sexta-feira, 11 de julho de 2014

Computadores fazem arte?
Proponha experimentos artísticos para instigar a turma a refletir se no futuro a arte poderá ou não ser fruto de inteligência artificial

Objetivos
·       Produzir poéticas pessoais, coletivas e/ou colaborativas por meio de percursos de experimentação
·       Investigar as potencialidades das relações entre linguagens artísticas e forma-conteúdo

Conteúdos
·       A potencialidade e a singularidade poética nas linguagens
·       As linguagens das linguagens da Arte
·       Pop Art
·       Arte Contemporânea

Anos                                                                      Ensino Médio

Tempo estimado                                           6 aulas

Material necessário
·                       Cópias da reportagem "Olha quem está falando" (VEJA 2373, 14 de maio de 2014)
·                       Cópias da letra "Computadores fazem arte"  (disponível abaixo) da banda Nação Zumbi, bem como o próprio áudio disponível no Youtube
·                       Cópias de frases sobre "Criatividade" e "Tecnologia" de diversos autores (disponíveis abaixo)
·                       Livro "Das Coisas Nascem Coisas" de Bruno Munari (Martins Fontes, 1998)
·                       Vídeo "Andy Warhol paints Debbie Harry on an Amiga" disponível no Youtube
·                       Papel A4, lápis 6B, papel craft, folhas de papel-cartão tamanho A2, canetas hidrográficas coloridas, lápis de cor, tinta guache, papéis e imagens para colagem, tesoura, cola, régua etc.
·                       Projetor para a exibição de imagens
·                       Equipamento de som para reprodução de áudio

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Desenvolvimento
Introdução
Vivemos em uma sociedade que já incorporou o uso da tecnologia no cotidiano. Nesse contexto, mediados por dezenas de aparelhos, redescobrimos e reconstruímos nossas relações com o mundo. Se na esfera do cotidiano esse contato acontece tão ferozmente, na arte não poderia ser diferente. As experimentações com arte e tecnologia vêm se multiplicando nestas três últimas décadas com a utilização, pelos artistas, de diversas formas de realização, produção e distribuição de suas obras. Porém o essencial - a criação artística - continua em pauta. Se por um lado as facilidades trazidas pela tecnologia alcançam facilmente tarefas de extrema complexidade nunca antes imaginadas, a profunda compreensão dos meios de criação se faz necessária para não perdermos de vista o processo criador. Neste Plano de Aula, a ideia é problematizar esses aspectos com os alunos, estimulando-os a refletir e produzir, tendo como ponto de partida essa problematização inicial.

1ª etapa
Inicie as atividades com um exercício de aquecimento e sensibilização, propondo aos alunos que peguem seus celulares e reproduzam a primeira tarefa que realizaram com o aparelho naquele dia (ligar o aparelho, colocar a senha, escrever uma mensagem, entrar no Facebook, usar o e-mail etc.). Peça a eles que anotem de maneira processual cada passo realizado para executar a tarefa (apertar o botão "ligar", digitar a senha, clicar a tecla "enter" etc.). Para os alunos que não possuírem celular, peça para que reproduzam mentalmente seu primeiro contato do dia com algum aparelho tecnológico (TV, videogame, micro-ondas etc.)
Em seguida, entregue a eles uma folha de papel A4 e proponha que desenhem nessa folha um retângulo que se assemelhe à tela do celular de cada um, pensando em uma escala próxima da real (ou, para os que não tenham celular, o formato do aparelho utilizado naquele dia). Peça para que marquem nesse retângulo "bolinhas" que indiquem, numericamente, os pontos onde eles clicaram para executar essa primeira tarefa do dia. Será formada uma imagem semelhante à seguinte:




O objetivo desta etapa é sensibilizar o aluno para os processos envolvidos na execução das tarefas intermediadas pelas tecnologias no cotidiano, fazendo com que ele preste atenção nos passos automáticos, no movimento dos dedos e no desenho fruto desse movimento realizado durante a execução da tarefa. Introduzimos nesse aquecimento o conceito de registro de processo, para posteriormente apresentar a ideia de processo criativo e documento de processo.
Solicite aos alunos que guardem esse trabalho e indique que essa imagem será usada como base para o mapa conceitual que ele deverá realizar em grupo, em etapas posteriores. Em seguida, distribua cópias da reportagem "Olha quem está falando", publicada na revista VEJA, e peça aos alunos que se reúnam em trios para realizar a leitura. Oriente-os a fazer a leitura da reportagem tendo em mente as seguintes questões que precisam ser respondidas:
Identifique na reportagem o "criador" (ou os criadores) e a "criatura". Ou seja, "o que" está sendo criado e "quem" cria.
Em sua opinião os computadores possuem características atribuídas aos seres humanos? Se sim, quais?
Você concorda com a afirmação de Nicholas Carr - escritor apresentado na reportagem - de que a Internet elimina nossa capacidade de concentração e contemplação? Justifique sua resposta.
Retome o agrupamento comum da sala. Peça aos grupos que socializem as respostas da análise do texto. Escreva palavras-chave na lousa com base nas respostas dos alunos e não as apague. Se não for possível manter a lousa intacta até a próxima etapa, utilize papel craft. É essencial, para a realização das próximas etapas, que essas palavras-chave fiquem registradas em um local visível.

2ª etapa
Divida a sala em dois grandes grupos (essa divisão pode ser feita por afinidade ou com base nas respostas acerca da reportagem da revista Veja). Proponha a realização de um "tribunal de debate", no qual um aluno da sala será eleito o juiz, três alunos integrarão o júri e o restante permanecerá na divisão de dois grandes grupos, tendo cada grupo um debatedor oficial (ou advogado). Sorteie as funções, se necessário. O professor deve assumir a função de mediador de conflitos e propositor, mas não deve interferir na decisão do juiz e do júri. Apresente aos alunos o tema do debate: "Computadores fazem arte?". Sorteie para cada grupo as respostas "Sim" e "Não". Indique que, independentemente da opinião pessoal, os debatedores deverão buscar argumentos para defender a resposta sorteada pelo grupo. Esses argumentos devem ser plausíveis, cabendo ao juiz e ao júri decidir qual grupo "venceu" o debate, ou seja, qual grupo apresentou maior número de argumentos plausíveis. Durante o debate, acrescente as palavras-chave pronunciadas pelos alunos na lousa ou no papel craft, juntamente com as palavras-chave respondidas sobre a reportagem da revista Veja.
Para instigar o debate, o professor deve introduzir frases, textos, poemas, músicas e imagens que auxiliem os alunos nas discussões.  Uma boa sugestão é usar como elemento disparador a música"Computadores fazem arte", da banda Nação Zumbi. Para isso, distribua cópias da letra da música (abaixo) e permita que os alunos escutem o áudio algumas vezes.

Texto 1 - Computadores fazem arte
Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro.
Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro.
Computadores avançam
Artistas pegam carona.
Cientistas criam robôs
Artistas levam a fama.

 Instigue o debate e as opiniões divergentes sobre a letra da música e, no decorrer do debate, entregue  outros papéis com frases sobre "criatividade" e "tecnologia". Seguem alguns bons exemplos:

Texto 2 - Trechos
"Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade" (Albert Einstein)

"O processo criativo é um caminho espiritual. E essa aventura fala de nós, de nosso ser mais profundo, do criador que existe em cada um de nós, da originalidade, que não significa o que todos nós sabemos, mas que é plena e originalmente nós" (Nachmanovitch)

"Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinta de magia" (Arthur Clarke)

"A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas insere-o mais profundamente neles" (Antoine de Saint-Exupéry)

Os alunos estão diariamente imersos na tecnologia e fazem uso dela cotidianamente. Porém eles não produzem arte com a mesma frequência que usam aparelhos eletrônicos. Então é provável que surjam, a partir do debate, questões como: "O que é arte?", "O que é essencial em arte?", "O que todas as artes têm em comum?" etc.  Caso isso ocorra, explique para a classe que essas são questões gerais que permeiam o debate artístico em suas diversas vertentes e que sua presença nesse debate reafirma a pertinência do assunto que está sendo discutido. Registre essas dúvidas e os outros elementos levantados, mesmo aqueles sem respostas imediatas, pois eles serão úteis para aproximar o aluno de duas questões constituintes da polêmica contemporânea entre arte e tecnologia:
·       O que é criação?
·       O que é mediação?
Somente depois de esmiuçadas essas duas questões da contemporaneidade poderá ser possível projetá-las em um futuro ficcional como o apresentado na reportagem utilizada em sala. 

3ª etapa
Após o debate e seus acúmulos, proponha a construção de dois mapas conceituais, utilizando papel craft, canetas hidrográficas coloridas, lápis de cor, tinta guache, papéis e imagens para colagem etc. Mantenha a divisão dos grupos do debate, sendo que cada grupo deve ficar responsável por um mapa.
Explique o que são mapas conceituais e mostre exemplos de mapas utilizando o projetor. 
Com base no primeiro desenho feito a partir do celular e nas palavras-chave anotadas na lousa durante as etapas anteriores, o grupo responsável por defender a resposta "Sim, computadores fazem arte"deverá realizar o mapa sobre "O que é mediação", indicando exemplos de como a tecnologia media nossas ações cotidianas e nossas ações artísticas; já o grupo responsável por defender a resposta"Não, computadores não fazem arte" deverá realizar o mapa sobre "O que é criação artística".
A imagem inicial realizada pelos alunos no aquecimento, a partir dos procedimentos de uso do celular, será útil para indicar aos alunos a ideia de etapa e processo nesse mapa conceitual bem como um exemplo de desenho possível para o mapa.
Mapas conceituais são representações gráficas semelhantes a diagramas, que indicam relações entre conceitos ligados por palavras, sendo nesse caso um resumo dos conteúdos pesquisados pelos alunos e um exercício de síntese em que o próprio aluno organiza o que aprendeu. Assim, o desenho fruto do movimento dos dedos ao utilizar o celular pode ser um ótimo exemplo para o diagrama do mapa por indicar um processo que pretende atingir um fim - cada passo está relacionado ao passo seguinte. No exercício proposto, a execução de uma tarefa como "enviar mensagem" depende de ligar o aparelho, digitar a senha de desbloqueio, apertar enter, clicar no ícone referente à imagem, digitar o texto e, por fim, enviar. 
Esta abordagem dos mapas conceituais está embasada em uma teoria construtivista que entende que o indivíduo constrói seu conhecimento e significados a partir da sua predisposição para realizar esta construção. Porém, criar um diagrama pode ser uma tarefa complexa. Se, no exemplo, o aluno entender que o objetivo do mapa é conceituar "criatividade artística", ele pesquisará conceitos prévios dos quais a criatividade artística depende, como "necessidade de expressão", que por sua vez liga-se a "humanidade". 
Deste modo, criar o desenho do mapa a partir da reprodução de uma tarefa simples pode ser um auxílio pedagógico em que cada "bolinha" (procedimento, no exemplo, onde apertei "enter" na tela) indica um conceito e/ou uma palavra-chave sobre "criatividade artística" e "mediação tecnológica", considerando que um conceito deve ser ligado a outro por meio de uma expressão ou frase explicativa. A exemplo: "necessidade de expressão" é uma característica dos "seres humanos".
Possibilite que os grupos façam a pesquisa para o mapa conceitual no laboratório de informática e indique possíveis fontes de consulta. Nesta etapa, o professor deve dar uma contextualização sólida dos temas, indicando livros, textos, imagens, vídeos e artistas (consulte a bibliografia ao final desse Plano de Aula). Para esta etapa de pesquisa, se necessário, subdivida o grupo em grupos menores de cinco integrantes, mas garanta que durante a realização do mapa coletivo os alunos tenham tempo de trocar as informações coletadas. Lembre os alunos de que o acabamento e o design do mapa (cores, imagens, formas etc.) devem ser levados em consideração, sendo o próprio mapa um produto de arte e criatividade.
Em seguida, proponha aos alunos que apresentem seu mapa conceitual, explicando os conceitos utilizados e os processos para toda a turma. 

4ª etapa
Projete imagens dos livros e obras do artista Bruno Munari - como, por exemplo, dos seus "pré-livros" - enfatizando o processo de trabalho do artista e a criatividade na construção de um objeto. Para Munari, a criatividade não é uma improvisação, mas um método que integra os elementos da natureza e as tecnologias nos tempos e nos espaços cotidianos. A sugestão é que o professor utilize como base para as proposições e contextualização o livro do artista "Das Coisas Nascem Coisas" (Martins Fontes, 1998). 
Proponha aos alunos que, assim como Munari, criem um pequeno livro com papel-cartão. Esse livro será sanfonado, então entregue aos alunos uma tira de papel-cartão de 10,5 x 37 cm (utilize uma folha A2 recortada) para cada um. Explique as medidas para as dobras, pedindo para que marquem na tira de papel recebida os pontos de 5 cm, 12 cm, 19 cm, 28 cm e 37 cm, e vinquem o papel-cartão nesses pontos para criar uma sanfona ou leque.
Cada página terá, então, a seguinte medida: 5 cm, 7 cm, 7 cm , 9 cm e 9 cm respectivamente. Faça uma dobradura sanfonada em que o primeiro quadradinho é seguido por 2 cm do segundo, que por sua vez é seguido por 2 cm do terceiro e assim sucessivamente. Quando aberto, o livro será formado por 6 divisões. 
A proposição final desse exercício é que o aluno "crie algo que nasça de algo". Ele deve desenhar uma imagem com o livro fechado que perpasse o primeiro quadrado de 5 cm e os 2 cm de cada quadrado seguinte. Porém, ao abrir o livro (abrir a sanfona), essa imagem aparecerá recortada nos quadrados 2, 4 e 6, e o aluno deve continuar o desenho e gerar uma nova imagem no interior do livro que seja diferente da imagem inicial, criando uma narrativa sem utilizar palavras. Disponibilize diversos materiais (cola, tesoura, papéis coloridos etc.) para que o aluno possa fazer uso de texturas e transparências e não fique apenas dependendo do desenho nessa proposta. 
Veja exemplo com menor número de páginas:



Em seguida, peça para que os alunos façam um documento de processos durante a confecção do livro, registrando:
·       De onde você tirou a inspiração para este trabalho?
·       Qual foi sua maior dificuldade?
Esta etapa consolida a pesquisa dos alunos acerca da criatividade e dos processos criativos em arte, tendo o aluno a oportunidade de criar dentro de um processo pré-estabelecido, tal como a realidade, um signo do imaginário, seguindo uma sequência que norteia, mas não limita.

5ª etapa
Com auxilio do projetor, exponha  o vídeo em que o artista Andy Warhol pinta o retrato da cantora Debbie Harry utilizando o computador. Contextualize a produção de Andy Warhol e exiba outras obras da Pop Art, bem como outros artistas que pretendiam romper as barreiras entre a arte e a vida reforçadas pela tecnologia nas grandes cidades. Durante a leitura das obras, problematize as seguintes questões:
·       O que é "popular" nessa imagem?
·       Em sua opinião, pintar no computador é diferente de pintar utilizando tinta? Justifique sua resposta.
·       Atualmente, o que a tecnologia tem a ver com a "cultura pop"?
Em seguida, proponha aos alunos a recriação do livro sanfonado digitalmente, utilizando os meios com os quais se sintam seguros (smartphones ou computadores, com softwares como PowerPoint, Prezi, InDesign, Paint, Photoshop, Movie Maker etc.). A proposta não muda, mas a execução agora tem de ser intermediada por algum procedimento tecnológico e inspirada na estética e formas utilizadas pelos artistas pop. É importante manter a ideia de sequência: a partir de uma coisa se cria outra. 

6ª etapa
Investigue se a turma já trabalhou o conceito de artigos de opinião na aula de Língua Portuguesa. Em caso afirmativo, oriente-os a redigir uma dissertação cujo tema é: "No futuro, será que a criação artística poderá ser fruto de inteligência artificial?".
O objetivo desta etapa é unir os conceitos trabalhados: "O que é criação artística?", "O que é tecnologia e mediação em arte?", projetando em uma ideia de futuro tais conceitos. Durante o percurso, o aluno discutiu, esquematizou e experimentou a dificuldade dos processos criativos, a dificuldade de interação criativa com os processos tecnológicos e pode perfeitamente problematizar essa questão, focando no que seja essencial em arte.  

Avaliação
Monte com os alunos uma exposição dos dois mapas conceituais na sala ou nos corredores da escola e exponha os livros manuais e os livros digitais produzidos pelos alunos (esses últimos, com o auxilio do projetor). Avalie a apropriação dos conceitos, a participação nos debates em grupo, a leitura das obras dos artistas, a confecção dos livros e, na produção da redação final, o diálogo sensível e conceitual realizado pelo aluno.

Bibliografia
"Linha do horizonte: por uma poética do ato criador" de Edith Derdik (Escrita, 2001)
"Arte e Ciência da Criatividade" de George F Kneller (Ibrasa, 1978)
"Ser Criativo" de Stephen Nachmanovich (Summus, 1993) 
"Criatividade e Processos de Criação" de Fayga Ostrower (Vozes, 1978)
"Arte e tecnologia no Brasil" de Gilbertto Prado
"A Arte no Século XXI: A Humanização das Tecnologias" de Diana Domingues (Unesp, 1997).


Consultoria Suellen Barbosa
Arte-educadora no Museu Afro-Brasil e mestranda no programa de Artes Visuais: Teoria, Ensino e Aprendizagem da Universidade de São Paulo (USP)

http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/computadores-fazem-arte-782510.shtml



Uma criança igual às outras


A mãe de um aluno da turma de 4 anos marcou uma reunião comigo e com a diretora da escola. Seu filho, apesar de ser novato na instituição, já havia se adaptado à rotina, à professora e aos colegas. Então, nossa hipótese para o motivo da conversa era que ela gostaria de obter mais informações sobre o projeto pedagógico e quais seriam as aprendizagens da turma, já que, desde o início do ano, a família se mostrava muito participativa e atenta às orientações escolares.
A razão da reunião, no entanto, era completamente diferente. A mulher e o marido queriam comunicar à escola que o filho era portador do vírus HIV.
A notícia foi muito inesperada. Eu e a diretora chegamos a nos perguntar como uma criança que estava sempre correndo e brincando ativamente com os colegas no parque poderia ser portadora de um vírus tão grave?
O casal nos disse que, até o momento, não pretendiam compartilhar tal diagnóstico com toda a escola para evitar que a criança fosse tratada de maneira diferente. No entanto, na semana anterior, a mãe havia presenciado uma das professoras cuidando de um ferimento no joelho de uma garotinha da sala de seu filho sem qualquer proteção de luvas, enquanto outras crianças consolavam a colega. A atitude era muito zelosa por parte de todos, porém, não havia nenhum cuidado com relação à prevenção de contato com o sangue.
De fato, eu e a diretora reconhecemos que, muitas vezes, nem nós usávamos luvas ao socorrer as crianças, apesar de a Secretaria da Saúde ter nos orientado a usá-las sempre em qualquer procedimento, como lavar, estancar e socorrer pequenos acidentes que, numa escola de Educação Infantil, acontecem quase diariamente. Em geral, minha prioridade era acalmar os professores e as crianças quando algo acontecia.
Bem, depois do impacto da notícia, a família nos contou a história da criança. O casal havia adotado o menino quando a mãe biológica faleceu em decorrência da Aids, alguns dias depois do parto. Eles sabiam que ele era soropositivo e garantiam o acompanhamento médico constante.
Nessa reunião, resolvemos respeitar a vontade dos pais e não contar para mais ninguém da escola sobre o diagnóstico do menino. O que faríamos seria compartilhar com todos os funcionários e professores que tínhamos um aluno portador do vírus HIV, mas sem identificá-lo. Assim, todos deveriam prestar muita atenção com a proteção durante o tratamento de ferimentos.
O grupo todo recebeu a notícia com respeito e ninguém ficou questionando quem poderia ser a criança. A equipe escolar concordou que esse era um bom alerta, pois, com o passar do tempo, acabamos deixando de lado as orientações que havíamos recebido. Relembramos, então, onde estavam as diversas caixas com luvas descartáveis e deixamos uma em cada sala, em cima do armário de alvenaria, longe do alcance das crianças, mas facilmente acessível por adultos. Além disso, deixamos uma caixa na janela do banheiro, visto que era lá que lavávamos os ferimentos.
A criança portadora de HIV continuou brincando e sendo feliz, sem ter seu estado de saúde exposto para ninguém. Essa ação evitou que, de alguma maneira, ela fosse tratada de maneira diferente, sendo protegida demais ou, por outro lado, fazendo com que alguém ficasse com medo de abraçá-la ou beijá-la, atitudes que não trariam qualquer risco a ninguém.
E na sua escola, você já passou por uma situação semelhante?
Um abraço, Leninha


http://gestaoescolar.abril.com.br/blogs/coordenadoras/2014/06/24/uma-crianca-igual-as-outras/
Neoliberalismo rima com distribuição de renda?

Discuta os conceitos norteadores dessa doutrina econômica e as consequências de sua adoção a partir da segunda metade do século 20

Conteúdos
- Crises do capitalismo e formação do neoliberalismo 
- Escola de Chicago (Chicago Boys)
- Globalização econômica
- Políticas econômicas e desigualdade social

Objetivos
- Discutir, de forma dialética, os avanços e crises do capitalismo na primeira metade do século 20 e o advento do neoliberalismo
- Entender o conjunto de conceitos e diretrizes econômicas e políticas que norteiam o neoliberalismo
- Discutir a globalização econômica a partir da segunda metade do século 20
- Discutir propostas para a superação dos atuais desafios sociais, políticos e econômicos

Anos                                        Ensino Médio

Tempo estimado                         Quatro Aulas

Materiais necessários
- Cópias da reportagem "É possível corrigir o rumo" (Veja 2377, de 11 de junho de 2014
- Cópia do documentário "A Corporação" (The Corporation - 2003), de Mark Achbar e Jennifer Abbot
- Projetor de imagens ou televisão para exibição do filme


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Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula expondo para a turma as mudanças políticas e econômicas ocorridas no capitalismo durante o século 20, relacionando a crise de 1929 e a importância da Segunda Guerra e do Plano Marshall para a recuperação econômica dos Estados Unidos. Esse debate é interessante para apresentar a Escola de Chicago e sua importância nas políticas econômicas do EUA durante a Guerra Fria. 
Após expor o quadro histórico após a Segunda Guerra, discuta com os alunos o surgimento do neoliberalismo e suas repercussões políticas e sociais na segunda metade do século 20. Explore questões como o surgimento da Escola de Chicago (Chicago Boys) e sua influência nos governos Reagan e Bush, por exemplo. Eventos políticos como o apoio do governo americano na implantação de ditaduras militares, como no caso do Brasil, a aplicação da teoria do Estado mínimo na Argentina e no Chile, e a política econômica de Margaret Thatcher no governo do Reino Unido são exemplos claros para esse debate. Com base nesses casos, explore conceitos econômicos do neoliberalismo, como o livre mercado, e a crença de que o crescimento econômico é a chave para qualidade de vida e diminuição das desigualdades sociais com base na meritocracia.
Feita a contextualização, apresente a Escola de Chicago e seus principais conceitos: o mercado independente da regulação do Estado, a livre iniciativa comercial baseada concorrência e a meritocracia como padrão de igualdade de oportunidade gerada pelo livre comércio. Após explicar esses conceitos básicos, distribua cópias da reporatagem "É possível corrigir o rumo", coma a entrevista do economista Thomas Piketty. Com base na entrevista, discuta com os alunos os as origens da desigualdade no capitalismo e a solução proposta pelo entrevistado. Discuta a ideia da aplicação de impostos mais altos sobre os ricos como uma contradição em relação às ideias da Escola de Chicago, segundo as quais o Estado deve reduzir ao mínimo seu grau de interferência na economia, além de reduzir os impostos. Pergunte aos alunos o que eles entendem por liberdade. É provável que algumas das respostas associem o conceito de liberdade ao consumo. Ao se deparar com questões desse tipo, questione: liberdade de consumo, puramente, é democracia? 
Com base na frase onde o entrevistado diz: "É crucial que um país tenha empreendedores, ricos, classe média e pobres. Não há nenhum problema nisso", discuta com a turma os conceitos de igualdade e desigualdade associada à ideia de liberdade discutida anteriormente.

2ª etapa
O objetivo é discutir as políticas de livre mercado onde o comércio não é regulado pelo Estado. Para fazer essa discussão, exiba o documentário A corporação, de 2003, e peça aos alunos que façam anotações referentes aos conceitos discutidos de acordo com a exposição no documentário. Peça também que os alunos façam anotações referentes a dúvidas, curiosidades e inquietações em relação às situações retratadas no documentário.

3ª Etapa
Discuta com os alunos as questões suscitadas pelo documentário. Com base nas dúvidas da turma promova o debate instando-os a refletir sobre as contradições, benefícios e malefícios causados pelo neoliberalismo como modelo econômico e político.
Levante a questão dos direitos trabalhistas, tendo em vista a ideia da mínima intervenção do Estado no modo de produção capitalista e sua relação com as desigualdades advindas da busca pelo lucro e da exploração dos bens naturais para desenvolvimento de produtos. Diante desses argumentos, direcione o debate sugerindo que os alunos reflitam, com base na ideia de meritocracia, se o modelo corporativo e suas relações políticas para alteração e criação de leis, que beneficiam as corporações, representam igualdade de oportunidade entre as pessoas, e até que nível essa liberdade pode ser verificada.
Ainda com base no conceito de meritocracia e livre iniciativa, discuta com os alunos até que ponto os aparelhos de organização do Estado, como a policia e as leis federais, servem aos interesses comerciais ou de liberdade e direito dos trabalhadores. Pergunte até que ponto eles entendem que as iniciativas corporativistas representam valores de liberdade e democracia. Diante desse debate, discuta com a turma sobre até que ponto o Estado deve interferir na economia para que sejam garantidos direitos e oportunidades aos cidadãos.

Avaliação
Divida a turma em grupos de quatro ou cinco alunos e oriente-os a preparar um seminário que discuta os conceitos abordados em sala de aula com base na entrevista e no documentário, levando-os a relacionar essas ideias com medidas que fazem parte de nosso cotidiano politico. Sugira que cada grupo analise programas como o Bolsa Família ou a política de cotas em universidades e concursos públicos, relacionando a proposta do pensamento neoliberal em relação a esses projetos em contraposição à medidas governamentais. Outro grupo pode apresentar um seminário sobre direitos trabalhistas como garantia de direitos básicos em relação aos interesses corporativos. Pergunte para a turma se algum grupo gostaria de apresentar sobre um dos temas abordados, criando assim mais liberdade para que os alunos pesquisem com base em seus interesses e curiosidades.
Avalie se os alunos conseguiram compreender os conceitos abordados e a capacidade crítica de relacionar as ideias ao verificado na realidade política em um contexto globalizado.

Marlon Ribeiro da Silva
Historiador pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestre e doutorando em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plao-de-aula-historia-neoliberalismo-rima-distribuicao-renda-785583.shtml
As regras do boxe

Observando diferentes modalidades da luta, a turma conhece suas principais características e põe em prática o que aprendeu

Objetivos
·                       Identificar e compreender as principais técnicas de ataque e defesa do boxe
·                       Conhecer as especificidades que distinguem a luta (vestuário, ambiente de prática, organização e equipamentos)
·                       Mediante a vivência, observar as características técnicas da luta (toque e esquiva)
·                       Compreender a importância da adoção de procedimentos de segurança durante a prática
·                       Confrontar diferentes discursos sobre o boxe
·                       Reconhecer as diferenças entre o boxe masculino e o feminino, e entre o profissional e o amador

Conteúdos
Técnicas, regras e características do boxe e dos boxeadores
Procedimentos de segurança

Anos                                Ensino Médio

Tempo estimado                        12 aulas

Material necessário
·                       Cópias de vídeos que apresentem lutas de boxe (Sugestões: trecho do filme "Rocky", trecho da luta de Muhammad Ali contra George Foreman e trecho da luta de Rosilete dos Santos contra Maria Jose Nunes disponíveis no YouTube)
·                       Quadro negro
·                       Cartolina ou papel pardo
·                       Computadores ou acesso à sala de informática
·                       Datashow ou TV com DVD Player
·                       Prendedores de roupa
·                       Colchonetes

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Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula convidando a turma a relatar o que sabe sobre o boxe. Registre as informações em uma folha de papel pardo à vista de todos. Procure identificar nas falas dos alunos quais foram as fontes que permitiram a eles acessar os dados mencionados. Coletivamente, construa um quadro contendo a categorização do que foi mencionado. A ideia é que o quadro contenha as seguintes informações: técnicas, história, nomes de boxeadores, organização, funcionamento e fontes. Sobre esse último aspecto, é de se esperar que a representação da modalidade tenha sido acessada mediante a produção midiática e reside aí uma questão relevante para a continuidade do trabalho.

2ª etapa
Apresente diferentes vídeos com lutas de boxe, como trechos de um filme comercial, uma luta profissional masculina, uma luta feminina, uma luta realizada em Jogos Olímpicos. Depois de assistirem juntos, solicite à turma que identifique semelhanças e diferenças em relação ao tempo dos rounds, técnicas empregadas, espetacularização, regras, finalização, duração, vestimentas e equipamentos de proteção. Insira as observações no quadro elaborado no momento anterior e solicite comparações com as representações iniciais. 

3ª etapa
Proponha aos alunos um momento de vivência: cada um deverá prender na sua camiseta, nas regiões dos ombros ou abdômen, 6 prendedores de roupa. Posicionados em duplas, frente a frente, o objetivo da atividade consiste em tentar retirar o prendedor da roupa do adversário. Para evitar que isso aconteça, cada qual poderá impedir a tentativa do colega com os antebraços, retornando à frente do peito, na posição de guarda. Realize diversas "lutas", garantindo que as duplas sejam modificadas. Durante a vivência, observe o desempenho dos alunos. Será importante para solicitar, se necessário, que demonstrem em "câmera lenta" as diferentes técnicas que empregaram. Finalizada a atividade, peça que comparem a própria gestualidade durante a vivência com aquela identificada nos vídeos. Procure enfatizar a relevância da esquiva e do bloqueio (quando o boxeador aproxima os dois braços na frente do rosto de modo a impedir o ataque do adversário).

4ª etapa
Debata com a turma a forma como o boxe e os lutadores são apresentados na mídia. Confronte as impressões compartilhadas com as informações presentes no quadro organizado na 1ª etapa a respeito das técnicas que caracterizam essa prática corporal, da nomenclatura adequada e sobre os praticantes de boxe. Enfatize os elementos que possam desestabilizar eventuais representações estereotipadas constatadas inicialmente.

5ª etapa
Informe à classe que as vivências serão retomadas e estimule a incorporação das técnicas pesquisadas. Desta vez, distribua um colchonete para cada dupla, solicitando que o mesmo seja dobrado e mantido com firmeza à frente do corpo, a certa distância do rosto e do peito. A intenção é golpear o material com os punhos fechados, executando o gesto técnico de extensão do braço (cruzado e direto), enquanto o outro permanece na posição de guarda. Caso seja necessário, a sugestão é que o professor utilize alguns dos diversos tutoriais disponíveis no YouTube para que os alunos visualizem as técnicas em câmera lenta. Num primeiro momento, o aluno que segura o colchonete deverá permanecer parado. No momento seguinte, poderá movimentar-se em círculos ao redor do colega que executa os golpes. Caso algum aluno da turma tenha frequentado aulas de qualquer luta que empregue técnicas semelhantes, também poderá fazer a demonstração. Finalizada a atividade, converse com a turma sobre os efeitos nas mãos do impacto repetitivo dos socos. Aproveite para mencionar as imagens que assistiram nos momentos anteriores e destacar a razão do equipamento de proteção: bandagens, luvas, protetores bucais, capacetes e coquilha (protetor genital). Registre as observações dos alunos no quadro construído na primeira etapa.

6ª etapa
As vivências do momento anterior também permitiram aos alunos identificar diferenças entre os golpes aplicados pelos colegas, principalmente no que diz respeito à força empregada. Certamente, enquanto assistirem aos vídeos, os alunos perceberam que os participantes de uma mesma luta possuem dimensões corporais semelhantes. Apresente as categorias masculinas e femininas (facilmente localizadas na internet) como referência e peça para a turma construir categorias adequadas às características do grupo, sendo possível, inclusive, misturar meninos e meninas. Feito isso, retome a vivência dos golpes, mas, desta vez, metade da turma deverá executar, enquanto a outra, observará os colegas. Após um prazo previamente estipulado, os executantes deverão trocar de lugar com os observadores. Finalizada a atividade, peça-lhes para compartilhar quais são as observações realizadas, com destaque para as diferenças constatadas entre os golpes aplicados pelos componentes das várias categorias. Converse com o grupo sobre os resultados. Para além dos equipamentos de proteção, é primordial que seja respeitado certo equilíbrio entre os participantes.

Avaliação
Apresente aos alunos o quadro composto com todos os registros. Solicite que identifiquem as modificações que possivelmente tenham ocorrido nas suas representações iniciais e as conclusões a que chegam ao final da sequência, bem como as permanências. Em seguida, proponha que a turma apresente as razões que possam explicar tanto a manutenção e a transformação dos posicionamentos preexistentes ao trabalho desenvolvido.

Quer saber mais?
Marcos Garcia Neira. A reflexão e a prática do ensino - Educação Física. São Paulo: Blucher, 2011.


Consultoria Marcos Garcia Neira
Professor de Metodologia do Ensino de Educação Física da Universidade de São Paulo e coordenador do
 Grupo de Pesquisas em Educação Física escolar


http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/regras-boxe-785603.shtml


Estamos perdendo tempo nas reuniões pedagógicas?

 “As reuniões pedagógicas são perda de tempo”.  Já ouvi essa frase de muitos professores em várias escolas diferentes. Sempre me incomoda perceber que alguns docentes encaram o momento de discutir coletivamente as questões da escola como algo inútil ou perda de tempo, pois é justamente nesse momento que decisões pedagógicas importantes podem ser tomadas. É preciso retomar o papel desses encontros e sua importância para melhorar a prática docente e o trabalho com a equipe gestora.
Sem pretender fazer uma lista exaustiva, podemos dizer que a reunião de professores serve para:
- organizar demandas do cotidiano escolar.
- organizar intervenções interdisciplinares.
- discutir casos de alunos que demandam uma decisão coletiva.
- oportunidade de estudar em conjunto.
No entanto, por vários motivos, muitas reuniões acabam de fato sendo mal utilizadas. Talvez por falta de preparação e de clareza sobre os objetivos do encontro, a conversa acaba sendo improdutiva e nada é resolvido.
Além disso, há “indisciplina” por parte dos  próprios participantes, que se dispersam ou fazem outras coisas durante a reunião (preenchem diário, corrigem provas, conversam paralelamente, usam o celular)… Atitudes que só contribuem para piorar a situação.
Mesmo quando a reunião é bem preparada e conduzida, pode ficar centrada apenas nas questões organizacionais: discutir e informar cronograma, distribuir tarefas relativas a projetos ou aulas, dividir grupos de alunos para os mais variados fins… Demandas que toda escola tem e que precisam ser atendidas!
Porém, quando isso acontece, outros aspectos são deixados de lado, principalmente o estudo conjunto e a reflexão sobre a prática. Isso gera um círculo vicioso porque, se nós professores não vivenciamos reuniões formativas e reflexivas, acabamos nos acostumando com a ideia de que os momentos coletivos servem apenas para organizar tarefas (e, portanto, não servem para estudar…).
Na EJA, isso é especialmente complicado, pois há muita carência de materiais e propostas pedagógicas, o que eleva a importância do trabalho em equipe. Além disso, a singularidade das turmas é muito marcante, o que torna ainda mais importantes os momentos de compartilhar ideias e refletir coletivamente sobre a prática.
Uma das possibilidades é reservar logo no início do ano, durante o planejamento, algumas reuniões cujo foco seja de fato o estudo coletivo. Talvez assim seja possível garantir que esses momentos não sejam completamente tomados pelas demandas de organização.
No blog Coordenadoras em Ação, percebo que essa é uma preocupação constante: como usar o tempo sempre curto para melhorar a formação dos professores e tornar a prática docente mais autoral e profunda? A solução pode ser associar a prática com o aperfeiçoamento (veja um exemplo neste link).
Qual a sua opinião sobre isso? Você concorda que é preciso encontrar caminhos para que as reuniões pedagógicas sejam mais produtivas?


http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/06/11/estamos-perdendo-tempo-nas-reunioes-pedagogicas/
Estamos perdendo tempo nas reuniões pedagógicas?

 “As reuniões pedagógicas são perda de tempo”.  Já ouvi essa frase de muitos professores em várias escolas diferentes. Sempre me incomoda perceber que alguns docentes encaram o momento de discutir coletivamente as questões da escola como algo inútil ou perda de tempo, pois é justamente nesse momento que decisões pedagógicas importantes podem ser tomadas. É preciso retomar o papel desses encontros e sua importância para melhorar a prática docente e o trabalho com a equipe gestora.
Sem pretender fazer uma lista exaustiva, podemos dizer que a reunião de professores serve para:
- organizar demandas do cotidiano escolar.
- organizar intervenções interdisciplinares.
- discutir casos de alunos que demandam uma decisão coletiva.
- oportunidade de estudar em conjunto.
No entanto, por vários motivos, muitas reuniões acabam de fato sendo mal utilizadas. Talvez por falta de preparação e de clareza sobre os objetivos do encontro, a conversa acaba sendo improdutiva e nada é resolvido.
Além disso, há “indisciplina” por parte dos  próprios participantes, que se dispersam ou fazem outras coisas durante a reunião (preenchem diário, corrigem provas, conversam paralelamente, usam o celular)… Atitudes que só contribuem para piorar a situação.
Mesmo quando a reunião é bem preparada e conduzida, pode ficar centrada apenas nas questões organizacionais: discutir e informar cronograma, distribuir tarefas relativas a projetos ou aulas, dividir grupos de alunos para os mais variados fins… Demandas que toda escola tem e que precisam ser atendidas!
Porém, quando isso acontece, outros aspectos são deixados de lado, principalmente o estudo conjunto e a reflexão sobre a prática. Isso gera um círculo vicioso porque, se nós professores não vivenciamos reuniões formativas e reflexivas, acabamos nos acostumando com a ideia de que os momentos coletivos servem apenas para organizar tarefas (e, portanto, não servem para estudar…).
Na EJA, isso é especialmente complicado, pois há muita carência de materiais e propostas pedagógicas, o que eleva a importância do trabalho em equipe. Além disso, a singularidade das turmas é muito marcante, o que torna ainda mais importantes os momentos de compartilhar ideias e refletir coletivamente sobre a prática.
Uma das possibilidades é reservar logo no início do ano, durante o planejamento, algumas reuniões cujo foco seja de fato o estudo coletivo. Talvez assim seja possível garantir que esses momentos não sejam completamente tomados pelas demandas de organização.
No blog Coordenadoras em Ação, percebo que essa é uma preocupação constante: como usar o tempo sempre curto para melhorar a formação dos professores e tornar a prática docente mais autoral e profunda? A solução pode ser associar a prática com o aperfeiçoamento (veja um exemplo neste link).
Qual a sua opinião sobre isso? Você concorda que é preciso encontrar caminhos para que as reuniões pedagógicas sejam mais produtivas?


http://revistaescola.abril.com.br/blogs/eja/2014/06/11/estamos-perdendo-tempo-nas-reunioes-pedagogicas/