sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Fé em Deus e pé na estrada

Objetivo(s)
Analisar as peregrinações religiosas e as estratégias usadas pelas religiões para atrair fiéis

Conteúdo(s)
 Manifestações atuais de religião e religiosidade

Ano(s)                            1º                     2º                    3º
Tempo estimado     2 aulas

Material necessário
Computadores com acesso à internet ou projetor de imagens
Reportagem de VEJA sobre o Boeing da fé ( VEJA 2024, 5 de setembro de 2007), disponível em http://veja.abril.com.br/050907/p_104.shtml   
Cópias da reportagem "O Peregrino Chique", (VEJA 2235, 15 de outubro de 2014), disponível no Acervo Digital a partir de 17/10/2014 em http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=2235&pg=108

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
A reportagem "O Peregrino Chique” (VEJA 2235, 15 de outubro de 2014) mostra a que mais devotos da classe A e B agora fazem parte do perfil dos romeiros do Santuário de Aparecida. Além disso, Aparecida continua a atrair um público fiel das outras classes sociais. Em outros lugares santos do mundo, milhares de fiéis são atraídos todos os dias. Mostre aos estudantes que o poder de sedução dos santuários está presente em todas as religiões, sejam pagãs ou monoteístas.

Atividades
Destaque, na Antiguidade, o papel exercido pelos santuários-oráculos, locais de cura e de comunicação direta ou indireta com as divindades. Em alguns deles, os devotos dormiam no interior do templo e recebiam mensagens por meio de sonhos; em outros, as informações eram transmitidas por sacerdotes ou pessoas em transe. O mais conhecido na Grécia era o de Apolo, em Delfos -, porém Zeus, Atena e outros deuses também encaminhavam mensagens aos seguidores. Aprofunde as pesquisas sobre os santuários de Delfos e de Dódona, dedicado a Zeus, o segundo mais importante dos oráculos gregos.
Examine a seguir três locais enfocados no texto de VEJA: Jerusalém, Roma e Santiago de Compostela. Ensine que, na Idade Média, as visitas a esses lugares valiam indulgências ao fiel, reduzindo sua permanência no purgatório. Lembre que Jerusalém era centro de peregrinações desde os tempos do rei Davi, um milênio antes da era cristã. Por sua vez, os devotos que se dirigiam a Roma, onde estariam situados os túmulos de São Pedro e São Paulo, recebiam a designação especial de "romeiros". E Santiago de Compostela tornou-se centro de peregrinações no século IX, reforçando a unidade dos cristãos ibéricos que lutavam contra os muçulmanos. Pergunte se a atração dos santuários, fenômeno religioso-cultural, também apresenta uma dimensão política. É possível relacionar o incentivo a essas visitas com os projetos de governantes e da própria Igreja Católica?

2ª etapa
A revista menciona a Virgem Negra de Czestochowa, na Polônia. Conte que essas representações também existem em outros países, sendo associadas por alguns estudiosos a antiqüíssimas deusas da fertilidade. Informe que a morena Virgem de Guadalupe, padroeira da América Latina, é identificada a Tonantsin, a deusa Terra dos astecas. E a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, pode ser considerada uma Virgem Negra.
Para terminar, organize a montagem de dois painéis. O primeiro deve conter representações de virgens negras encontradas em diversas culturas. O segundo, imagens de centros de peregrinação brasileiros como o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Aparecida do Norte (SP); Nossa Senhora de Nazaré, em Belém; e Juazeiro do Norte (CE), núcleo da devoção dos fiéis do padre Cícero.


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A divisão da Coreia pela Guerra Fria

Objetivo(s)
Refletir sobre as causas e consequências do conflito entre as Coreias
Relacionar a Guerra da Coreia com a Guerra Fria
Entender a tensão que ainda existe entre os dois países

Conteúdo(s)
Guerra Fria
Guerra da Coreia

Ano(s)                                     

Tempo estimado                      2 aulas

Material necessário
Projetor de imagens para exibição de slides
Cópias da reportagem "O focinho do tigre" (VEJA 2395, 15 de outubro de 2014). Disponível no Acervo Digital de Veja a partir de 17/10/2014
Cópias da reportagem "Nem tudo é bobagem" (VEJA 2289, 03 de outubro de 2012)
Cópia da reportagem "A divisão da Alemanha"
Cópia do vídeo "Morte do ditador da Coreia"

Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula propondo uma conversa para a turma, com o objetivo de entender qual é o conhecimento deles sobre o assunto. Questione se eles sabem que existem duas Coreias no mundo. Por que isso acontece? Há diferenças entre elas? Quais? Deixe que os alunos se manifestem com liberdade e intervenha quando necessário. Se mencionarem a Guerra Fria como um dos fatores, escreva e sublinhe o termo na lousa. Então, informe à turma que o assunto da aula será a divisão da Coreia em dois territórios, bem como as implicações desse fato no cotidiano de seus habitantes e os motivos que levaram isso a acontecer.
Antes de prosseguir com a questão específica das Coreias, oriente os alunos a fazer uma breve revisão das principais características da Guerra Fria. Sistematize no quadro negro os elementos citados, certificando-se de que a polarização do mundo entre capitalismo e socialismo foi bem compreendida. Feito isso, pergunte aos alunos como esse conflito ideológico pode ser notado na segunda metade do século XX. Questione as influências da polarização na cultura, na política e nas relações dos países protagonistas do conflito com o resto do mundo. Permita o desenvolvimento de um debate que esclareça a amplitude dessa questão, ou seja, que apresente exemplos em todo o mundo, inclusive o da Coreia. Anote esses exemplos na lousa, porque mais tarde eles serão retomados em uma próxima etapa.

2ª etapa
Após a enumeração de alguns casos de conflitos pertinentes ao contexto da Guerra Fria, é importante que os alunos compreendam o caso específico da Coreia nesta etapa da aula. Então oriente a turma a ler individualmente a reportagem "Por que a Coreia se dividiu? Há chances de reunificação?", publicada na revista Nova Escola. Com base na leitura do texto, peça aos alunos que identifiquem a posição de cada uma das Coreias dentro do contexto da Guerra Fria e sistematize no quadro negro essas informações. Certifique-se de que os alunos entenderam quando e porque começou a Guerra das Coreias e de qual foi o desfecho do conflito armado. Nesse último ponto, é importante ressaltar que um tratado de paz nunca foi assinado entre os dois países, apenas um cessar-fogo, o que, de certa forma, indica que ainda estão em estado de guerra. Para complementar esta etapa, utilize a comparação entre Coreia do Norte e Coreia do Sul presente na matéria "Nem tudo é bobagem", disponível no site da Veja. Destaque que o comunismo norte-coreano não é idêntico ao modelo soviético. Ao contrário do primeiro, a passagem de poder é hereditária. Informe, ainda, outras características que marcam o atual comunismo norte-coreano. A sugestão aqui é que sejam destacados os seguintes pontos:

1) O rígido controle central da informação
2) O isolacionismo político-econômico
3) As suspeitas de desenvolvimento de armas nucleares, tidas como a principal ameaça da ditadura em relação às potências ocidentais.

3ª etapa
Nesta etapa da aula, estimule os alunos a refletir sobre a atualidade do conflito permanente entre as duas Coreias. Peça à turma para comentar quais notícias recentes sobre a Coreia do Norte são conhecidas. Permita que os alunos apresentem suas visões sobre a noção de mundo. Para que os estudantes entendam a permanente tensão entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, proponha a leitura da reportagem "Tensão marca 59º aniversário do fim da Guerra da Coreia", da revista Veja. Essa leitura pode ser feita individualmente, mas antes disso, oriente aos alunos a evidenciar o modo diverso como cada uma das Coreias se posiciona sobre a guerra.
Em seguida, para oferecer um panorama maior sobre o ambiente político e sociocultural na Coreia do Norte, exiba o vídeo "Morte do ditador da Coreia do Norte", reportagem produzida pela Globo News. Destaque a permanente tensão na região por causa do posicionamento norte-coreano e a limitação da liberdade de seus habitantes.

4ª etapa
Para estabelecer um paralelo sobre a divisão dos países entre as potências vigentes durante a Guerra Fria, retome as anotações feitas no quadro no início dessa atividade. Pergunte aos alunos que outro exemplo de divisão territorial ocorrida durante o período se assemelha com a história da Coreia. O esperado é que eles citem o caso da Alemanha, mas caso isso não seja feito, introduza o assunto na classe.
Em seguida, distribuía cópias da reportagem "A divisão da Alemanha", e peça que eles façam a leitura individual, tentando reconhecer aspectos semelhantes entre esse país e a Coréia. Depois da leitura, proponha uma conversa para que eles exponham o que pensaram. Permita-os que façam suas análises sobre a fronteira das Coreias e o Muro de Berlim. Estimule uma reflexão sobre os riscos do fanatismo político e ideológico e sobre autoritarismo, repressão e censura.
Como complemento, leia com a turma a reportagem "Famílias divididas pela Guerra da Coreia têm reencontro emocionado", publicada pelo portal G1. Tomando-a como base, peça para que os alunos façam uma analogia com a divisão da Alemanha e a construção do Muro de Berlim. Para ajudá-los a visualizar os conflitos surgidos da divisão de um país, indique como sugestão para casa que eles assistam o filme "Adeus, Lênin", do diretor Wolfgang Becker. Mas atenção, essa atividade é opcional!
Em contrapartida, também é importante contar um pouco da realidade social da Coreia do Sul. Destaque que, apesar da liberdade e do grande desenvolvimento econômico, que pode ser observado pelo crescimento de grandes montadoras de automóveis, como a Kia, na reportagem "O focinho do tigre", o país também apresenta diversos outros problemas, como os sucessivos golpes de Estado e a desigualdade social típica de qualquer país capitalista. Além disso, a globalização e a rapidez do fluxo de informações atinge os países de formas diferentes, sendo muito mais intensos na Coréia do Sul. Para ilustrar a situação, exiba o videoclipe do hit "Gangnam Style", do rapper Psy. Explique que a música ridiculariza o estilo de vida das elites sul-coreanas, particularmente dos habitantes do bairro de Gangnam, em Seul. É interessante observar também a influência da cultura ocidental sobre a juventude do país, ressaltada em elementos que aproximam o personagem do videoclipe de figuras recorrentes em músicas de rappers norte-americanos.

Avaliação
Divida a turma em três grupos. O primeiro grupo deverá fazer uma pesquisa sobre as características da Coreia do Norte e da Alemanha Oriental. O segundo grupo deverá fazer uma pesquisa sobre as características da Coreia do Sul e da Alemanha Ocidental. O terceiro grupo deverá apresentar as consequências da unificação da Alemanha após a queda do Muro de Berlim e analisar quais seriam os benefícios ou malefícios da unificação da Coreia. Na aula seguinte, cada grupo deve apresentar oralmente seus resultados. Avalie se a influência do contexto da Guerra Fria na Guerra das Coreias, apresentada na primeira e na segunda etapas da aula, e se as consequências da divisão na atualidade, enfatizadas na terceira etapa, foram bem compreendidas.


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Devemos proteger crianças e adolescentes de assuntos “inadequados”?

Não posso deixar de compartilhar com vocês uma notícia que me incomodou muito:
… o livro “A Culpa é das Estrelas”, de John Green, foi proibido em escolas públicas em Riverside, na Califórnia, por falar de morte e sexo. A proposta de proibição veio de uma mãe, Karen Krueger, que convenceu uma comissão de professores, pais, diretor e bibliotecários a retirar as cópias dos livros das bibliotecas do distrito. “Eu não acho que o conteúdo seja apropriado para crianças de 11, 12, 13 anos de idade”, disse ela. (Fonte: UOL)
O best-seller “A culpa é das estrelas“, do autor norte-americano John Green, conta de maneira espirituosa e sensível a história de um casal de adolescentes diagnosticados com câncer. Recentemente adaptado para o cinema, o livro trata de sexo e morte, dois temas tabu na nossa sociedade. A protagonista tem uma vida amorosa (e sexual) ao mesmo tempo em que lida com a doença e a iminência da morte. Não é o caso de avaliar se essa história é a melhor para abordar essas questões, mas quero discutir a postura superprotetora, que, oferece ao jovem silêncio e negação no lugar de uma oportunidade para o diálogo e a aprendizagem sobre questões inerentes à vida. Será que isolar crianças e jovens de temas como a morte e o sexo é positivo para seu desenvolvimento?
Isso me remeteu a minha adolescência…  Sem ter mais o poder de me proteger da vida, meu sábio e saudoso pai admitiu em uma de nossas conversas:
“Se pudesse, colocava você e seus irmãos num pedestal para que não precisassem passar por nenhum tipo de sofrimento, tristeza ou dificuldade. Mas não posso. Filha, o que posso lhe dizer é que a lei da física se aplica a lei da humanidade. Quando a gente se deixa levar pela força centrípeta ou pela centrífuga… Perde o controle sobre a própria vida e passa a ser comandado pelos outros. É preciso encontrar o equilíbrio! E, para isso, você tem que aprender a subir a sua escada da vida sozinha.”
A coragem e a humildade contidas nessas palavras são uma grande referência para mim. Até hoje pauto minhas atitudes por elas, mesmo tendo mais idade do que meu pai tinha quando as proferiu.

Desejo e realidade
Precisamos separar a nossa expectativa em relação à vida dos nossos jovens da realidade com que eles têm de lidar e vivenciar com suas próprias pernas e atitudes. Muitos pais e educadores ainda acreditam erroneamente que as aulas de Educação Sexual são uma apologia ao sexo. Eles têm a ideia – ou a esperança – de que seus filhos/alunos nem sequer pensem nisso. Será? Uma pesquisa recente mostrou que a primeira relação sexual dos brasileiros está ocorrendo por volta dos 13 anos, mesma idade registrada nos Estados Unidos e Austrália.
Hoje um casal de adolescentes pode passar um longo tempo juntos, em sua própria casa, na casa de amigos, em uma balada, em um shopping ou mesmo no cinema.
O que os jovens fazem ou não com o seu interesse sexual – que, como vimos na pesquisa, existe! – depende da Educação Sexual que tiveram, isto é, dos valores, da capacidade de tomar decisões e lidar com os desejos, da aprendizagem sobre prevenção, da sua autoestima…
Ouço muito que as crianças e jovens “não estão preparados” para lidar com esse tema. Concordo, afinal, quem já nasce preparado para alguma coisa nessa vida? Nosso papel é justamente prepará-los para lidar com questões da sexualidade, de acordo com o seu interesse e com sua capacidade de compreensão dos fatos. Eles anseiam saber! Precisamos respeitar a fase de cada um, e não impedir o conhecimento.
Muitas vezes, o sexo é reduzido ao prazer do corpo e às manifestações genitais. No entanto, a sexualidade é um instrumento que propicia experiências indispensáveis ao crescimento pessoal, à autonomia e ao desenvolvimento da individualidade e, até mesmo da cidadania, uma vez que envolve o modo como cada um entende e interpreta seus direitos e deveres para consigo e com os outros, em relação à condição de gênero, a função reprodutiva e a capacidade de se relacionar afetivo e sexualmente.
Quando se nega o trabalho de Educação Sexual ou se adere ao discurso de que esse tema é “inadequado” aos alunos, é preciso refletir: será que o educador não está deixando de ser um elemento transformador para se tornar um instrumento de atrofia pessoal e social?
Para caminharem sozinhos, os jovens precisam abastecer a bagagem da vida com conhecimentos. Sejam eles adquiridos nas experiências familiares, seja na vivência pessoal, mas também por meio de ensinamentos formais da escola e da emoção de um livro. Se houver alguma dificuldade de compreensão do livro, ela vai precisar de um adulto próximo para conversar. E aí, quem é que não está preparado para o tema?

http://revistaescola.abril.com.br/blogs/educacao-sexual/2014/10/09/devemos-proteger-criancas-e-adolescentes-de-assuntos-inadequados/
Como o conceito de beleza se transformou ao longo dos séculos?

Desde a Antiguidade, o culto ao belo faz parte da cultura de diferentes sociedades, veja na galeria como o padrão de beleza se modificou até os dias de hoje
Cada época e lugar estabelecem critérios para definir o que é considerado belo. Como apresenta a reportagem "Vítimas da Moda" (VEJA 2394), nas últimas décadas, a moda se tornou um dos grandes referenciais do que é ser belo. E, ao olhar para a história, é possível verificar que o conceito é mutável, subjetivo e depende do contexto histórico, social e cultural em que está inserido.
A busca pelo corpo perfeito também vem de longa data, mas hoje somando à estética os artifícios do Photoshop, com corpos ‘’ideais’’ e desejáveis estampando capas de revista, atingir esse resultado se torna uma corrida sem fim. ‘’Nos termos de Aristóteles, a beleza é um impossível - algo a que sempre se almeja sem nunca alcançar’’, esclarece a doutora em Psicologia e Educação pela USP, Monique Deheinzelin.


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/como-conceito-beleza-se-transformou-ao-longo-seculos-805040.shtml#ad-image-0
Como o corpo reage ao excesso de exercício?

Objetivo(s)
Identificar as alterações fisiológicas que ocorrem no corpo humano em decorrência do esforço físico extremo

Conteúdo(s)
Funções vitais do organismo humano

Ano(s)                                       1º                    2º

Tempo estimado             Quatro aulas

Material necessário
- Cronômetro
- Cópias da reportagem "Ninguém nunca se afogou no próprio suor", disponível no acervo digital de VEJA
- Cópias da reportagem "Na pele de um gordo", disponível no acervo digital de VEJA a partir de 26/9/2014
- Medidor de pressão arterial
- Termômetro
- Artigo "Efeitos do Exercício Físico sobre o Trato Gastrointestinal", assinado por vários autores, disponível na Revista Brasileira de Medicina do Esporte
- Cópias do relato postado pelo triatleta Marlus no blog Coisas que fiz na vida (veja uma versão modificada no quadro abaixo)

Desenvolvimento
1ª etapa
Introdução
Exercícios físicos de alta intensidade estão na moda. A reportagem "Na pele de um gordo" (VEJA 2392, 24 de setembro de 2014) conta a história de um personal trainner americano que engordou quase 40 quilos para, depois, emagrecer novamente e provar os efeitos de uma rotina intensa de dietas e exercícios. O tema pode ser discutido em diversas disciplinas e com diversos objetivos. Há diversos planos de aula que discutem, por exemplo, os padrões de beleza que moldam o desejo pelo corpo perfeito: "Os padrões de beleza ao longo do tempo""Obesidade, saúde e padrões de beleza" e "Padrões de beleza na sociedade de consumo"
Nas aulas de Biologia, uma abordagem possível é sobre as consequências do excesso de exercício sobre o corpo humano. A mais nova modalidade a ganhar espaço na mídia é o crossfit, na qual os praticantes procuram chegar à exaustão muscular. Para isso, praticam exercícios vigorosos em curtíssimo espaço de tempo - de quatro a 20 minutos. Muitos participantes vomitam ou desmaiam por causa do esforço.
Este plano de aula usa o tema dos esportes de alta intensidade para consolidar um conteúdo do Ensino Fundamental: o funcionamento dos sistemas cardiovascular, respiratório e muscular. Para isso, propõe uma atividade conjunta com o professor de Educação Física e chama a turma para mensurar dados biológicos.

Atividades
Comece formando grupos de mais ou menos 4 pessoas. Distribua cópias do relato de um atleta sobre sua participação em uma prova da corrida Ironman Brasil, realizado em 2013 em Florianópolis. Pergunte aos alunos se eles sabem o que é o Ironman. Se nenhum aluno souber, explique que o Ironman é uma corrida de  225 km. Nela, o atleta percorre 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida. Em seguida, oriente os alunos a ler o texto abaixo:

Ironman Brasil 2013 - um breve relato
Na natação, após uns 1000 m comecei a sentir dor na lateral direita da barriga como se fosse aquela dor lateral que nos dá quando estamos correndo a um ritmo muito forte. Após sair na areia, tomei um gole de água e entrei no mar para a segunda volta da natação. A dor permaneceu.
Na bike, comecei a pedalar em meu ritmo de prova. Esperava fazer um pedal para 5 horas e 15 minutos. Porém, como transpiro muito e dei atenção maior à hidratação, tive que parar duas vezes para urinar. O tempo final da bike ficou em 5 horas e 20 minutos. Durante todo o percurso, me senti bem, com uma dor leve no estômago.
Assim que saí para correr, percebi que estava encrencado, pois comecei a sentir fortes dores abdominais. Como a ideia era terminar a prova abaixo de 11 horas, tive que percorrer os 42 km da maratona em 4 horas e 20 minutos. Depois de uns 8 km de corrida, parei em um banheiro químico para tentar fazer algo para ver se aliviava minhas dores. Fiquei sentado no trono por cerca de dez minutos e nada aconteceu. Resolvi voltar a correr e as dores permaneceram. Nas subidas, sentia vontade de vomitar. Parei várias vezes para tentar fazê-lo, mas nada acontecia. No quilômetro 14, a vontade de vomitar foi só aumentando até que eu não aguentei mais. Incrível como melhorei repentinamente, porém não conseguia comer mais nada, pois tudo me enjoava. Saí com oito géis de carboidrato e acabei usando somente três. Isso me fez perder as forças e ficar na maratona correndo, somente tomando água e um pouco de Coca-Cola. Logo no início da segunda volta da corrida, parei novamente em um banheiro químico. Desta vez a diarreia veio, fiquei mais uns oito minutos ali no banheiro
Meu tempo final ficou em 11:02:29. Por 2 minutos e 29 segundos, não consegui fazer a prova abaixo de 11 horas. Baixei meu tempo na natação em oito minutos, baixei meu tempo nas transições, baixei meu tempo na bike em 12 minutos, aumentei meu tempo na corrida em 5 minutos. Mas estou feliz por ter terminado a prova.

Após a leitura do texto, faça alguns questionamentos para a classe.
- Quanto tempo o atleta demorou para finalizar a prova?
- O corpo dele reagiu bem ao esforço da prova?
- Quais sintomas o atleta apresentou?
- Por que o corpo reagiu dessa forma?
- Como o corpo reage quando submetido a esforço físico extremo?

Oriente os estudantes a registrar suas hipóteses no caderno. Avise-os que eles realizarão uma atividade para verificar as hipóteses.

2ª etapa
Convide os alunos a pesquisar as alterações apresentadas pelo corpo após uma atividade física extrema. Para isso, será necessário trabalhar de forma interdisciplinar. Planeje com o professor de Educação Física atividades que coloquem os alunos em movimento. Ele deve instruir os alunos a aferir os seguintes indicadores corporais antes e depois da atividade: frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura corporal, frequência da respiração, sudorese e estado da musculatura. As medições devem ser feitas em um membro de cada grupo com a ajuda do professor.
Os alunos podem medir a frequência cardíaca sentindo as pulsações no pescoço ou punho e marcando tempo com um cronômetro. A unidade de medida deve ser batimentos por minuto. A pressão arterial pode ser aferida com um medidor. Peça para o professor de educação física ressaltar que a unidade de medida é milímetros de mercúrio (mmHg). Um termômetro ajuda a medir a temperatura corporal, dada em graus Celsius (°C). Já a frequência da respiração é mensurada pela quantidade de vezes que o aluno inspira em um minuto. Ressalte que a unidade de medida será inspiros por minuto. Os alunos devem avaliar a sudorese através de um método qualitativo: observar se o colega está muito suado, mais ou menos suado ou pouco suado. Para avaliar o estado da musculatura, os colegas devem perguntar aos aluno avaliado se ele está muito cansado, mais ou menos cansado ou sem cansaço. Oriente os alunos a registrarem os dados da pesquisa em uma tabela:

Nome do aluno:

Em repouso
Após a atividade
Frequência cardíaca


Pressão arterial


Temperatura do corpo


Frequência da respiração


Sudorese


Musculatura



3ª etapa
De volta à sala, oriente aos alunos a analisar os dados descrever as principais alterações ocorridas no corpo após a atividade física. Pergunte por que corpo sofreu as alterações. Anote as respostas no quadro.
Espera-se que os alunos relacionem as alterações à necessidade de maior oxigenação para atender a demanda de energia, à necessidade de controlar a temperatura corporal e ao excesso de contração muscular. Caso eles não consigam relacionar os fenômenos, retome conteúdos sobre os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular através de questionamentos. Oriente os alunos registrar as explicações obtidas.
Pergunte aos alunos o que acontece quando as pessoas são submetidas a esforços extremos. Peça para a classe relacionar a pergunta aos sintomas relatados pelo atleta durante a prova do Ironman. Novamente, anote as explicações.
Em seguida, distribua o artigo "Efeitos do Exercício Físico sobre o Trato Gastrointestinal", daRevista Brasileira de Medicina do Esporte. Explique que ali os alunos poderão encontrar informações para entender o que aconteceu com o triatleta. Peça que os alunos registrem suas explicações. Verifique junto com a classe se as hipóteses levantadas foram aceitas ou refutadas.
Ressalte que, durante o exercício, o corpo direciona sangue do sistema digestivo para os músculos e a pele. Aponte, usando o artigo, que o fluxo de sangue no intestino pode diminuir até 80%, comparado às condições de repouso. Conclua que a diminuição do fluxo de sangue nos órgãos endoabdominais deve ter gerado as náuseas, vômitos e diarreia sentidos pelo atleta.

Avaliação
Peça que os estudantes entreguem um relatório com a pesquisa realizada na aula de Educação Física. Instrua-os alunos estruturar o trabalho de maneira similar à científica. O trabalho deve conter os seguintes itens:
Ø Introdução: inclui o texto sobre o relato do atleta, as perguntas orientadoras feitas pelo professor e as hipóteses levantadas;
Ø Metodologia: deve conter a descrição dos procedimentos utilizados para obter os dados da tabela e relação dos materiais usados na pesquisa;
Ø Resultado: apresentação da tabela
Ø Discussão: traz as explicações para os fenômenos observados.

Avalie se os alunos conseguem identificar as alterações fisiológicas que ocorrem no corpo em decorrência das atividades físicas e do esforço físico ao extremo. Observe se os alunos conseguem perceber as interações entre os diferentes sistemas do corpo.


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