domingo, 16 de fevereiro de 2014

Qual a relação entre gelo e atrito?

Aproveite as Olimpíadas de Inverno para discutir com os alunos as transformações da matéria e a relação entre gelo e atrito

Objetivos
Medir o coeficiente de atrito estático entre dois materiais
Relacionar o derretimento do gelo com a redução do atrito
Identificar a pressão como fator que influencia o derretimento do gelo

Conteúdos
Força resultante
Plano inclinado
Força de atrito estático
Mudanças de estado físico

Anos                             1º ou 2º anos do Ensino Médio

Tempo estimado                5 aulas


Materiais necessários
Cubos de gelo
Caixa de isopor ou sacola térmica
Sal
Réguas e placas de diferentes materiais (plástico, madeira, aço)
Caixa de fósforo ou material de medidas semelhantes
Moedas ou arruelas finas
Cópias da reportagem "A ciência que vem do frio" (VEJA 2358, 05 de fevereiro de 2014)
Leia mais

Desenvolvimento
1º etapa
Faça cubos de gelo com formato e tamanho semelhantes. Para conservá-los por mais tempo, coloque-os na caixa térmica envolvidos em uma mistura de gelo e sal.
Pergunte o que os alunos entendem por atrito e em quais situações do nosso cotidiano se poder perceber essa força. Observe se eles indicam somente situações negativas, nas quais o atrito deve ser evitado. Aproveite para ressaltar os aspectos positivos do atrito, como sua importância nas curvas dos carros e em nossa forma de andar. Informe à classe o que é caracterizado como atrito sob o ponto de vista da Física. Explique a diferença entre o atrito estático e o dinâmico e também apresente aos alunos a atividade a ser feita. 

2º etapa
Desafie a classe a medir o coeficiente de atrito estático entre o gelo e diferentes materiais, como aço, plástico e madeira. Use as réguas e hastes disponíveis. 
Divida os alunos em grupos e forneça uma régua a cada grupo. Instrua os alunos a colocar o cubo de gelo apoiado sobre uma das réguas. Peça que eles suspendam lentamente uma extremidade até que o cubo comece a deslizar para baixo. Oriente os alunos a colocarem uma caixa de fósforos debaixo de uma das extremidades da régua e mover a caixa lentamente até a outra ponta para facilitar a experiência. 
Lembre aos estudantes que a régua forma um triângulo retângulo com a superfície onde está apoiada. Quando o bloco de gelo começar a descer, os alunos devem medir o cateto oposto e cateto adjacente do triângulo (veja a imagem abaixo):


3º etapa
Demonstre a relação que há entre as forças peso, normal e de atrito, de modo que os alunos concluam que, em um plano inclinado, o coeficiente de atrito estático corresponde à tangente do ângulo de inclinação formado entre a régua e a direção horizontal. Peça para os alunos calcularem o coeficiente de atrito quando o gelo desliza nos outros materiais. 

4º etapa
Pergunte aos alunos se a força de atrito entre o gelo e os diversos materiais testados é grande ou pequena. Leve-os a concluir que, quando o gelo começa a derreter, forma-se uma fina camada de água, responsável por reduzir bastante o atrito. 

5º etapa 
Leia com os alunos a matéria A ciência que vem do frio publicada na revista Veja. Ressalte que os esportes de inverno só são possíveis em razão do derretimento do gelo constatado na experiência anterior. Pergunte aos adolescentes por que o gelo derrete em regiões com temperatura abaixo de zero. Eles devem perceber que não é somente a temperatura que pode causar o derretimento do gelo. Questione os alunos sobre quais fatores, além do aumento de temperatura, aceleram o derretimento do gelo. Proponha uma atividade de investigação para descobrir.

6º etapa 
Peça que cada grupo embrulhe três cubos de gelo em três pedaços de pano absorvente, com aproximadamente 30 x 30 cm. Instrua-os a reservar o primeiro cubo; segurar sem apertar o segundo cubo e apertar o terceiro com moedas ou arruelas - sem encostar os dedos no pano, portanto. Tenha o cuidado de resfriar as arruelas ou moedas na caixa de gelo antes do teste, de modo que as peças fiquem na mesma temperatura que o cubo. Proponha que os alunos se revezem nas atividades, para que ninguém se canse.
Discuta com os alunos por que o cubo de gelo que recebeu pressão derreteu rapidamente. Os alunos devem concluir que a pressão aplicada também favorece o derretimento do gelo.

Avaliação
Peça que os alunos relacionem algumas das modalidades dos esportes de inverno aos estudos que realizaram sobre o atrito e as transformações físicas do gelo. Um exemplo: eles podem explicar como o aumento de pressão sobre o gelo, aplicada pelas lâminas dos patins, possibilita reduzir o atrito e permite desenvolver grandes velocidades. Avalie se há indícios, no registros escritos, de que os alunos compreenderam os conceitos tratados.

Consultoria Cristian Annunciato
Professor de Física e pesquisador da Abramundo - Educação em Ciências, em São Paulo


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/planode-aula-qual-a-relacao-entre-gelo-e-atrito-772297.shtml

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Pesquise a história do livro e os hábitos de leitura

Convide os alunos a pesquisar as diversas fases da produção de livros nas sociedades: dos manuscritos da Idade Média aos e-books (livros digitais)

Objetivos
- Pesquisar e identificar a trajetória do livro na História
- Estabelecer relações entre obras de arte e o contexto histórico de sua elaboração
- Caracterizar formas de circulação de informação, capitais, mercadorias e serviços no tempo e no espaço.

Conteúdo
História do livro e das práticas de leitura

Ano              1º ano do Ensino Médio

Tempo estimado                   5 aulas

Material necessário
- Filme O Nome da Rosa (Jean-Jacques Annaud, 131 min, Warner Home Video, wbfun.com.br). O filme está disponível no Youtube
- Filme Lutero ((Eric Till, 124 min, MGM, mgm.com). O filme também está no Youtube.
- Texto "A história do livro: do papiro ao computador"
- Projetor para exibição dos filmes
- Laboratório de informática com impressora e acesso à internet
- Folhas de papel A3 e canetas para a produção dos textos à mão
- Cópias da matéria "Pedras no caminho" (Veja 2357, 29 de janeiro de 2014)

Leia mais

Desenvolvimento
1ª etapa 
Distribua para a turma a matéria de Veja "Pedras no caminho". O texto fala sobre as dificuldades da loja virtual Amazon em popularizar o leitor digital Kindle no Brasil. Resuma a reportagem em classe, destacando dois pontos: o que é o Kindle e como ele funciona; a existência de grande quantidade de livros digitais e o número ainda pequeno de e-books disponíveis em português.
Pergunte aos alunos sobre seus hábitos de leitura. Eles conhecem o Kindle ou os e-books? Já leram algum? Preferem ler um livro físico ou digital? Costumam ler livros, notícias e outros textos na internet? Em seguida, questione-os: será que o acesso à leitura foi sempre tão fácil? Eles têm algum conhecimento sobre como era a produção de livros em outros períodos históricos? 

2ª etapa
Ressalte para a turma que o livro e as práticas de leitura são produtos de atividades humanas e não foram sempre tratados da mesma forma. Apresente algumas diferenças das formas de produção e leitura dos livros ao longo da história:
- Projete uma cena do filme O nome da Rosa  no qual os personagens investigam uma série de assassinatos em um monastério medieval. A cena se desenrola entre 31 minutos e 36 minutos e 20 segundos de filme. Ressalte a existência dos monges copistas na Idade Média e a hegemonia da Igreja Católica no controle e armazenamento do conhecimento escrito. Destaque como o acesso aos livros era restrito e lembre que a leitura da Bíblia não era prática comum nesse momento, já que as "sagradas escrituras" eram lidas em latim e somente pelas autoridades religiosas. 
- Projete a cena do filme Lutero  entre 37 minutos e 50 segundos e 39 minutos e 20 segundos. A cena mostra um seguidor de Martinho Lutero levando para imprimir as 95 teses do religioso, afixadas à porta da igreja de Wittenberg. Aborde a revolução provocada pelos tipos móveis no século 15. Ressalte que a possibilidade de produzir, com maior rapidez, diversas cópias de um mesmo texto, colocou fim às práticas copistas e possibilitou uma maior circulação de ideias, inclusive daquelas contrárias ao poder da Igreja Católica. Fale das reformas protestantes e da importância que a existência da imprensa teve para os reformadores. Lembre que as religiões protestantes incentivavam a tradução do texto bíblico para os idiomas nacionais, abrindo a possibilidade de interpretações diversas do livro sagrado do Cristianismo. 
- Fale sobre o aumento da produção de livros nos séculos seguintes e o fortalecimento de uma indústria editorial no século 20. Destaque o cuidado cada vez maior com as edições dos livros e a disseminação de informações não-lineares, através dos jornais e das enciclopédias. Ressalte que a relação estabelecida com o livro no século 20 é a mais conhecida, por exemplo, pelos familiares dos alunos. 

3ª etapa
Divida a turma em 3 grupos. Cada grupo deverá produzir um texto com o tema "A importância do livro e da leitura em nossa vida". No entanto, cada grupo produzirá tal texto de acordo com a produção bibliográfica de um determinado período histórico. 
- O grupo 1 deverá produzir e apresentar seu texto para a turma seguindo a prática dos monges copistas medievais. Os membros deverão copiar, manualmente, o texto e entregar uma cópia para cada colega de turma. Instrua-os a primar por uma caligrafia bela e rebuscada, como faziam os monges.
- O grupo 2 deverá redigir o texto no computador e imprimir um número de cópias correspondente ao número de alunos da turma. Use o laboratório de informática da escola. 
- O grupo 3 deverá redigir o texto no computador e disponibilizá-lo para leitura num blog criado com a ajuda do professor. Novamente, use o laboratório de informática da escola. 

4ª etapa:
Organize a sala num grande círculo e peça que os membros de cada grupo relatem suas experiências de produzir e distribuir os textos. Aproveite para relembrar a matéria da Veja sobre os e-books e o Kindle. Discuta com a turma quais foram as facilidades surgidas ao longo do tempo no acesso aos livros. Os alunos veem alguma vantagem na forma como ocorria a produção de livros na Idade Média? Seria possível comparar a restrição à leitura dos textos religiosos desse período, em latim, à dificuldade de acesso aos e-books no Brasil atual, a maioria disponível apenas em inglês? 

5ª etapa
Monte com a turma uma linha do tempo do livro, destacando as transformações pelas quais a produção de livros passou ao longo da história. A linha do tempo deve abordar as diferentes formas de produção e de acesso aos livros através da história. Utilize como base as discussões e a experiência dos alunos na produção de textos. Relembre os momentos mais marcantes da história do livro lendo o texto "A história do livro: do papiro ao computador". O texto está disponível no site do Ministério Público Federal
Você pode construir a linha do tempo no blog criado pelo grupo 3. O blog pode, inclusive, tornar-se a página oficial da turma. Divulgue a produção para toda a escola - caso a escola possua, por exemplo, uma rádio comandada pelos estudantes, estimule a participação de alguns representantes da turma no espaço. Pode ser um representante de cada grupo, falando um pouco sobre a história do livro e divulgando o blog. 

Avaliação
Avalie a participação do aluno nas seguintes etapas da sequência: 
Ø  Produção textual no interior de cada grupo: leve em conta a qualidade do texto e de sua colocação adequação à forma prevista (texto escrito à mão com letra rebuscada, texto impresso, texto no blog), bem como a divisão de tarefas dentro do grupo durante a realização da atividade;
Ø  Debate acerca da produção textual e história do livro: considere a interação de cada grupo com a turma, e, novamente, a divisão de tarefas no momento de apresentar o material produzido; 
Ø  Produção da linha do tempo do livro: avalie a contribuição de cada aluno com essa tarefa coletiva, as ideias compartilhadas e o esforço por divulgar os resultados para o restante da escola.

Consultoria Wallace Andrioli Guedes
Professor na EM Presidente Tancredo Neves, em Juiz de Fora, a 275 quilômetros de Belo Horizonte


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-aula-pesquise-historia-livro-habitos-leitura-771613.shtml
Ainda existe machismo em nossa sociedade?

Estimule a turma a refletir sobre o conceito de gênero e identificar desigualdades entre homens e mulheres em nossa sociedade

Objetivos
- Compreender a desigualdade na construção social de gênero
- Identificar fatores que expressam a desigualdade social no Brasil

Conteúdos
Análises sobre a dimensão social e política das identidades e relações de gênero

Anos                               Ensino Médio

Tempo estimado                         4 aulas

Material necessário
- Crônica "É menina", escrita por Gregório Duvivier para a Folha de S. Paulo:
- Cópias da reportagem "Lugar de mulher não é na cozinha" (Veja 2357, 29 de janeiro de 2014)
- Vídeo "Seu comportamento cria seu gênero", com uma fala da filósofa Judith Butler, disponível no Youtube
- Artigo "Determinismos", disponível no site ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico (SBPC/Labjor)
- Projetor para a exibição do vídeo "Seu comportamento cria seu gênero" e para as apresentações dos resultados do trabalho de investigação da 4º etapa da sequência didática
- Computadores com acesso à internet para o trabalho de investigação da 4ª etapa da sequência didática

Desenvolvimento
1ª etapa 
Peça para que os alunos se reúnam em trios e leiam a reportagem "Lugar de mulher não é na cozinha", publicada pela revista Veja. Entregue aos grupos a seguinte lista de atributos: força, vaidade, racionalidade, liderança. 
Os grupos deverão identificar:
a)     ao menos um enunciado presente no texto que faça menção a cada uma das qualidades indicadas na lista;
b)    a que gênero (masculino ou feminino) a reportagem atribui as características elencadas.
Retome o agrupamento de sala inteira. Peça para que os grupos socializem os resultados das análises. Sistematize esses resultados na lousa e, a partir deles, explore as seguintes questões com a classe:
Como a nossa sociedade avalia que deve se dar o comportamento feminino e o comportamento masculino?
 Vocês acreditam que esses comportamentos têm origem na natureza ou são construções sociais?
Até que ponto as relações entre homens e mulheres são desiguais, mediadas por relações de poder?

2ª etapa
Com a classe, leia a crônica "É menina", escrita por Gregório Duvivier para o jornal Folha de S. Paulo. Discuta com o grupo as intenções e estratégias do texto. Oriente a discussão a partir das seguintes questões:
·       O que o autor quer nos revelar sobre a feminilidade?
·       O comportamento das meninas e mulheres seria fruto de que fatores?
·       Como se dá a construção do "ser menina" em nossa sociedade?
Exiba o vídeo "Seu comportamento cria seu gênero", que apresenta uma fala da filósofa Judith Butler. Antes de iniciar a projeção, oriente os alunos a prestar atenção na diferença construída por Butler entre os conceitos de "gênero performático" e "gênero performativo". Se necessário, exiba o vídeo mais de uma vez.
Depois da projeção, peça para que os alunos se reúnam em duplas e discutam a diferença entre afirmar que o gênero é performático e performativo. Peça para que as duplas registrem as conclusões e/ou dúvidas no caderno e, em seguida, socializem seus registros com a classe. 

3ª etapa
Retome e sistematize o conceito de "gênero performativo", de Judith Butler, a partir das impressões e dúvidas apresentadas pelos alunos. 
Faça uma exposição problematizando a noção de que o gênero é biologicamente determinado. Discuta as limitações de se tomar os fatores naturais (variáveis genéticas, anatômicas, fisiológicas, entre outras) como a principal causa do comportamento humano. 
A intenção dessa exposição é não apenas destacar o lugar ocupado pelo processo de endoculturação na formação da conduta do ser humano, mas, principalmente, alertar os alunos para as consequências políticas de se tomar essa conduta como sendo "natural" e, consequentemente, "imutável". 
Destaque que as identidades e relações de gênero são cultural e historicamente produzidas, expressando, portanto, as relações de poder das sociedades que as cria.
Para organizar sua exposição, você pode usar como referência os artigos publicados no dossiê "Determinismos", da ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico (SBPC/Labjor) .

4ª etapa
Reúna a sala em 5 grupos, procurando manter um número equilibrado de meninos e meninas em cada um deles.
Convide os alunos a retomar o trecho da reportagem "Lugar de mulher não é na cozinha" (revista Veja) em que a chef Taís Bulgareli reclama das cantadas recebidas de clientes. Peça para que os grupos discutam rapidamente (por aproximadamente 5 minutos) a seguinte questão: cantadas são um elogio ou uma forma de assédio machista?
Em seguida, leve os alunos para a sala de informática. Explique que cada grupo terá uma tarefa de investigação diferente.
Grupo
Título
Fonte
1
A partir dos dados gerados pela campanha Chega de Fiu Fiu, explique porque as cantadas na rua podem ser consideradas uma forma de assédio sexual.
2
Explique os argumentos usados pela antropóloga Heloísa Buarque de Almeida e pela jornalista Karin Huek para analisar a recorrência das cantadas de rua.
3
 Explique a diferença entre a paquera e cantada-assédio, segundo a antropóloga Heloísa Buarque de Almeida e a militante Thandara Santos. Explique porque, de acordo com as militantes feministas, muitas mulheres tomam a cantada como elogio.
4
 Apresente e explique as estratégias de combate ao assédio sexual na rua defendidas pela antropóloga Heloísa Buarque de Almeida e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal.
5
 Explique de que maneira o vídeo Dekh Le (Whistling Woods International, dezembro de 2013) pode ajudar os homens a repensarem suas atitudes em relação ao problema em questão.
vídeo "Dekh Le"

A partir das propostas específicas, os grupos deverão organizar uma curta apresentação (com duração entre 5 e 10 minutos) para a classe. As exposições, que acontecerão na aula seguinte, devem ser amparadas por um Powerpoint em que os grupos apresentem:
a)     a questão que norteou (ou as questões que nortearam) a tarefa desenvolvida;
b)    a conclusão construída. 
É interessante que o 5º grupo apresente para a classe o vídeo que é objeto de sua análise. 
Antes do início das exposições, oriente os alunos acerca da maneira como devem se portar enquanto assistem às apresentações dos colegas. Atente-os para a importância de se fazer anotações no caderno sobre os dados/argumentos/análises apresentados e discutidos pelos expositores. A consulta a esse material será fundamental para a realização da última etapa do trabalho.

5ª etapa 
Peça para que os alunos escrevam, em casa, um texto de opinião em que respondam à questão: Ainda existe machismo no Brasil?
Para realizar a tarefa, os alunos deverão consultar o material visto ou produzido ao longo da sequência didática (textos e anotações no caderno). De modo a ajudar na construção do recorte do texto, sugira que os alunos escolham um dos seguintes enfoques:
• Estereótipos de gênero
• As consequências da naturalização das identidades de gênero
• Cantadas: paquera ou assédio?

Avaliação
Avalie se durante a 2ª e a 3ª etapas de trabalho os alunos são capazes de compreender e de se apropriar da noção de que o gênero é a resultado de uma construção social. Essa avaliação poderá ser feita a partir das discussões geradas tanto pela atividade referente ao vídeo de Judith Butler, quanto por sua exposição oral.
Na 4ª etapa, você deve julgar se os grupos foram capazes de entender e de comunicar os dados, argumentos e análises que discutem as cantadas de rua como forma de assédio moral e sexual. Por fim, na 5ª etapa, você deve analisar se os alunos conseguem identificar as relações de poder que configuram as relações de gênero, compreendendo o funcionamento de alguns mecanismos que dão forma e expressam a desigualdade entre homens e mulheres.

Consultoria Cristina Maher
Antropóloga e professora de Sociologia e Filosofia do Ensino Médio da Escola da Vila, em São Paulo (SP)


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-aula-ainda-existe-machismo-nossa-sociedade-771605.shtml

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Como a expectativa de vida influencia na economia?

Discuta as consequências do "envelhecimento" da população sobre o setor de Previdência Social

Objetivos
- Entender a evolução da estrutura etária da população brasileira;
- Identificar as transformações demográficas por meio da leitura de gráficos;
- Entender o que é previdência social e o que significam as mudanças propostas pelo Estado em seu funcionamento

Conteúdos
- Transição demográfica brasileira
- Expectativa de vida e estrutura etária
- Pirâmide etária da população 
- Envelhecimento da população brasileira
- Reorganização ou reforma da previdência social

Tempo estimado                                Duas aulas

Material necessário
- Computador com acesso à internet
- Retroprojetor ou data show
- Cópias da entrevista "Uma retomada movida a gás" (VEJA 2342, 9 de outubro de 2013)
- Cópias do texto "As alternativas para a Previdência Social do Brasil"
- Cópias do artigo "Reforma e contra-reforma da Previdência Social no Brasil de hoje"

Introdução
Entre as principais mudanças populacionais que estamos vivenciando nesse início de século, está o aumento da expectativa de vida entre os chamados países emergentes, como é o caso do Brasil. O aumento da expectativa de vida significa um crescente aumento na proporção de idosos sobre o total da população. Esse fato impõe uma série de desafios ao Estado brasileiro, sobretudo de ordem econômica, especificamente no que tange o sistema de previdência social do país. Trabalhe esse tema com os alunos, focando as questões relacionadas a essa nova realidade demográfica e a como o Estado vem pensando a reorganização de seu sistema de previdência social.

Desenvolvimento
1ª etapa
Comente com os alunos que, nos próximos anos, a população brasileira terá uma proporção de idosos sem precedentes em sua história e que esse tema será abordado nas próximas aulas. Em seguida, mostre os gráficos abaixo e pergunte se eles conseguem imaginar a relação entre eles e o tema que será abordado.
O primeiro trata da expectativa de vida, um dos fatores responsáveis por esse envelhecimento da população. Por conta de mudanças nas condições sociais e econômicas da maioria da população, tem aumentado o número médio de anos que um cidadão brasileiro vive nas últimas décadas.
Aumento da expectativa de vida no Brasil
Quantidade média de anos que um cidadão brasileiro vive

Fonte Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Explique que essa evolução na expectativa de vida deve-se, sobretudo, à passagem de uma população, que até a década de 1960, era predominantemente rural, para uma população de maioria urbana. A vida nas cidades garantiu um acesso a melhores condições médico-sanitárias e de trabalho o que proporcionou uma maior longevidade aos brasileiros.
O segundo gráfico mostra um fenômeno concomitante a esse processo: a diminuição da taxa de fecundidade. E o que isso significa? Esse indicador se refere à média do número de filhos das mulheres em idade reprodutiva. Quando alta, indica que a população do país em questão é jovem e seu declínio, portanto, mostra que a população encontra-se em transição para o envelhecimento.
Taxa de fecundidade da mulher brasileira
Número médio de filhos concebidos por cada mulher brasileira

Fonte Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Essas mudanças no comportamento da população brasileira acarretaram transformações em sua estrutura etária, a distribuição dos habitantes de acordo com sua faixa etária e sexo. Em geral, divide-se a população em três grupos: jovens (entre 0 e 19 anos), adultos (entre 20 e 59 anos) e os idosos (a partir dos 60 anos). Após apresentar essa classificação adotada pelo IBGE, questione os alunos: vocês consideram alguém com 60 anos ou mais idoso? Peça para expliquem seus pontos de vista sobre o que entendem pelos seguintes termos: idoso, velhice, terceira idade, melhor idade e maturidade, como formas de se referir a este estágio de vida.
Mostre que uma forma gráfica eficiente de visualizarmos a estrutura etária de uma população é por meio da chamada pirâmide etária, um gráfico de barras composto que exibe os dados por idade para homens e mulheres. Exiba para turma em um projetor a sequencia de pirâmides etárias a seguir.

Explique para a turma que a na pirâmide etária temos os grupos etários divididos por cores e no interior de cada grupo, barras com sub-faixas etárias. Mostre que podemos dividir a pirâmide em três partes: a base, composta pelo grupo de jovens (0 a 19 anos), o corpo, composto pelo grupo de adultos (20 a 59 anos) e o ápice, composto pelo grupo de idosos (60 anos ou mais). Com base na análise da evolução destas partes das pirâmides etárias, explique para a turma que:
- A base da pirâmide etária brasileira ainda pode ser considera larga, se comparada a de outros países do mundo. Isso mostra que a proporção de jovens e crianças é numerosa em nosso país. Crianças precisam ir a escola ou as creches e também precisam de atendimento médico adequado. Isso quer dizer que o governo precisa criar mais escolas e universidades, e melhorar o atendimento nos postos de saúde. Além disso, existem os jovens, que muitas vezes começam a trabalhar bem cedo para ajudar no sustento da família. Esses jovens precisam de incentivos, para que não deixem que o trabalho prejudique os estudos. No Brasil, atualmente, os setores de saúde e alimentação não recebem a quantidade suficiente de recursos e muitos adolescentes e crianças não frequentam a escola e vivem em condições precárias de saúde e alimentação.
- O corpo, ou seja, a parte intermediária da pirâmide mostra que a população adulta diminui gradativamente, conforme vão aumentando as faixas de idade. A população adulta é essencial para um país, pois é a parte da população economicamente ativa, ou seja, a parte que trabalha e produz riquezas para o país. Com o aumento da população adulta, podemos concluir que será necessária a maior oferta de emprego. 
- O ápice, a parte superior da pirâmide ainda indica uma proporção menor de idosos sobre o total da população brasileira, cerca de 10% da população absoluta (população total) do país. Porém, o aumento na proporção desse grupo etário revela que o país deve melhorar a assistência aos idosos, como programas de saúde, medicamentos, assistência hospitalar, assim como repensar seu plano de aposentadorias.
Divida a turma em pequenos grupos e peça para que os alunos analisem o processo de transformação etária da população brasileira, apresentado por meio da sequencia de pirâmides etárias. Oriente a turma a anotar no caderno o que conseguiram perceber em relação à evolução da participação de cada grupo etário (jovens, adultos e idosos) no total da população brasileira. 

2ª etapa
Resgate a análise da evolução da estrutura etária brasileira, realizada pelos grupos no final da aula anterior. Peça aos alunos para expor as principais mudanças identificadas. Busque destacar que, ainda que a população brasileira tenha como uma característica marcante a grande quantidade de jovens e de adultos, é notório o rápido crescimento da proporção de idosos.
Explique que, segundo alguns especialistas, o aumento na proporção de idosos de um país tem impactos importantes sobre a sua economia. Entre os impactos de maior alcance, está aquele relacionado ao fundo de aposentadoria, ou, como é denominado no Brasil, à Previdência Social. Peça para que leiam, silenciosamente, o texto da entrevista "Uma retomada movida a gás", publicada em Veja.
Em seguida identifique se a turma sabe o que é Previdência Social. Se necessário, reforce o conceito.

*Um pouco de teoria: O que é a Previdência Social?
A Previdência Social, gerida pelo Instituto Nacional de Serviço Social (INSS), uma autarquia governamental, além de ser um fundo, também é um seguro social controlado cujo objetivo é prover o cidadão trabalhador de condições de subsistência, caso ele esteja impedido de trabalhar. A Previdência Social concede benefícios, ou seja, rendas ao trabalhador ou à sua família em caso de doença, acidente, gravidez, prisão, morte ou velhice.
O recurso necessário para que a Previdência Social possa conceder tais benefícios advém das contribuições feitas pelos trabalhadores autônomos e das empresas. Ou seja, aqueles trabalhadores que estão trabalhando contribuem para um fundo que beneficia aqueles que estão recebendo, isto é, que estão aposentados.
Mostre que o dinheiro para pagar os benefícios aos aposentados depende exclusivamente da relação entre quem está trabalhando e recolhendo aos cofres do INSS sua contribuição, e os que recebem porque já se aposentaram. No caso do aumento da expectativa de vida e de uma ampliação da proporção de idosos e de uma maior longevidade da população, teríamos um "desequilíbrio" entre o valor que entra e o valor que sai das contas do INSS. Por isso, nos últimos anos o governo vem buscando estabelecer novas regras para mudar a fórmula que regula o cálculo da aposentadoria. Uma delas seria usar o fator previdenciário, que leva em conta o valor e o tempo de contribuição, a idade do trabalhador e a expectativa de sobrevida. É o que tem sido chamado de Reforma da Previdência. Peça que eles leiam o texto "As alternativas para a Previdência Social do Brasil."
Exponha para os alunos que, da mesma forma que alguns especialistas apontam a necessidade de levar a cabo a chamada reforma previdenciária, outros economistas e cientistas sociais tecem críticas contundentes ao modelo que o Estado brasileiro deseja adotar. Sugira aos alunos que leiam o artigo "Reforma e contrarreforma da Previdência Social no Brasil de hoje."

Para finalizar a aula, peça para que produzam um texto, apontando, com base nos textos lidos, um rol de argumentos a favor e outro com argumentos contra a chamada Reforma da Previdência Social no Brasil. Peça para que reflitam sobre esse problema, e que proponham no texto, medidas possíveis para resolver essa questão.

Avaliação
Observe a participação dos alunos, averiguando o nível de interesse dos mesmos nas discussões desenvolvidas em cada aula e o espírito colaborativo de cada integrante no desenvolvimento das tarefas em grupo.
Avalie o desempenho da turma, de forma individual e em grupo, nas atividades de análise dos gráficos, realizada na primeira aula. Busque aferir se os alunos conseguiram incorporar as ideias e os conceitos trabalhados na sua exposição e nos artigos lidos propostos na segunda aula, por meio da produção de texto individual final.

Consultoria Levon Boligian
Professor de metodologia do ensino de Geografia e autor de livros didáticos


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-como-expectativa-vida-influencia-economia-756425.shtml