possibilidade de parte da população manifestar sua descrença no processo eleitoral. Mas não eliminou um quase total desconhecimento do povo sobre o trabalho dos políticos depois de eleitos. As promessas de campanha, às vezes absurdas, ainda rendem dividendos políticos.


http://www.gentequeeduca.org.br/planos-de-aula/como-chegamos-ao-modelo-eleitoral-atual

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Por que judeus e palestinos vivem em conflito?
Eliza Kobayashi (novaescola@fvc.org.br)

Quase que diariamente os jornais do mundo inteiro noticiam os infindáveis ataques mútuos entre israelenses e palestinos e as diversas iniciativas internacionais de tentar promover, sem sucesso, a paz entre os dois povos. Os conflitos entre árabes e judeus, apesar de atuais, têm origem milenar e carregam uma longa história de desavenças religiosas e de disputa de terras. "Desde os tempos bíblicos, judeus e árabes, que são dois entre vários povos semitas, ocuparam partes do território do Oriente Médio. Como adotavam sistemas religiosos diversos, eram comuns as divergências, que se agravaram ainda mais com a criação do islamismo no século VII", conta Alexandre Hecker, professor de História Contemporânea da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
 O conflito mais recente entre os dois povos se intensificou a partir da Primeira Guerra Mundial, quando se deu o fim do Império Otomano, e a Palestina, que fazia parte dele, passou a ser administrada pela Inglaterra. "A região possuía 27 mil quilômetros quadrados e abrigava uma população árabe de um milhão de pessoas, enquanto os habitantes judeus não ultrapassavam 100 mil", afirma o professor. A Inglaterra apoiava o movimento sionista, criado no final do século 19 com o objetivo de fundar um Estado judaico na região da Palestina, considerada o berço do povo judeu. Segundo Alexandre, o papel dos ingleses naquele momento era o de criar esse "lar nacional" para os judeus, que vinham sofrendo perseguições e violências em todo o mundo, mas sem violar os direitos dos palestinos árabes que já viviam ali. "Assim, na década de 20, ocorreu uma grande migração de judeus para a Palestina". 
Depois de 1933, com a ascensão do nazismo na Alemanha e o aumento das perseguições contra os judeus na Europa, a migração judaica para a região cresceu vertiginosamente. Os palestinos, por sua vez, resistiram a essa ocupação e os conflitos se agravaram. Após a Segunda Guerra Mundial e o fim do Holocausto, que levou ao extermínio de 6 milhões de judeus, a crescente demanda internacional pela criação de um estado israelense fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovasse, em 1947, um plano de partilha da Palestina em dois Estados: um judeu, ocupando 57% da área, e outro palestino (árabe), com o restante das terras. "Essa partilha, desigual em relação à ocupação histórica, desagradou os países árabes em geral", afirma Alexandre Hecker. 
Em 1948, os ingleses finalmente desocuparam a região e os judeus fundaram, em 14 de maio, o Estado de Israel. Um dia depois, os árabes, insatisfeitos com a partilha, declaram guerra à nova nação, mas acabaram derrotados. "O conflito permitiu a Israel aumentar seu território para 75% das antigas terras palestinas: o restante foi anexado pela Transjordânia (a parte chamada Cisjordânia) e pelo Egito (a faixa de Gaza)", explica o professor. Em consequência disso, muitos palestinos refugiaram-se em Estados árabes vizinhos, enquanto boa parte permaneceu sob a autoridade israelense. "Outras guerras se sucederam por causa de fronteiras, com vantagens para Israel e sempre sem uma solução para o problema dos refugiados". Apesar de algumas tentativas de acordos e planos de paz, a situação atual ainda é de muito impasse, principalmente pelo fato de os palestinos, liderados pelo movimento radical islâmico Hamas, não reconhecerem o direito de existência de Israel. Na opinião de Alexandre, "a guerra entre palestinos e judeus só terá um fim quando for criado um Estado palestino que ocupe, de forma equitativa com Israel, a totalidade do território tal qual ele se apresentava em 1917".


http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/judeus-palestinos-conflito-489062.shtml
Patriotismo e nacionalismo

Discuta com a turma os conceitos de nacionalismo e patriotismo, comparando suas manifestações pelo mundo

Objetivos
Identificar versões extremadas de sentimentos como patriotismo e nacionalismo


Conteúdos
Patriotismo, nacionalismo, cidadania


Tempo estimado                  Duas aulas


Introdução
O artigo Patrulha Labial, de Roberto Pompeu de Toledo, trata, entre outros aspectos, da diferença de opiniões de autoridades francesas sobre a suposta resistência de jogadores da seleção de futebol a cantar a Marselhesa - o hino nacional do país. A ministra francesa dos Esportes considera que os jogadores deveriam fazê-lo; já a vice-ministra, negra, nascida no Senegal, afirma que exigir isso "seria uma espécie de ditadura". Será que depois do famigerado "Brasil: ame-o ou deixe-o", temos agora "Marselhesa: cante-a ou deixe a seleção"?
Em outro contexto, o artigo O novo país do futebol trata da expressão do nacionalismo que ressurge na Alemanha, em um contexto de potência econômica europeia e de seleção campeã da Copa do Mundo. Não é o mesmo caso do III Reich, que levou à eclosão da Segunda Guerra Mundial. Hoje, o pensamento é de coletividade e receptividade ao multiculturalismo. Use os textos como base para examinar com seus alunos sentimentos como nacionalismo e patriotismo, cujos excessos colocam em xeque a unidade nacional.


Desenvolvimento
1ª aula
Solicite que os estudantes pesquisem em dicionários e livros o significado dos termos "patriotismo" e"nacionalismo". Eles vão constatar que patriotismo é o sentimento daquele que ama a pátria ou a ela presta serviços. Já o vocábulo nacionalismo tem várias acepções: 
1.   Salvaguarda dos interesses e exaltação dos valores nacionais; 
2.   Sentimento de pertencer a um grupo por vínculos raciais, linguísticos e históricos, que reivindica o direito de formar uma nação autônoma; 
3.   Ideologia que enaltece o estado nacional como forma ideal de organização política, com suas exigências absolutas de lealdade por parte dos cidadãos.

Forneça, a seguir, algumas informações sobre manifestações extremas desses sentimentos, tais como o chauvinismo, o jingoísmo e o ufanismo.
Ø
Chauvinismo - é definido nos dicionários como "patriotismo fanático, cego, agressivo". A palavra deriva do nome de Nicolas Chauvin, veterano aposentado que permaneceu fanaticamente devoto a Napoleão depois da derrota do imperador em Waterloo, em 1815. A figura do velho militar deu origem a um personagem ridicularizado em peças como La Cocarde Tricolore, dos irmãos Charles-Théodore e Jean-Hippolyte Cogniard.

Jingoísmo - versão britânica do chauvinismo, ainda mais arrogante e agressiva. Felizmente, os próprios britânicos criaram um antídoto para o jingoísmo, nas palavras mordazes do escritor Samuel Johnson: "O patriotismo é o último refúgio de um canalha".

Ufanismo - segundo os dicionários, trata-se do "orgulho exacerbado pelo país em que nasceu; patriotismo excessivo". O termo remete ao livro Por que me ufano de meu país, do conde Afonso Celso, publicado em 1900. Elencando itens da superioridade do Brasil como a grandeza territorial, a beleza e o "procedimento cavalheiroso" e digno para com os outros povos, o autor faz afirmações questionáveis como: "Negros, brancos, peles-vermelhas, mestiços, vivem aqui em abundância e paz". Outras são francamente absurdas, como "Feridas e amputações cicatrizam mais depressa do que nos hospitais do Velho Mundo". Ou ainda, "No Amazonas (...) as onças (...) são inofensivas. Serpentes gigantescas guardam as cabanas". 

Chame a atenção para um outro conceito de pátria, dinâmico, livre dos exageros chauvinistas ou ufanistas. Ele pode ser expresso nas palavras do poeta Fernando Pessoa em Minha pátria é a língua portuguesa.
"Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro direto que me enoja independentemente de quem o cuspisse" (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego)
Peça que os alunos leiam o artigo de Roberto Pompeu de Toledo, publicado em VEJA, que menciona os "times multicoloridos" da Europa que disputaram a Copa do Mundo da África do Sul. Leiam juntos também o artigo de Tatiana Gianini, O Novo País do Futebol, e identifique com os alunos os trechos que mostram como a Alemanha adotou como caminho uma receptividade maior aos imigrantes e mudou seu olhar para o multiculturalismo. Como os jovens explicam esse fenômeno? Provavelmente alguns responderão que, nas últimas décadas, países como a França e a Alemanha passaram a receber imigrantes, que hoje estão presentes nas equipes esportivas. Lembre que isso também ocorreu, no final do século 19 e início do século 20, em países como a Argentina, o Uruguai e o Brasil - que, bem ou mal, conseguiram superar preconceitos de todo tipo e forjar equipes nacionais. 
Explique à turma que, entre estes preconceitos, estava o racismo. Para se ter uma ideia, em 1924, o Vasco da Gama impediu que os grandes clubes cariocas afastassem os jogadores pobres - em sua grande maioria, negros e mulatos -, sob a alegação de que "praticavam o profissionalismo". Questione os alunos se essa fusão de etnias também ocorre na Europa. A construção da nacionalidade teve mais êxito nos países americanos de imigração ou no Velho Mundo, onde surgiu justamente o conceito de Estado Nacional? 
Encarregue os estudantes de investigar o processo de construção do Estado Nacional em países como a França e a Espanha. Será possível verificar que, muito antes da chegada dos imigrantes, um grupo étnico dominante conseguiu incorporar, num só corpo político, outras etnias. No caso francês, foram conquistados territórios meridionais de idioma provençal como a Bretanha e, já no século 17, a Alsácia e a Lorena, onde se falavam línguas germânicas. O núcleo castelhano da Península Ibérica, por sua vez, conseguiu dominar as regiões bascas e a Catalunha - todas elas dotadas de língua e cultura próprias, bem como a Andaluzia, de forte presença moura. Durante as comemorações da vitória espanhola na Copa do Mundo de 2010, atletas catalães erguiam a bandeira de sua pátria - a Catalunha, não a Espanha -, enquanto outros empunhavam pavilhões bascos e da Andaluzia. É uma evidência de que existem realidades étnicas que reivindicam, se não a independência plena, pelo menos maior autonomia no âmbito do Estado Nacional Espanhol.
Estabeleça alguns tópicos para pesquisa e debate. Foi apenas a força que conservou unidas essas diferentes etnias, ou o grupo dominante ofereceu a participação em um projeto "nacional" que lhe assegurou a hegemonia? Na França, esse projeto foi marcado pela Revolução de 1789, que forjou uma nova unidade na República com base na afirmação dos direitos de cidadania. As palavras da vice-ministra dos Esportes podem ser vistas como uma reafirmação desses direitos? 
Ressalte o potencial unificador do processo revolucionário francês: a Marselhesa foi composta em 1792 na Alsácia, com o título de Canto de Guerra para o Exército do Reno, ou seja, em um território que só passou a fazer parte da França no reinado de Luís 14. Será que na atualidade existe um projeto nacional capaz de unir, segundo Roberto Pompeu de Toledo, "uma seleção dividida em facções em que tiveram peso a origem, a cor da pele e a religião"? A julgar pelos atentados racistas contra a seleção francesa, exigindo uma equipe "branca e cristã", as perspectivas não parecem muito promissoras - e ainda menos no tocante à incorporação das famílias de imigrantes à nação francesa. 


2ª aula
Peça que a moçada relacione as passagens a seguir aos conceitos de chauvinismo, ufanismo, jingoísmo, patriotismo "ortodoxo", patriotismo "dinâmico" e nacionalismo, apresentados na aula anterior.
1.        "Eu também já fui brasileiro
moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude.
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam."
(Carlos Drummond de Andrade, Também já fui brasileiro. Do livro Alguma poesia)

2.        "My country, right or wrong" (Certo ou errado, o meu país").

3.        "A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria / Eu quero frátria" (Caetano Veloso, Língua)

4.        "Brasil, ame-o ou deixe-o"
Propaganda governamental do governo Médici (1969-1974)

5.        "A seleção é a pátria em chuteiras"
Nelson Rodrigues

6.        "Fui e fiz meu trabalho. Tiraram sarro, disseram que eu fui patriota. Hoje os jogadores são patriotas, resgataram o orgulho e o respeito pela camisa, o moral"
Dunga, ex-técnico da seleção brasileira de futebol, em entrevista realizada em 9 de julho de 2010.

7.        "Que a vossa geração exceda a minha e as precedentes, senão em semelhante amor, ao menos nas ocasiões de o comprovar. Quando disserdes: ‘Somos brasileiros!’ levantai a cabeça, transbordantes de nobre ufania. Convencei-vos de que deveis agradecer quotidianamente a Deus o haver Ele vos outorgado por berço o Brasil".
(Afonso Celso, Por que me ufano de meu país)

Aproveite as citações para discutir com a turma as noções de patriotismo. Questione os alunos sobre o que é o mais indicado: que um treinador de futebol monte uma seleção de patriotas ou uma boa equipe? A camisa da seleção canarinho é um dos símbolos da pátria, ao lado das chuteiras presentes nas crônicas de Nelson Rodrigues? Dunga investia contra a "imprensa impatriótica", assim como a direita francesa atacava os jogadores negros e muçulmanos. Será que nos dois casos não são justificativas para a montagem de equipes que exibiram um futebol inferior ao esperado? Promova um debate com a turma e, ao final, peça para que todos escrevam textos dissertativos a respeito.

Avaliação
No decorrer dos debates, a classe deve perceber que o patriotismo não pode ser imposto. Quanto à atividade da segunda aula, espera-se a identificação dos seguintes conceitos, pela ordem em que os textos e frases aparecem neste plano de aula: nacionalismo, jingoísmo, patriotismo "dinâmico", chauvinismo, patriotismo "ortodoxo" (Nelson Rodrigues e Dunga) e ufanismo. Os textos produzidos pelos estudantes também servem como base para esta avaliação.

Consultoria Carlos Eduardo Matos
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.



http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/patriotismo-nacionalismo-577927.shtml
Olimpíadas de 2016: um legado para o Brasil?

Revisite com seus alunos os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012). Reflitam sobre seus legados e proponha uma argumentação sobre o que as Olimpíadas de 2016 poderão trazer de positivo e negativo.

1ª etapa

A partir da leitura da entrevista de VEJA com o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, "A bola agora está com ele", inicie a aula trazendo um panorama histórico dos Jogos Olímpicos no mundo. Utilize como base as etapas 1 e 2 do plano de aula Relações entre política e Olimpíadas. Leve os alunos a refletirem sobre a simbologia que um evento internacional desse porte representou desde a Grécia Antiga à contemporaneidade.


2ª etapa
As Olimpíadas e suas implicações

Em seguida, traga questionamentos sobre suas implicações culturais, políticas, sociais e estruturais:
·      O que os Jogos Olímpicos significam? Sempre tiveram os mesmos simbolismos?
·      Como esse evento foi utilizado como espaço de protesto e reivindicação em sua história?
·      Qual a importância das Olimpíadas para o esporte nacional e no mundo?
·      E para as trocas culturais entre as diversas nações? De que forma acontecem?
·      Qual a herança em desenvolvimento urbano para as cidades-sede da Copa?
Auxilie os alunos a apontar exemplos na história. Se for possível, peça que procurem na internet e levem para debater com a classe o que encontraram. Anote no quadro os principais pontos levantados pela turma.


3ª etapa
Legado na história
Após essa primeira discussão, explique aos alunos que todo evento desse porte precisa ser preparado com antecedência e deve ser planejado de forma a deixar um legado para a cidade que o recebe. Nesse momento, utilize a apresentação de slides abaixo para explicar os principais legados dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012).


4ª etapa
A gentrificação
A partir da leitura do artigo "O Legado Olímpico no Leste de Londres: Desapropriação e Gentrificação", do site Rio on Watch, explique para seus alunos o conceito de "gentrificação". De acordo com artigo na Wikipédia, baseado em diversas referências bibliográficas,
"Chama-se gentrificação, uma tradução literal do inglês "gentrification", que não consta nos dicionários de português, o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada. O termo gentrification - deriva de "gentry", que que por sua vez deriva do Francês arcaico "genterise" que significa "de origem gentil, nobre" -, entende-se também a reestruturação de espaços urbanos residenciais e de comércio independentes com novos empreendimentos prediais e de grande comércio, ou seja, causando a substituição de pequenas lojas e antigas residências."

5ª etapa
Comparando as cidades-sede
Em seguida, com base nessa discussão e na leitura dos artigos "Olimpíadas: o legado de Barcelona, a experiência de Londres e as perspectivas para o Rio de Janeiro", do Urban Systems, e "Sidney e Beijing: lições para o Rio Olímpico?", do Observatório das Metrópoles. Peça aos alunos para apontarem os argumentos de cada um dos artigos que mostram o legado para os países e o que poderia ser aprendido com essa experiência para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Eles devem destacar os seguintes trechos:

Olimpíadas: o legado de Barcelona, a experiência de Londres e as perspectivas para o Rio de Janeiro

Barcelona sabe lidar com mudanças urbanas. A cidade tem origens que datam do século 15 a.C. e nunca parou de crescer e de se reinventar. Mas mudanças realmente notáveis aconteceram por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992.
Um exemplo: a cidade litorânea finalmente passou a permitir que moradores e turistas desfrutassem de suas praias. A construção da vila olímpica e de um novo porto deram início à recuperação da costa, antes degradada. Além disso, houve a revitalização dos bairros baseada em novas áreas de centralidade, foram construídos novos eixos viários que desafogaram o trânsito, o aeroporto de Barcelona cresceu e se modernizou, novos hotéis chegaram e a cidade entrou no mapa turístico mundial.
Londres, sede das Olimpíadas de 2012, também aproveitou a ocasião para regenerar de forma social, ambiental e física de uma de suas últimas reservas de terrenos: uma área industrial abandonada e degradada no distrito de Stratford, região leste da capital.
A transformação começou com a descontaminação dos terrenos, a maior operação desse tipo já realizada no Reino Unido. Quatro anos de trabalho e R$ 230 milhões foram investidos na limpeza de 2 milhões de toneladas de solo contaminado por resíduos tóxicos.
Houve ainda cuidado com a reutilização da infraestrutura esportiva - há arenas que podem ser totalmente transportadas para outras cidades - , a construção de uma nova estação de trens e metrô que facilitou a mobilidade da comunidade.
Essas cidades mostram que é possível deter o crescimento físico desordenado das cidades sem interferir no crescimento urbano. Ensinam que é possível sim intensificar o desenvolvimento sustentável e equilibrado das centralidades urbanas, requalificando estes espaços com vocações híbridas focadas em manter uma qualidade de vida favorecida por uma menor mobilidade urbana.

Sidney e Beijing: lições para o Rio Olímpico?

Sydney e Beijing expressam em seus planos diretores sua preocupação com a expansão urbana desordenada: Sydney, com ocupação residencial de baixa densidade, sendo a tipologia predominante os lotes unifamiliares; e Beijing, apesar de densidades mais altas nas áreas periféricas, a configuração ocorre de forma fragmentada com usos conflitantes (industrial, residencial, agrícola convivendo lado a lado).
Apesar disso, o principal processo de mudança ocorrido no período que antecedeu os JO para as duas cidades-sede foi a conquista de mais autonomia em relação aos níveis governamentais superiores.
De acordo com Yumi Yamawaka, em Sydney e em Beijing os JO impactaram na atração de investimentos à cidade, na atração de turistas e novos residentes - e na consequente expulsão de outros, principalmente imigrantes. Conforme Poynter (2008), os JO beneficiam apenas algumas parcelas da população e a forma como são planejadas as intervenções e as políticas determinam qual será esse público. O que ocorreu nas duas cidades foi o favorecimento de grupos econômicos dominantes que impõem o estabelecimento de regras que defendam seus interesses facilitados pelo "estado de exceção" vigente. Nas duas cidades, houve o agravamento das diferenças sociais, sendo que a população mais pobre ficou à margem do evento.
O que pode ser constatado em ambos os estudos de caso, foi que o processo de planejamento da cidade para os JO foi realizado sem participação popular. (...) "Portanto, a conquista do direito de sediar os JO não garante necessariamente o engajamento da sociedade local. Em termos físicos as duas experiências demonstram a dificuldade de tornar as estruturas esportivas em espaços frequentados depois dos JO, financeiramente autossuficientes e que promovam a integração com o entorno. No entanto, Beijing, que paralelamente direcionou seus investimentos na expansão do transporte metroferroviário, obteve maior êxito na consolidação de seu plano".

6ª etapa
E o Rio de Janeiro?
Depois, leiam juntos o último slide da apresentação, que trata dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, previstos para 2016. Leve questionamentos para a turma e anote no quadro os principais pontos levantados:

  • Houve participação da população nos processos decisórios para a vinda das Olimpíadas para o Rio de Janeiro? E no planejamento?
  • Há expansão das estruturas viárias da cidade? Elas atendem somente às necessidades dos Jogos ou são pensadas para a posteridade?
  • As obras estão sendo focalizadas na construção de novos eixos viários e no desenvolvimento de diversas regiões ou são centralizadas?
  • Estão sendo realizadas obras de revitalização em algumas áreas da cidade? Pode-se dizer que acontece um processo de gentrificação? Por quê?
  • Quais são as construções e reformas do aparelhamento esportivo? São construídas em regiões que favoreçam seu desenvolvimento? São sustentáveis?
  • E os gastos? Há transparência na gestão? São condizentes com as propostas?

7ª etapa
Resumindo

Conceituação e revisão histórica sobre os Jogos Olímpicos no mundo
Análise de suas implicações e simbologias
Aprendizado sobre o legado das Olimpíadas em 5 cidades
Compreensão dos aspectos políticos e sociais envolvidos
Conceituação do processo de "gentrificação"
Análise comparativa sobre os legados positivo e negativo de algumas cidades que receberam as Olimpíadas
Reflexão sobre a preparação dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro
Avaliação
Com base nas discussões realizadas em sala de aula e nos pontos levantados na última etapa, peça aos alunos para redigirem um texto argumentativo, que responda à pergunta: "As Olimpíadas de 2016 trarão um legado positivo para o Rio de Janeiro?".
Ao analisar a redação, considere o que os alunos aprenderam sobre a história dos Jogos Olímpicos e seus significados e implicações. Verifique se os alunos conseguem comparar com razoabilidade as diversas situações apresentadas e a presença de referências sobre atualidades em seus textos. Avalie também a capacidade de articulação das ideias abordadas sob forma de argumentação.


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/olimpiadas-legado-rio-janeiro-792726.shtml
Assista a vídeos de dez contos, três canções, dois poemas, duas crônicas, uma anedota, uma lenda e um cordel lidos pelos autores ou por uma contadora de histórias. Você também pode baixar os textos e imprimi-los para ler com a turma







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